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A bem da Nação

A História e o Futuro

 

 

Não sou muito de ver o noticiário de Portugal, mas lá, de quando em vez... assisto.

Há dias vi um deplorável, pior do que deplorável por estúpido e demagogo, bate boca entre um doputedo socialista e o PM, e outro, comunista, também com o PM. (Eu estou-me... para o PM!)

O socialista agredia o governo pelo descalabro da situação econômica em Portugal, de que eles socialistas afinal foram os grandes responsáveis (!!!), enquanto o comunista, gritando e gesticulando “A la Lenin”, responsabilizava o mesmo PM pela, “eventual” morte de alguns idosos, visto se ter reduzido a assistência médica e social.

Um espetáculo de gargalhada e lágrimas.

Não vi nem unzinho dos membros daquela miserável assembleia, trazer uma sugestão, por ínfima que fosse, mas positiva, construtora.

É assim que hoje funcionam muitas dessas assembleias de ladroagem porque ajudam mais a desfazer o pouco que sobra, do que unir forças para o progresso. No Brasil é parecido. Mas todos eles ganham bem, bem demais, fazem aquela farra toda e fica tudo por isso mesmo. O deles está garantido.

Portugal está na fossa. O povo lamenta-se, chora, acusa uns e outros, e fecha os olhos e ouvidos à sua história, com tantos momentos de grandeza, e dificuldades que na altura pareciam também insuperáveis.

Portugal lutou desde o primeiro instante da sua vida, e os homens fizeram proezas e deixaram esse país para os vindouros. Deu “cartas” e “novos mundos ao mundo”!

Estou a lembrar-me também dos tripeiros. Os grandes tripeiros, meus conterrâneos, que, apesar de a história não ter a certeza se foi em 1385 ou 1415, abateram todos os animais e entregaram toda a carne à expedição que foi socorrer Lisboa ou para Ceuta. Sobraram-lhes os miudos, as tripas, que se tornou um prato típico e delicioso, gesto nobre que hoje duvido que alguém o fizesse.

Portugal teve a peste várias vezes, quando morriam aos milhares, teve o terremoto que destruiu Lisboa.

Lutaram portugueses na I Guerra Mundial, foram enganados pelos nossos “amigos” ingleses, mas aguentaram e portaram-se brilhantemente, apesar de sofrerem uma pesada derrota. (Batalha de La Lys, 9 de Abril de 1918)

Por fim lutaram numa estúpida guerra colonial, mas lá estava o mesmo sangue a ser generosa e inutilmente vertido pela Pátria. Portugal abandonou a luta que nunca devia ter começado, e a partir desse momento, para agradar ao bloco soviético, aos ineptos e demagogos, tentou destruir a sua história feita de herois, nas guerras e no quotidiano do ganha pão, e se não o conseguiu por completo, deixou-a esfacelada.

Mas todos estes mortos fazem parte, profunda e venerável, da história de um país.

E os portugueses perdidos, divididos, a seguir endividados, hoje lamentam-se sem saber que rumo tomar.

E renasce, uma vez mais a figura de Salazar. Pode ter tido muito defeitos. Que atire a primeira pedra... Mas nesse tempo o profundo ensino da história deixava os jovens com o espírito fortalecido, esperançoso. Mesmo que alguns episódios estejam baseados em lendas, como em todos os países, o jovem português tinha orgulho da sua nacionalidade. Hoje... ainda tem?

Não resisto a transcrever um texto do livro “Homens, Espadas e Tomates” de Rainer Daenhardt (que devia ser obrigatório nas escolas portuguesas), com o relato do feito de um português na Índia:

 

NÃO TENDO BALA, ARRANCOU UM DEN­TE,

CARREGOU O MOSQUETE E DISPAROU

É por vezes nos relatos de estrangeiros, que há muitos séculos se debruçaram sobre a nossa história, que encontramos pormenores inte­ressantes.

Narra-nos um padre holandês, Philippus Baldaeus, que acompa­nhou as armadas seiscentistas dos Países Baixos nas suas conquistas das praças portuguesas do Índico, uma história curiosa que, entretanto, também já consegui descobrir num relato português.

Durante o primeiro cerco de Diu, encontrou-se um soldado portu­guês como único sobrevivente num dos baluartes que os turcos estavam a atacar, em ondas sucessivas. Tendo já gasto todas as balas (esferas de chumbo), mas possuindo ainda suficiente pólvora para mais um tiro, e na aflição de nada mais ter com que carregar a sua espingarda, resolveu arrancar um dos seus dentes! Carregou com ele a arma e disparou-a con­tra o adversário surpreso, que já o considerava sem munições!

Trata-se de um pequeno pormenor numa grande batalha, que facil­mente entra no esquecimento. O holandês, porém, adversário nosso um século depois, narra este facto com profundo respeito por um digno ri­val! As diferentes edições da sua obra (em holandês, alemão e inglês), não condizem em todos os pontos, notando-se cortes feitos pelos edi­tores seiscentistas. Todas as edições, porém, mencionam o episódio, o que nos mostra que todos acharam suficientemente interessante para ser transmitido aos seus leitores, o que muito honra este soldado português.

 

(Philippus Baldaeus: "A Description of ye East India Coasts of Malabar and Coromandel", chap. X, pág. 533 na edição inglesa (página 54 na edição alemã);

Pedro de Maríz: "Diálogos de Varia Historia", tomo II, diálogo quinto, pág. 18).

 

Eram desta cepa os que enfrentavam situações desesperadas e delas sairam com a cabeça levantada.

Quem se lembra da Padeira de Aljubarrota? De Duarte de Almeida? De Afonso de Albuquerque? Do Zé do Telhado?
Vêm a propósito as palavras que Shakespeare pôs na boca de Henri V ao falar aos seus soldado no começo da batalha de Azincourt:

“Somos poucos, poucos estamos felizes, somos um grupo de irmãos; aquele que hoje derrama seu sangue comigo, será meu irmão; ele nunca será vilão, será de nobre a sua condição neste dia; e os “gente fina” na Inglaterra, ainda a dormir, devem-se considerar malditos por não terem estado aqui.”

Faz-nos falta Camões, também. Há que honrar a história, os antepassados e seguir em frente.

Mas vai ser preciso arrancar alguns dentes para Portugal sair da deplorável situação em que se encontra.

Não só aos pequenos, mas sobretudo aos grandes! SEM EXCEÇÕES !!!

Quem vai ter “tomates” para o fazer?

 

 Francisco Gomes de Amorim

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