DEVANEIOS

MATERNIDADE ALFREDO DA COSTA
Na ordem do dia está a extinção dessa histórica herança do património nacional que, durante 80 anos, foi berço de milhares de crianças com a assistência médica nos primeiros dias mais difíceis de sua vida, fossem elas filhas de pais ricos, pobres ou marginalizados. O Governo em nome de austeridade, face ao descalabro provocado pelos agentes da Escola Socrática, pretende extinguir a instituição não tomando em conta as manifestações da massa popular expressivas do axioma: VOX POPUL1, VOX DE1!

Com esse breve introito, urge dizer algo sobre a figura do Dr. Alfredo da Costa (1859/1910), de seu nome Manuel Vicente Alfredo da Costa, nascido em Margão-Goa, filho de Bernardo Francisco da Costa (1821/96). Este, o pai do Dr. Alfredo da Costa, fora advogado, jornalista, escritor, deputado (1853/69); anteriormente fora aluno laureado e Lente da Escola Matemática e Militar de Goa e Inspetor dos Estudos na India; e, ainda em Portugal, assinalou-se como figura de relevo em Almada, onde foi presidente da Câmara, Administrador do Concelho e Juiz Substituto, e tem uma rua nessa cidade evocando-o; acabou seus dias em Diu; em 1900 foi evocado por Soares Rebelo num soneto plangente, em francês, na homenagem póstuma a ele dedicada como Fundador do Montepio de Goa.
Com essas ricas tradições de família, Alfredo da Costa formou-se pela Escola Médica de Lisboa (1884) e foi médico-cirurgião do Hospital de São José (1885), Demonstrador da Secção Cirúrgica da Escola Médica (1899), Regente de Anatomia Patológica (1898) e de Obstetrícia, Director das Enfermarias de Sta. Bárbara e Sta. Joana, Presidente da Sociedade das Ciências Médicas, Presidente das Secções da S.G.L. e da Comissão da Assistência Nacional aos Tuberculosos, Sócio da Academia das Ciências e autor de artigos científicos na "Revista de Medicina e Cirurgia, de Lisboa" e na "Medicina Contemporânea" de que foi Redactor e Director.
Como médico-cirurgião foi um habilíssimo profissional sendo quem introduziu em Portugal o método Estlander e a ressecção vaginal pelo processo Walkmann.
Não chegou a realizar o seu grande sonho de dar ao País uma condigna maternidade, a qual viria a surgir em 1932, vinte e dois anos após a sua morte, por consenso geral dos médicos, cirurgiões e professores de Medicina e Cirurgia. O edifício foi iniciado em 1891 por iniciativa do MINISTRO-CONSELHEIRO ANTÓNIO CÂNDIDO RIBEIRO DA COSTA gerindo a pasta de Negócios Estrangeiros e da Instrução.
Seria louvável que o Governo mantivesse e melhorasse este histórico Monumento Nacional em vez de ordenar a extinção da Maternidade Alfredo da Costa de tão ricas recordações para milhares de portugueses!
Alcobaça 19.06.2012
Domingos José Soares Rebelo
