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A bem da Nação

Mais sedes em Espanha

 

Portugal será uma região ibérica?

 

Por um lado as notícias de cada vez haver mais empresas com atividades em Portugal terem as suas sedes em Madrid provocam preocupações independentistas em algumas agravadas ainda pelas privatizações de atividades essenciais como por exemplo a energia, as águas, transportes e outras a grupos com sedes no estrangeiro. Aliás também há grupos portugueses com sedes lá fora.

 

Segundo parece, porque é mais operacional, o que não é de espantar dada a fraca operacionalidade do nosso sistema governativo, que se diz ir ser agora reestruturado e também é bom não esquecer as estatizações pós 75.

 

Recordando a nossa história verificamos que os reis da nossa primeira dinastia logo se aperceberam de que tinham que não depender dos seus poderosos vizinhos, mais tarde aglutinados na Espanha actual. E portanto só tinham que encontrar apoios fora, o que significou a obrigatoriedade de desenvolver a Marinha e os contactos com a Inglaterra e outros países da região do canal da Mancha.

 

No início do século XX, após um século XIX desastroso, Portugal dependia fortemente da Inglaterra, embora o ultimato tivesse complicado as relações entre os dois países, pois várias indústrias e serviços no nosso país eram exercidos por empresas inglesas.

 

Estas dependências levaram o governo na época que antecedeu a II guerra mundial a preocupar-se com este problema daí resultando a nacionalização (então palavra correctamente empregada) de companhias de transportes, de comunicações e de energia em particular e o desenvolvimento da marinha mercante nacional.

 

Convém recordar a importância essencial para um país ser independente de as suas principais actividades estruturantes pertencerem a proprietários portugueses ou pelo menos residentes em Portugal como qualquer português.

 

No entanto as consequências dos erros profundos das políticas interna e ultramarina, a partir de 1961 estancaram o crescimento económico em curso, por causa da guerra colonial que esses erros provocaram, e a partir daí a riqueza nacional tem vindo a diminuir até atingir o actual nível de bancarrota à vista.

 

E se perdemos as antigas colónias em 1975, na verdade já o tinham sido muito antes quando os portugueses iam procurar trabalho fora, tantas vezes clandestinamente, e não lhes era permitido mudarem-se para lá como devia ser possível dentro de um mesmo país.

 

Assim as forças que dominaram os acontecimentos começaram por destruir grupos económicos e empresas de dimensão internacional que não só perderam muitos postos de trabalho altamente qualificados mas também nos tornaram dependentes de importações desde a indústria até à banca passando pela agricultura e alguns serviços.

 

Note-se que, curiosamente, são algumas dessas forças (estou a lembrar-me do PC e do PS que tanto batalharam para se fazerem as mal chamadas nacionalizações, até porque as empresas já eram portuguesas e as estrangeiras nada sofreram) que, nesta altura de dificuldades, clamam na rua a necessidade de haver empregos esquecendo-se da sua quota-parte de responsabilidade na actual taxa de desemprego e nas dificuldades em o combater.

 

Até nem se associaram às comemorações em curso da revolução de Abril e proclamam a ida para a rua protestar contra as medidas de austeridade que em grande parte resultam dos erros e desmandos que eles próprios foram fazendo durante todos estes anos e quando se processou o maior aumento do défice nacional de que há memória, em particular nos últimos seis anos, não se ouviram os seus protestos.

 

Por que seria tal silêncio? Distração ou interesses inconfessados?

 

Depois da entrada na CE a destruição aumentou a Marinha foi desmantelada e utilizando as ajudas europeias criámos hábitos de vida folgada à custa de crédito fácil e desenvolvemos indústrias com baixo valor acrescentado sem qualquer preocupação generalizada de valorizar a capacidade de trabalho mas apenas o consumo.

 

O resultado está bem à vista: dívidas por todo o lado, uma cultura de inconsciência social insustentável mas exigente: queremos ter melhores salários mas não cuidámos da valorização, e temos energia mais cara, transportes mais caros (rodoviários em vez de ferroviários e marítimo-fluviais), mais impostos e mais inoperacionalidade que a concorrência com quem temos que competir para podermos exportar e, portanto, sobreviver.

 

A situação actual de voltarmos a ser um protectorado, não de um outro país mas de uma “troika”, corresponde a um nível de independência muito baixo e agravado cada vez que vendemos a estrangeiros empresas nacionais estruturantes mas não incentivamos
os capitais estrangeiros em novos empreendimentos que se justifica serem deles porque deles dependem em grande parte os futuros clientes.

 

Em resumo: haver algumas multinacionais a mudar as suas sedes para Madrid é natural e não tão grave assim, mas vender empresas vitais e não fomentar novos investimentos e não se ter consciência das contribuições que cada um deu para a crise, isso sim, é que põe em perigo a nossa independência já tão prejudicada.

 

E que não será com festejos comemorativos que irá melhorar, mas com actividades sustentadas e competitivas praticadas por empresas com mentalidade nacional enquadradas num sistema político operacional eficiente e profundamente
português.

 

  José Carlos Gonçalves Viana

 

http://nossomar.blogs.sapo.pt

 

Publicado no DN em 18 de Julho de 2012

 

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