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A bem da Nação

TAMBÉM ESTIVE NA BICHA

 (*)

 

Mereci com isso ser falada,

A minha vida obscurecida

De repente foi iluminada

Pelos que teimaram em esclarecê-la

A uma luz de moralidade

Ou de preocupação,

Ou de ironia superior,

Atribuindo a minha longa espera

Na bicha, para pagar,

Quer a intuitos perversos

De açambarcar,

Quer a carências reais

Que os que filosofaram

Nunca tiveram

E por isso falaram

Troçando da mendicidade

Embora envergonhada,

Segundo explicitaram,

Implícita na atitude atribulada

De gastar horas dolorosas

Para o desconto para metade

Da despesa efectuada.

Um jovem que falou

Na “Opinião Pública” da Sic

Troçando do que viu

- Nem sei mesmo se lá esteve

Também.

Creio que não, pois não deve precisar,

Provavelmente vivendo

À custa do pai ou da mãe

Que custeiam

O seu curso de doutor,

Para assim poder caricaturar…

Mas a mesma visão parodística

Encontrei na exibição discursiva

De Pacheco Pereira

Mais matreira que certeira…

Pois o tal jovem caricaturista

Da insólita situação

Dos Pingos Doces a abarrotar de gente

Despejando as prateleiras,

Contou a hipotética história

De ele, como senhor doutor,

Pôr

Dois mendigos a lutar

Para ao fim lhes pagar

Um prato de sopa e um cigarro,

O que os pedintes logo fizeram

E tiveram.

Muito se discutiu pois, a acção

Da distribuição

Dos Pingos Doces da nação,

Uns criticando a concorrência desleal,

Por eles executada,

À manifestação do primeiro de Maio

Feita só de reclamação,

E sem proveito algum,

E retirando toda a visibilidade

E a importância habitual

Do Dia do Trabalhador.

Outros, falando, como eu já disse,

De mendicidade

E de falta de vaidade

- De auto-estima –

Num povinho que se esgadanha,

Ou que espera com paciência,

Para obter mais barato

O seu naco de pão

Ou o caldo da sua tradição,

Embora a maioria

Levasse carregos quantos podia.

Os meus cento e quarenta euros

Traduzidos em setenta

Foi ou não boa redução na quantia?

Obrigada, Pingo Doce, pela lembrança.

Valeu a pena.

Deves repetir a cena.

E até digo mais,

Como qualquer dos Dupond/t também diria:

Bom seria

Que os vários espaços comerciais

Se revezassem ao longo do ano

Numa atractiva redução

Dos preços dos seus produtos alimentares.

Mesmo porque os outros espaços comerciais

Sobretudo de panos,

Fazem saldos pelo menos

Duas vezes por ano.

E ninguém critica

Nem filosofa

Tão displicentemente

Ou tão preocupadamente

Sobre tal fenómeno

Do nosso consumismo imprudente.

E digo mesmo: indecente.

 

 Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=campanha+do+Pingo+Doce&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=sUU79j4uhEAx3M:&imgrefurl=http://www.noticiasgrandelisboa.com/2012/05/02/dois-feridos-40-intervencoes-da-psp-e-o-balanco-da-campanha-do-pingo-doce/&docid=7wl8qYsZQ0Za_M&imgurl=http://www.noticiasgrandelisboa.com/wp-content/uploads/2012/05/Pingo-Doce.jpg&w=582&h=393&ei=To-jT_HqJ_OX0QW2ytki&zoom=1&iact=hc&vpx=102&vpy=314&dur=1431&hovh=184&hovw=273&tx=126&ty=83&sig=109573699884915906692&page=2&tbnh=152&tbnw=201&start=20&ndsp=16&ved=1t:429,r:0,s:20,i:129

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