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A bem da Nação

AS CONFERÊNCIAS DE LISBOA – 1




As conferências sobre temas económicos que se realizam actualmente em Lisboa revelam várias realidades da sociedade portuguesa e, mais do que a identificação dos temas abordados, sou levado a meditar numa perspectiva bem diferente: essas conferências são causa para alguma mudança da realidade nacional ou são apenas uma mera consequência?

Comecemos por constatar que quem se proponha assistir a todas elas terá certamente uma agenda muito ocupada e, mesmo assim, correrá o risco de ter que faltar a algumas por sobreposição de datas e horários: desde as organizadas por Universidades às que são levadas a cabo por partidos políticos, órgãos de comunicação, Fundações, Institutos, clubes mais ou menos privados e associações cívicas, patronais, sindicais e empresariais, de tudo há em grande profusão sobre os temas mais diversos, abarcando perspectivas tão variadas como as de esquerda, do centro, do europeísmo e do iberismo (1), tanto no âmbito da macro como da micro.

A organização de conferências pode ter como objectivo a transmissão de mensagens ao estilo do “lobbying” anglo-saxónico, a formação do auditório presente na sala, a informação do público em geral ou um misto de todos estes desideratos. Há as que prevêem debate entre os conferencistas e a audiência e há aquelas em que os ouvintes entram mudos e saem calados. Há aquelas que oferecem “coffe breack”, as que incluem almoço ou que na agenda inscrevem “intervalo para almoço” e, sobretudo, há as que são de entrada livre, as que são apenas para os convidados e as que cobram inscrições. De um modo geral, os palestrantes portugueses não cobram “caché” em Portugal e eu julgo que o Senhor Gorbachov continua a ser o estrangeiro mais caro e essa, talvez, a razão pela qual ainda cá não veio; nem sequer creio que por cá faça grande falta com explicações para aquilo que hoje já é universalmente considerado inexplicável, o sistema económico soviético.

De toda esta panóplia de circunstâncias, consta ainda uma variante que consiste na necessidade que certas instituições têm de organizar conferências para mostrar que existem, que têm uma missão importante a desempenhar ou que necessitam de angariar fundos pela via dos patrocínios às ditas conferências para completarem as receitas que os orçamentos correntes não lhes proporcionam. Uma característica comum a todas estas conferências: começam sempre com atraso e acabam muito mais tarde do que o inscrito no horário.

Independentemente dos objectivos, em todos os tipos de organização e quer o acesso seja gratuito ou pago, as conferências são hoje um negócio e como tal são cada vez mais consideradas: primeiro decide-se organizar uma conferência e depois é que se discute o tema a tratar. Convenhamos que a ordem dos factores não devia ser tão arbitrária. Mas é.

Salvo raras excepções.

É sobre estas excepções – as tais que não são consequência do mero negócio do espectáculo – que me proponho fazer breves comentários nesta rubrica mas desde já convido os leitores a trazerem informação sobre iniciativas que considerem interessantes e a participarem com os comentários que lhes pareçam oportunos.

Lisboa, Janeiro de 2005,


Henrique Salles da Fonseca

NOTA (1):- Da ementa nada consta de direita nem de nacionalismo, perspectivas que, apesar de se enquadrarem na esfera democrática, são actualmente consideradas politicamente incorrectas em Portugal. Vivemos, pois, numa democracia parcial.

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