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A bem da Nação

OS ECONOMISTAS, A MICRO-ECONOMIA, AS EMPRESAS

Nota Prévia: Nada me move contra os ECONOMISTAS, tenho grandes amigos que são economistas e, apesar de eles próprios dizerem mais ou menos que a “economia é a arte de errar nas previsões”, continuo a ouvi-los com respeito e sempre na mira de aprender algo que não sabia.

 

Posto isto, vamos ao meu tema de hoje, começando com três perguntas:

 

- Quantas Empresas, grandes, pequenas ou médias foram criadas e desenvolvidas com êxito neste País, por economistas?

 

- Quais são as Empresas em Portugal dirigidas por economistas, que nelas investiram o seu dinheiro?

 

-Quantos Empresários (*) em Portugal são Economistas?

 

(*) No sentido daquele que empreendeu, liderou o empreendimento e investiu os seus próprios capitais.

 

Estas perguntas vêm a propósito de um fenómeno que todos os dias observo nos meios de comunicação social em Portugal. Sejam jornais de papel, sejam as rádios sejam as televisões, são em esmagadora maioria os economistas que são chamados para dar opiniões sobre o que se deve e o que se não deve fazer. E, apesar de serem economistas, de terem aprendido nos mesmos livros lemos e ouvimos opiniões totalmente divergentes entre uns e outros.

 

Mais uma pergunta:

 

- Se a classe dos Economistas é assim tão bem preparada para nos dizer o que é que devemos fazer para salvar o nosso futuro, então porque razão não os vemos como empreendedores, salvo, claro, raras e honrosas excepções?

 

O que eu acho é que a opinião pública, de tanto ser manipulada, acaba por ficar imune e já não ligar às opiniões do grupo de 10 ou 20 economistas – sempre os mesmos – que invadem as nossas casas com as suas opiniões.

 

Vamos lá:

 

Diz um, que até é professor de uma das nossas Universidades, e é um daqueles que à custa de nos ser impingido muito lemos e ouvimos: “Não há solução, temos de sair do euro”. Penso eu, que sou empreendedor e gestor, mas este senhor Economista Professor não sabe do que está a falar, infelizes dos alunos dele.

  1. Diz outro, que também é Professor Universitário, e, para mal de todos nós, até foi Ministro “As grandes obras públicas, o TGV e o Aeroporto, têm de prosseguir porque são essenciais ao desenvolvimento do País e criam emprego. Lá penso eu, pobre de mim que sou só empreendedor e gestor, mas este Senhor Ministro, que é Economista e Professor, só diz e faz coisas idiotas, não percebe nada de economia!
  2. Dizem vários, quase todos Professores Universitários, “Para cumprir o MU assinado com a “troika” Portugal vai entrar em recessão”. E eu que ouço isto, dou por mim a pensar. Se estes Cavalheiros dirigissem uma Empresa era uma desgraça, faliam em três tempos. Então não sabem que a gestão (do País, duma Autarquia, dum Clube Desportivo, duma Empresa) é caracterizada pela escassez de meios e pelo uso optimizado desses meios. Não sabem que as dificuldades são as barreiras que temos de ultrapassar para chegar ao objectivo e que isso se faz com planeamento de acções e sua execução. Quero dizer, que tendo assumido um compromisso com os credores, não temos necessariamente de entrar em recessão, antes pelo contrário, temos de inventariar os escassos meios de que dispomos, os objectivos que pretendemos, melhor TEMOS de alcançar, e depois programar as acções, definir responsáveis pela sua aplicação, controlar a execução, e ir até ao fim. Se formos gestores competentes conseguiremos atingir as nossas metas (objectivos).

 

Par não me ficar na classe dos teóricos e não passar de “fala-barato”, aqui vão algumas sugestões para cumprir o MU com a “troika” e crescer:

 

 1       Obras Públicas:

 

        Salvo as necessárias para embaratecer/facilitar a curto prazo, o nosso abastecimento de matérias-primas para as nossas indústrias  e ou os produtos da nossa produção, são TODAS suspensas “sine-die”.

 

      Exemplos de obras públicas necessárias e de retorno imediato:

 

a)     - Navegabilidade do Rio Tejo até Azambuja, com desdobramento do Porto de Lisboa “up-river”

b)    – Reformulação do caminho-de-ferro de mercadorias de modo a ligar o Porto de Lisboa (margem direita do Tejo) às nossas indústrias e a Espanha, poupando cerca de 200 kms na ligação do porto de Lisboa (margem direita do Tejo) a Badajoz.

c)     Electrificação da linha de caminho de ferro até Badajoz, em sistema compatível com a restante rede Portuguesa e a Rede Espanhola.

 

2 - Investimentos Privados a desmotivar (via fiscal e taxas de juro):

 

a)     – Todos, sem excepção, que se destinem à produção ou distribuição de bens e serviços não transaccionáveis.

b)    – Construção civil para habitação e escritórios

 

3 – Investimentos Privados a APOIAR e MOTIVAR (via fiscal e taxas de juro)

 

a)     - Produção e logística de bens e serviços transaccionáveis, que se exportem ou evitem importações.

b)    – Projectos de agricultura de alto valor acrescentado, potenciando a utilização de terras irrigáveis ou já irrigadas pelas Barragens de Alqueva e Campina da Idanha.  O Potencial de criação de empregos é da ordem dos 200.000 e o VAB anual é da ordem dos 12.000 milhões de euros.

c)     – Projectos de pesca (aumento e melhoria da frota pesqueira), de piscicultura e de conservas de peixe.

 

        Para melhor proteger estes projectos, captar e motivar o Investimento estrangeiro bem como o regresso das Empresas que ao longo dos últimos anos deslocalizaram as suas actividades:

 

d)    – “Devolver” aos produtores industriais, o direito e dever de marcar o preço de venda nos produtos das suas marcas, retirando este direito às Empresas distribuidoras. Qualquer estudante de marketing sabe que o preço é um dos constituintes mais importantes do “mix” de marketing. Retirar este direito e dever ao “dono” da marca e dá-lo ao distribuidor é o modo mais eficaz de destruir marcas e de dar aos distribuidores um poder que não é deles.

 

e)     – Lançar derrama em sede de IRC sobre as margens de lucro obtidas por importadores ou distribuidores, derivadas da comercialização de bens ou serviços importados que substituam a produção nacional (normalmente bens da agricultura, da pesca, da indústria agro-alimentar).

 

f)      – Lançar derrama em sede de IRC sobre lucros obtidos pela utilização industrial e ou comercialização de matérias-primas, produtos, máquinas - ferramenta, produzidos em paraísos fiscais (exºs. Zonas livres da Madeira e de Tanger) de modo a compensar lucros ilegítimos e concorrência desleal, das Empresas que se deslocalizaram do País para esses paraísos fiscais.

 

g)     – Lançar derrama em sede de IRC sobre lucros obtidos na comercialização de bens importados de Países terceiros e que anteriormente eram produzidos em Portugal (actividades deslocalizadas há menos de 15 anos)

 

h)    – Lançar de derrama em sede de IRC sobre lucros obtidos por importação de matérias-primas e produtos intermédios de Países que pratiquem o benefício fiscal interno na exportação de bens (exemplos Argentina, Malásia e Indonésia.

 

i)       Negociar com o BCE taxas de juro abaixo da inflação aceitável (nunca mais de 1,5% ao ano), especificamente e só para este tipo de actividades e investimentos.

 

j)        Taxa de IRC não deve ultrapassar os 10% (**)

 

       (**) vale mais 10% de alguma coisa que 30% de nada.

 

 

Já estou à espera da grande lista de constrangimentos e impossibilidades legais para se executarem estas medidas. Já estou a ouvir milhares de vozes a dizer “isso é impossível, você está a sonhar. A minha resposta vai já em antecipação: “Não há constrangimentos, não há nenhuma regra aceite na EU que impeça a adopção de medidas fiscais internas e a compensação pela via fiscal dos benefícios ilegítimos obtidos pela prática da concorrência desleal é perfeitamente legítima, tudo isto é possível, basta querer e eu estou acordado, não estou a sonhar”

 

Para além das sugestões acima, temos ainda a questão da competitividade fiscal em combustíveis com Espanha. Todos sabemos que a Espanha “conquistou” em termos fiscais 60 Kms de território português ao longo de toda a fronteira, através do preço do gasóleo, da gasolina e do gás doméstico em garrafas.

 

O caso do gasóleo é mais grave. Nós pagamos as auto-estradas, nós pagamos todos os encargos do “Estado - Social” os espanhóis cobram os impostos abastecendo de gasóleo todos os camiões TIR bem como os nossos cidadãos que vivem ao longo da fronteira.

 

A acção a desenvolver (por economista) será:

 

- Calcular em que quantidades de gasóleo aumentariam as nossas vendas se o preço fosse igual ao de Espanha.

 

Se,  como penso, as vendas aumentassem 10%, poderíamos reduzir o nosso ISP para o nível Espanhol, sem perder receita para o Estado, já que alargávamos a base de incidência. No final, o Estado Português receberia o mesmo valor global, mas todos os nossos transportes ficariam mais baratos – logo maior competitividade – e os nossos cidadãos deixariam de ir abastecer-se nos fins-de-semana aos supermercados espanhóis, pagando o respectivo IVA em Portugal. Parece simples, não parece? Então porque razão se não faz?

 

É evidente que tudo o que acabei de escrever é matéria demasiado óbvia e simples para ocupar a mente e a dialéctica dos Economistas da Comunicação Social, que obviamente têm pensamentos e questões mais profundas para analisar e comunicar.

 

Lisboa, 5 de Julho de 2011

 

 João A. J. Rodrigues

Empreendedor, Empresário, Gestor, e pensador livre em questões de economia

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