MUDAM-SE OS TEMPOS, MUDAM-SE AS VONTADES

NAÇÃO E NACIONALISMOS EM ÁFRICA
A diversidade cultural e a construção do Estado-Nação em Angola
Nos movimentos de luta pela independência das colónias, uma das armas ideológicas frequentemente utilizada foi a «denúncia das fronteiras artificiais desenhadas pelos imperialistas para dividir os povos de Africa principalmente as que separam grupos étnicos» (Conferencia dos Povos Africanos, Acra, 1958). Por isso, muito justamente se reclama «a abolição ou ajustamento dessas fronteiras».
Mais tarde, os Chefes de Estado reunidos na Conferencia de Addis-Abeba (Maio de 1963) decidem que «não é possível nem desejável modificar as fronteiras das nações em nome de critérios raciais ou religiosos…»
E no ano seguinte (1964), na 1ª Conferencia dos Chefes de Estado Africanos realizada pela Organização de Unidade Africana, adopta-se a seguinte resolução: «Todos os Estados membros (da OUA) se comprometem a respeitar as fronteiras existentes à data da independência».
Basta a evocação destes documentos para entendermos, em termos gerais, a distância entre as comunidades imaginadas e as comunidades reais.
Aplicado a Angola (um vasto conjunto de nações), o modelo do Estado-Nação põe em evidência a necessidade de trazer as pessoas à realidade a fim de se superar o abismo entre as boas vontades e os interesses.
(recebido por e-mail, Autor não identificado)
