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A bem da Nação

AS GRANDES CRISES

(*)

 

Rebuscando na história à procura de “Crises”, encontram-se montes delas. Umas provocadas por guerras, outras por epidemias, ainda outras por desastres naturais, as mais incómodas são as das greves, mas a grande maioria vai para a culpa da ganância dos homens, e seu total, TOTAL, desprezo pelo Outro.

 

Um dos problemas que ajudou a reduzir a influência da Igreja de Roma, foi a sua pregação contra o lucro sobre dinheiro, juros, já que era considerado pecado ganhar dinheiro sem trabalhar. As divisões cristãs que se impuseram depois da Reforma, defenderam a ideia de que o homem, enquanto está na terra, deve aproveitar TUDO que Deus “pôs” à sua disposição, incluindo emprestar dinheiro a juros. Os miseráveis e até os babacas estão à disposição!

 

Os judeus têm neste campo uma filosofia muito mais “descarada”, quando a sua lei lhes diz que não devem cobrar juros entre irmãos judeus, mas à vontade a todos os outros. Daí a história nos mostrar um dos porquês os judeus, desde sempre, dominaram o mundo da finança.

 

Hoje vamos às crises financeiras, as que, além das guerras, são provocadas pelos homens e acabam por afectar milhões dos “servos”!

 

Quando a Inglaterra se viu dona dos mares, da maior e mais potente frota de navios naquela época – século XVII – iniciou uma expansão mundo fora, achando-se com o direito de dominar o mundo! Pelo comércio ou pelos canhões! Foi mais sangrenta a guerra pela Independência da América do que as guerras coloniais de Portugal!

 

Em 1600 fundaram a “Honourable East India Company” (gosto muito do “honourable”!), que não conseguia rivalizar com a sua concorrente holandesa, de enorme sucesso, a “Veereennigde Oostindishce Compagnie”, de capitais privados. De repente é feito rei dos britânicos o holandês William de Orange e sua mulher Mary (que reinaram em simultâneo) que levou consigo a “técnica holandesa”: onde buscar capitais. Para desenvolver o comércio e arranjar dinheiro para o rei fazer as suas guerras, dois monstros foram criados: em 1694 o Bank of England, só de capitais privados, e em 1711 a nova “South Sea Company”. Movimentava-se muito dinheiro e os navios que iam e vinham à América, Índia e Oriente, davam lucros imensos. Em 1719 os directores da nova companhia britânica “inventaram” transformar uma enorme fatia da dívida pública em empréstimos em que o governo pagaria juros inferiores aos que tinha contratado. E criou o “mercado” de acções, os “bonds”, £1 para £1 do débito do governo, para logo a seguir venderem esses títulos a preços bem mais altos. E começa a especulação desenfreada. Não tardou a que se emprestasse £250 a quem tinha £100 de títulos e garantindo um juro de 5%. A manipulação de preços variou de £1 a £1.000. O comércio crescia e todo e qualquer cidadão britânico queria ficar rico. Todos queriam mais e mais dinheiro. Gente houve que empenhou tudo quanto tinha para aplicar nesse mercado fictício, à espera de lucros imensos.

 

Em 1720 a “bolha” cresceu demais, e a “South Sea Company”... estourou! E na miséria ficaram milhares de otários!

 

Em 1929 foi Wall Street que estourou. Por razões muito iguais: a loucura do dinheiro fácil inflacionou o valor das acções da Bolsa, o povo desconfiou que estava a ser enganado e decidiu livrar-se daqueles “malditos papéis” de qualquer forma. Depois correu aos bancos para levantar o que ainda lá pudesse encontrar. E na miséria ficaram mais uns milhares ou milhões de americanos.

 

Há ainda poucos anos os japoneses “inventaram” outro sistema de “fazer” dinheiro. Como o bem material mais precioso para qualquer família é a posse da sua casa, a sua propriedade, os economistas bancários decidiram que quanto mais alto fosse o valor deste bem mais dinheiro se poria a circular. E concedendo créditos para a compra do imóvel a 30 anos, a rentabilidade da banca ficaria assegurada por muito tampo. E assim fizeram: os preços dos imóveis foram às alturas, a japonesada toda achou que estava rica, endividou-se e... chegou a um ponto que não podia mais pagar!

 

Os Estados Unidos, sempre bonzinho$$$, decidiram ajudar o Japão a não se enterrar muito, mas de qualquer forma aquelas levas de turistas japoneses, de repente, sumiram.

 

Finalmente a crise de 2008. Tal qual, tal qual. A repetição da ganância, do dinheiro fácil, do empréstimo à vontade para qualquer um, até inadimplentes, para depois cada banco vender a outro a sua “carteira de clientes”, até que chegou o mesmo, mesmissimo, momento da verdade.

 

Governos e povo achando-se sob uma torrente de maná! Outro estouro. E não foi, nem será o último.

 

Os países da Europa e os EUA ficaram de calças nas mãos. O povo então já nem as calças deve ter, mas, e os bancos?

 

Ah! Os bancos sempre saem dando risada. Nunca ganharam tanto dinheiro como agora, porque carregaram nos juros, e o dinheiro para alguns nasce mesmo na seca.

 

E vai ser sempre assim.

 

O contra-senso de todo este drama, primeiro é não se atender aos exemplos da história. Mas disso ninguém quer saber. O preciso é enganar o otário.

 

Mas, como se justifica o crescimento vertiginoso do numero de milionários? Com a China, Rússia e até Brasil?

 

Sempre a mesma coisa: crise é para os que estão por baixo. A crise é de homens, de ética, vergonha, fraternidade. E isto será para todo o sempre, enquanto neste planeta houver homos que sapien se apropriar de tudo. Como Caim, Jacó e outros milhões.

 

Rio de Janeiro, 04/04/2012

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=dinheiro+f%C3%A1cil+e+r%C3%A1pido&start=265&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=735&addh=36&tbm=isch&tbnid=nIZPysIWB64X9M:&imgrefurl=http://www.dinheiroextraweb.xpg.com.br/&docid=yApjlOkOgsHBUM&imgurl=http://www.dinheiroextraweb.xpg.com.br/imagens/riosdedinheiro.jpg&w=224&h=225&ei=B3ahT8-NCsnn8QPPk6jJCA&zoom=1&iact=hc&vpx=574&vpy=229&dur=890&hovh=180&hovw=179&tx=100&ty=115&sig=109573699884915906692&page=17&tbnh=171&tbnw=169&ndsp=17&ved=1t:429,r:2,s:265,i:194

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