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A bem da Nação

CRESCIMENTO ECONÓMICO

 

 (*)

 

Disse o nosso Primeiro Ministro, na Finlândia, que não haverá crescimento económico enquanto não resolvermos o problema da dívida. Na minha ingenuidade de ignorante dos problemas da alta finança, eu estava convencido que o problema era exactamente ao contrário. Na realidade não consigo descobrir como é que pensam pagar a dívida sem haver crescimento económico.

 

Portugal precisa desesperadamente de aumentar o que eu costumo designar por riqueza de base. A riqueza de base é produzida pela agricultura, pelas pescas e pela indústria. Dela dependem os outros sectores, nomeadamente o comércio e os serviços.

 

Não tenho competência para dizer o que se deve fazer nas pescas ou na indústria. Mas na agricultura, o sector em que tenho algumas
responsabilidades, há muitos anos que me bato - até agora sem êxito - para que se ponha em prática a única forma que conheço capaz de fazer progredir uma agricultura, especialmente como a portuguesa, que está globalmente atrasada. Há alguns casos de excelência e boa actividade económica, tanto para consumo interno como para exportação. Infelizmente, são poucos. Mas esses poucos são a prova do que se pode fazer.

 

A especificidade da agricultura, em qualquer lugar da terra, porque depende do conjunto solo e clima, impede a importação de tecnologia
estrangeira (o que é possível na indústria), pelo menos sem prévio estudo de adaptação.

 

A inovação - algo que sempre foi importante mas que os nossos políticos só começaram a referir quando no estrangeiro se falou em
"innovation" - só é possível na agricultura através da investigação agronómica, pois as novidades não caem do céu. O objectivo último da
investigação agronómica é descobrir formas de fazer melhor agricultura, no seu sentido mais lato.

 

Realizada a investigação, é necessário um serviço que leve até aos agricultores os resultados que já sejam aplicáveis. Tal como na
investigação médica, em que muito trabalho são passos intermédios que não têm aplicação clínica, só uma parte da investigação agronómica é que chega à utilização pelos agricultores. Esse serviço tem hoje, no mundo, o nome de extensão agrícola ou extensão rural, do nome com que, em 1914, foi criado nos Estados Unidos. (Eu gostaria mais de lhe chamar serviço de fomento agrícola).

 

Por essa razão, há muitos anos que declaro que, para desenvolver a agricultura portuguesa, o Ministério da Agricultura deve iniciar um
"Plano Intensivo de Investigação Agronómica e de Extensão Agrícola". Dada a forma como se apresentou a actual ministra, surpreendentemente bem informada (em contraste com os seus antecessores) e mostrando a intenção de, realmente, desenvolver a agricultura, acreditei que fosse capaz de iniciar imediatamente o Plano atrás referido.

 

Infelizmente, que seja do meu conhecimento, tal não sucedeu e se o Plano tivesse sido iniciado no começo do Verão de 2011, mesmo apenas com a "prata da casa", talvez tivesse sido possível, nas sementeiras de Outono, ampliar alguma coisa diversas culturas anuais, principalmente hortícolas e forragens, de forma a começar a reduzir a vergonhosa importação de tantos produtos agrícolas estrangeiros. E isso seria uma contribuição para o crescimento da nossa economia de base. Aliás, como mostrei na série de artigos sobre "A nova
equipa na Agricultura", o dinheiro investido em investigação agronómica e na extensão agrícola, em pouco tempo começa a dar ao orçamento, nos impostos sobre o crescimento da economia, muito mais do que o que ali foi colocado.

 

 Miguel Mota

 

Publicado no Linhas de Elvas de 15 de Março de 2012

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=ceara+de+trigo&hl=pt-PT&sa=X&biw=1024&bih=735&tbm=isch&prmd=imvns&tbnid=XRmrHchl8JPP8M:&imgrefurl=http://www.lurvely.com/photo/528717073/Ceara_de_trigo_Arronches/&docid=zfaxUSlqw3WXuM&imgurl=http://static.flickr.com/1249/528717073_ded26887c3.jpg&w=500&h=365&ei=bbCeT76JBMHNhAe1vID0Dg&zoom=1&iact=rc&dur=0&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=124&tbnw=193&start=0&ndsp=20&ved=1t:429,r:0,s:0,i:65&tx=84&ty=65

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