POEMA RÉGIO
(*)
És Régio.
Monarca das palavras, em jeito de Poema.
A tua vida, dizes, é um vendaval?
E a minha? O que é a minha vida, afinal?
Um teorema?
Não, não tem lógica.
Um maremoto, talvez!
Falas em onda que se alevantou?
A minha é um vagalhão!
Eu sou um histrião,
Uma farsa do teatro grego.
Dramática.
Não me percebo,
Mas sei por onde vou e para onde vou,
Cheio de incertezas, de dúvidas,
Que me assaltam e percorrem
Em silêncio profundo.
Nós, quais palhaços, fazemos rir os deuses,
As gargalhadas ecoam intemporais,
Na arena deste Mundo,
E, recebemos aplausos em gestos insonoros.
As palavras escritas têm som.
Eu ouço-lhes o tilintar…
Chocalhado, ao fim e ao cabo.
Catalogaram-nos humanos.
Os insultos penetram-nos nos poros.
Humanos…
O que é que isso quer dizer?
Nada!
Nem menos, nem mais!
Nada!
Assaltam-me íntimos foros,
Consciências múltiplas
Que coexistem em um só.
És filho de Deus e do Diabo?
O Diabo é uma criação de Deus
Para testar o Livre Arbítrio.
Que nos devolverá ao pó.
Não sabes por onde vais,
Nem para onde,
Régio Poeta?
Eu sei, pá!
Vou sair daqui,
Deste sítio.
Partir à deriva,
Mas, tal como tu,
Fim de narrativa,
Também não quero ir por aí…
Mas vou chegar lá.

