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A bem da Nação

DEFENDER A LÍNGUA PORTUGUESA EM OLIVENÇA – 6

"ALÉM GUADIANA" – TRÊS ANOS DE ACTIVIDADE

A inesperada recuperação do português
em Olivença
(resumo de acontecimentos de três anos: 2008-2011)


LANÇAMENTO DAS SEGUNDAS LUSOFONIAS NA "CASA O ALENTEJO" (12-Maio de 2011)



O “Além Guadiana" não hesitou em avançar para uma nova edição de Lusofonias, e tratou de fazer a sua divulgação na "Casa do Alentejo", em 12 de Maio de 2011.
A Imprensa portuguesa, ainda que convocada, não compareceu em grande medida, com excepção da Agência Lusa, que publicou um excelente artigo sobre este grupo de oliventinos.
 São dessa notícia as informações que se seguem.

«A associação 'Além Guadiana' apelou hoje a um maior apoio do Estado Português e das diversas instituições ligadas à cultura, para "manter acesa a chama" da língua portuguesa em Olivença.

"Falta apoio português. Não só do Estado, mas também das instituições e dos media. Os meios de comunicação social portugueses deveriam ir a Olivença ver as coisas de outro prisma", afirmou Eduardo Machado, que aproveitou para sublinhar que o 'terreno' da associação "é apenas a cultura".

"Queremos tratar as coisas com naturalidade. Respeitamos todas as posições, mas o nosso terreno é a cultura", afirmou, referindo-se às rivalidades e preconceitos ainda existentes e à necessária mudança de mentalidades, sublinhando: "O português em Olivença não é uma língua estrangeira".

O responsável falava na primeira iniciativa pública da 'Além Guadiana' em Portugal, que decorreu na Casa do Alentejo, em Lisboa, e serviu não só para fazer um balanço dos três anos de actividades desta associação sem fins lucrativos mas também para apresentar a segunda edição do festival 'Lusofonias', que decorrerá em Olivença nos dias 28 e 29 deste mês.» (Fim da citação da Lusa).

E, na verdade, o novo festival de Lusofonias, de dois dias, decorreu em 28 e 29 de Maio de 2011. 
16 de Setembro - O SEGUNDO FESTIVAL DE LUSOFONIAS (28 e 29 de Maio de 2011)

Teremos de fazer algumas considerações prévias, ainda que com o risco de cair em "repetições".

É difícil descrever o que representou, ou representa, histórica e culturalmente, este "festival" de cultura portuguesa e lusófona para, e em primeiro lugar, Olivença, para Portugal, e para o espaço lusófono.
Trata-se, recordemos, do renascer de toda uma Cultura (a portuguesa) num lugar onde, desde 1801, a mesma deixou de ser "oficial", e onde, durante cerca de duzentos anos, muito se fez para a aniquilar.
São habitantes locais, oliventinos genuínos, que, sem entrarem em considerações politicas e considerações sobre litígios de soberania, reivindicam a sua cultura tradicional e a sua pertença ao espaço lusófono. É um tanto confrangedor, para não usar expressões mais críticas que não se dê maior destaque ao que ali ocorre em consequência disso.


No dia 28 de Maio, Sábado, após uma alocução das autoridades locais (com a presença de todas as forças políticas oliventinas) numa curta cerimónia de abertura, as "Lusofonias" foram oficialmente abertas ao público. Pavilhões de instituições portuguesas e de comércio e artesanato (com destaque para a doçaria), que se estendiam por duas secções da antiga Carreira, numa amostra muito significativa da cultura portuguesa. O grupo Gigabombos, de Évora, desfilou no local, e, depois, por toda a cidade.

Seguiu-se uma leitura pública, essencialmente por oliventinos, de textos em Português. Documentários e teatro, música, corais alentejanos, bem como actuações de escolas locais (sempre na língua de Camões), seguiram-se pela noite fora.
Note-se que estavam presentes elementos culturais de vários países lusófonos, e não só de Portugal.


Uma exposição fotográfica, aliás apresentada com destaque, mereceu muita atenção, intitulada "O meu olhar sobre a Olivença Portuguesa", do oliventino Jesus Valério. Muita gente a elogiou.


À noite, houve um espectáculo público, um concerto do cantautor espanhol (e extremenho) Luís Pastor, "padrinho" do evento, que teve o cuidado de quase só usar a língua portuguesa, cantando temas portugueses, e recordando grandes cantautores portugueses (a começar por Zeca Afonso).


No dia 29 de Maio, Domingo, reabriu o espaço dos pavilhões, e actuou o Rancho folclórico de Maceira da Lixa (Porto). Seguiram-se canções e dramatizações, uma vez mais em Português e a "cargo" de alunos de escolas locais, e ainda mais música por um grupo português.
Só por volta das 24.00 se deu por encerrado o evento, um sucesso que levará, decerto, a Associação oliventina "Além Guadiana" a continuar a esforçar-se por devolver a Olivença a sua cultura e língua tradicionais, com iniciativas como esta ou outras similares, para além de um trabalho contínuo e diário nesse mesmo sentido.


A dita Associação renova o apelo para que, em Portugal, e sem preconceitos, haja uma maior divulgação das suas actividades, bem como apoios, basicamente culturais, já que os seus objectivos são deste teor, e não outros.
É infelizmente necessário repetir que nem sempre parece estar a haver uma clara compreensão destes aspectos, o que muito se lamenta.


INTEGRAÇÃO NA LUSOFONIA

Só no dia 8 de Junho de 2011 a RTP, no "Portugal em Directo", mostrou a boa reportagem que fizera em Olivença no dia 28 de Maio de 2011. Sirva de desculpa o período eleitoral que se vivia então em Portugal. Afinal, os oliventinos só querem ser ouvidos, sem discriminações.


"A língua de Camões fala-se ininterrompidamente em Olivença desde finais do século XIII". Estas são palavras do Presidente da Associação Além Guadiana, o já citado Joaquín Fuentes Becerra, "Este o mais importante legado português. Até meados do século XX, 150 anos após a mudança de nacionalidade, a língua maioritária era o Português, apesar de não ter tido qualquer apoio institucional".
Becerra acrescenta que, hoje em dia, para além de conservada pelos mais velhos, a língua portuguesa já está a ser ensinada nas escolas.


"Estamos no caminho correcto, mas faz falta uma aposta mais forte para que a língua portuguesa não se perca em Olivença. A língua é tudo". E, sem abordar aspectos políticos, Becerra reclama para a localidade a sua "INTEGRAÇÃO NA LUSOFONIA".

Parece que algo de novo, e talvez um tanto inesperado, está a surgir no espaço lusófono. Ignorá-lo, fingir que não existe, começa a ser impossível. E insuportável!

 
UMA NOITE PARA RECORDAR (Fados em Olivença, 21-JULHO-2011)

(*)
Fados na Rua dos Saboeiros
Era uma noite calma. Quinta-feira, 21 de Julho de 2011, à noite. Um palco montado a meio da rua. Rua dos Saboeiros. Calle Bravo Murillo, oficialmente.

O enquadramento do palco era belo. Um velho nicho, caiado de branco, que outrora albergou um qualquer santo ou santa. Talvez em nome de um ofício. Quiçá de uma qualquer devoção, pessoal ou colectiva. Talvez em memória de algo. Ou de coisa nenhuma. Fé, certamente. Como sabê-lo?

Meia rua, defronte do palco, cheia de cadeiras, com algumas mesas, uma ou outra reservada para as autoridades locais e
autárquicas, tudo em frente do Bar promotor do evento, o "Pub Limbo". O espectáculo, alentejanamente, recebeu o nome de "Luar na Chuné". "Chuné" alentejana, visível, com o luar a bater-lhe. E o nicho, com enfeites barrocos. Também com a Luar a bater-lhe.

Nas cadeiras, sentou-se muita gente. Esmagadoramente locais. E esperou-se. Não muito.
Toy (António) Faria, de Elvas, começou a cantar o primeiro fado. E continuou com o segundo. Depois, a voz forte de Patrícia Leal. Uma surpresa. Da Azaruja. Uma voz igual às melhores. Por fim, João Ficalho, de Borba. Cantando.... mas também, e sempre, tocando viola. Acompanhando também os outros.

Só um não cantou. João Esquetim, de Portalegre, creio. Mas... era ele que dava o som ao fado. Som que tirava da Guitarra
portuguesa.

Momentos surpreendentes. Principalmente quando um fadista, Toy (António) Faria, fez um apelo ao público para que o
acompanhasse. E ele assim fez. Uma e outra vez, entoando "Canto o Fado".

Outro momento alto: Patrícia Leal cantou "Por uma Lágrima". Dificuldade e responsabilidades acrescidas. Um primor de
execução!

Todos estiveram bem. Cantores, público, organizadores. Com destaque para a Associação local "Além Guadiana". Que teima lutando contra o silêncio, a apatia, a indiferença.
Porque a cultura lusitana está ali, e é de todos evitando interferências políticas ou questões delicadas.

Mas está presente.

Foi uma noite de fados em Olivença. Essa localidade incómoda. Mas com uma grande personalidade!


Estremoz, 26 de Julho de 2011

 Carlos Eduardo da Cruz Luna

(FIM)

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=fado%2Bem%2BOliven%C3%A7a&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=mGZnskY9HHmkkM:&imgrefurl=http://www.alemguadiana.com/portugues/galeria%2520por/espanol.html&docid=bYP1uECacBCpsM&imgurl=http://www.alemguadiana.com/fotos%252520powerpoint/AG16.jpg&w=400&h=300&ei=ar12T5PrLIGr0QWC1OGjDQ&zoom=1&iact=rc&dur=2&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=131&tbnw=175&start=0&ndsp=22&ved=1t:429,r:6,s:0&tx=80&ty=95

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