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A bem da Nação

O QUE NOS FALTA

(*) 

 

A Política Agrícola Comum não tem proporcionado a Portugal a necessária autonomia alimentar pelo que – não fazendo sentido regressar a proteccionismos caducos ou à definição de preços administrativos – se torna imprescindível conceder à Agricultura portuguesa todos os instrumentos que lhe permitam uma racional gestão empresarial, a optimização da produção e, consequentemente, perspectivar a maximização da produção em condições de concorrência.

 

Só com mercados transparentes e com preços formados logicamente poderá a Agricultura portuguesa corresponder ao que dela se deve esperar: a satisfação tão elevada quanto técnica e economicamente possível das necessidades alimentares nacionais.

 

A transparência dos mercados é ferramenta fundamental à sobrevivência da Agricultura em cenário de previsível cessação da actual política de «patrocínio».

 

A catástrofe terá todas as condições de ocorrência no dia em que cesse a actual PAC e não existam condições de transparência nos mercados agrícolas portugueses.

 

E se essa cessação já é previsível por razões financeiras europeias, ela já devia ser uma realidade nacional face aos nossos constrangimentos orçamentais.

 

É necessário que os preços se formem com a lógica do mercado e, portanto, com uma equitativa distribuição do risco entre todos os agentes económicos, ou seja, entre a oferta e a procura. Actualmente, em Portugal essa transparência não existe e o risco pesa em exclusivo sobre a oferta.

 

A formação desses preços de mercado tomará por certo em conta a ajuda directa à produção que ainda existe (pesem embora os gravíssimos problemas de financiamento dos 25% de ajuda interna) mas permitirá criar ex-ante os mecanismos de formação de preços estruturalmente correctos a que bastará no futuro introduzir as variáveis que novas PAC’s (ou a sua inexistência) definam.

 

Dito de outro modo: num cenário de crise financeira global, há que prever a hipótese muito plausível de terem que cessar as ajudas ao rendimento de que usufrui actualmente a oferta.

 

Está, portanto, na hora de introduzir todos os mecanismos de transparência de mercados e de lógica na formação dos preços.

 

Isso consegue-se com o anonimato dos agentes económicos de ambos os lados do mercado (oferta e procura) e pela atracção de uma massa crítica de intervenientes nesses mercados que permita um substancial volume de operações e o eventual aparecimento de um mercado secundário dos títulos que representam as operações sobre futuros realizadas em Bolsa.

 

As Bolsas de Mercadorias são instituições com larga experiência nos países economicamente mais evoluídos sendo os mercados de futuros o instrumento que permite a gestão racional da empresa agrícola; a grande massa de operadores económicos intervenientes nos mercados primário e secundário garante a transparência do sistema de formação dos preços.

 

Basta portanto instituir a Bolsa de Mercadorias de Portugal para que a Agricultura portuguesa dê o salto qualitativo e quantitativo de que Portugal necessita urgentemente.

 

Para além do progressivo reequilíbrio da balança alimentar e, portanto, da balança de transacções correntes e da de pagamentos, a absorção de desempregados será uma realidade imediata.

 

Por que se espera?

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=cevada&start=118&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&addh=36&tbm=isch&tbnid=o7am5OVXcZOQlM:&imgrefurl=http://www.abril.com.br/noticias/economia/russia-suspende-exportacao-graos-causa-seca-585162.shtml&docid=dO8z94aYZPukeM&imgurl=http://www.abril.com.br/imagem/cereais-russia-20100805-2.jpg&w=630&h=400&ei=ltmHT-7bM4i1hAeOtaC5CQ&zoom=1&iact=hc&vpx=506&vpy=341&dur=992&hovh=179&hovw=282&tx=156&ty=123&sig=109573699884915906692&page=8&tbnh=152&tbnw=221&ndsp=17&ved=1t:429,r:15,s:118,i:122

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