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A bem da Nação

UM POVO ALTRUÍSTA

 

Ouvi neste momento a Rosa Mota,

Nossa maratonista olímpica e mundial,

Que tantas vezes

Nos fez escutar o hino nacional,

Dizer que somos um povo generoso

Pois o nosso sangue damos mais que os outros

Para salvar vidas em risco,

Sem que disso

Nos cobre o fisco,

O que, quanto a mim,

É isso caso de estranheza sem fim.

Mas só me pergunto

Se, mesmo assim,

O povo generoso

Ou a Rosa vitoriosa

Não merecem críticas deste ou daquele

Como é o caso de alguns deuses

Ou heróis mitificados

Por Esopo relembrados

Na sua fábula para todos os gostos

E até para os desgostos,


 

“Zeus, Prometeu, Atena e Mômo”:

 

Zeus, Prometeu e Atena,

Tendo engendrado respectivamente

Um touro, um homem e uma casa,

Para árbitro chamaram o próprio Mômo.

Invejoso das obras pelos deuses realizadas

Mômo declarou primeiramente

Que Zeus se mostrara trapalhão

Ao não colocar os olhos do touro

Sobre os próprios cornos de valentão

Para melhor ver onde tocava

Quando marrava;

O próprio Prometeu ele atacou

Por não ter suspendido o coração

Do homem na parte exterior,

Para impedir o vício de se dissimular

E permitir manifestar

Os pensamentos de cada um

Sem escrúpulo nenhum;

Finalmente,

Atena ele atacou

Por a sua casa não ter feito com rodinhas

Que possibilitariam rápida mudança

Em caso de má vizinhança.

Indignado com a crítica impertinente,

Embora inteligente,

Júpiter expulsou Mômo do Olimpo omnipotente.

Mostra a fábula que ninguém nem nada

Por maior que seja a sua perfeição,

Escapa à chicana endiabrada.»

 

O mesmo assunto é tratado

Na fábula mais grotesca

O velho, o rapaz e o burro

Que se transportam mutuamente

E alternadamente

Para escapar às criticas da multidão,

As quais não se extinguem nunca,

Tanta é a paixão

De mostrar opinião

Que move cada ser humano,

Ele próprio não isento

Da alheia ferroada ou nódoa,

Que cai sobre o melhor pano,

Ou, como diria o provérbio,

Tantas são as sentenças

Quantas as cabeças

Às vezes bem travessas,

Outras, arrevesadas,

Outras, concordantes

Outras, quando escritas,

Em desordenada alegria,

De erros ortográficos polvilhadas,

O que é moda, hoje em dia,

Que tristeza!

Peço perdão pela dureza,

Ou antes… leveza

Bem à portuguesa.

 

 Berta Brás

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