ARGENTINA – 2
DESAMPARADOS
Muitos dos que chagavam à Argentina desembarcavam em Buenos Aires. Porquê? E por que não?
Uma vez desembarcados, era-lhes facultado alojamento gratuito durante cinco dias no final dos quais se viam na rua. Nesse “longo” período era suposto arranjarem trabalho e instalarem-se na vida. Está-se mesmo a ver, não está?

Hotel de Inmigrantes es un complejo de edificios construidos entre 1906 y 1911, en el puerto de Buenos Aires , Argentina , para recibir y ayudar a los miles de inmigrantes que, en ese momento, donde su llegada a la Argentina desde muchas partes del mundo. El hotel dejó de funcionar en 1953, fue declarado Monumento Nacional en 1995 y hoy en día alberga el Museo Nacional de Migración.
in «Hijos y nietos de portuguese que viven en Tierra del Fuego» Facebook
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Eis como fizeram história as casas de lata que muitos erguiam com os materiais que arrebanhavam sabe-se lá onde e como... Mais: houve-os até que ergueram “mansões”, os convencillos, onde recebiam outros recém-chegados a quem hospedavam em regime de cama fria ou quente, assim pudesse o hóspede pagar mais ou menos mordomias. Cama fria, a daquele “ricaço” que se podia dar ao luxo de ter uma cama só para si; cama quente, a daquele, mais comum, que só se deitava quando o anterior cliente se levantava e lha deixava quente... Mas esses eram os afortunados que dormiam deitados pois havia também os hóspedes do encosto pelo direito de se sentarem no chão encostados à parede. E tudo isso numa misturada de espanhol, italiano, croata... E quanto aos equipamentos comuns, nem sempre a cozinha era muito longe da latrina.
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E como conseguiam estes recém-chegados ganhar para a bucha? A estiva era realmente a solução mais óbvia numa cidade portuária de
primeira grandeza, porta aberta para o mundo não só como entrada principal de quem procurava o país mas também via da exportação dos cereais e da carne que deram à Argentina a fama internacional (e o proveito) de grande alimentadora, the big feeder.
Muitos homens em vias de instalação na terra de adopção, à espera de condições para poderem chamar as famílias que ficavam lá longe, no outro lado do mar. Dá para imaginar o ambiente de solidão alagado de saudade, tristeza e álcool em ambientes que os mais castos diriam de perdição. E as primeiras notas de desamparo foram soando pelos dedos de quem levara uma concertina. Só que não foram apenas os homens que se adaptaram às novas paragens: a concertina cresceu e transformou-se nesse fantástico bandaneon que marca a nostalgia do seu tango.
El Caminito, Buenos Aires (arquivo particular)
O desamparo de quem descobre que o «el dorado» custa a conquistar, que muito se padece até se começar a controlar a nova vida.
Dá, finalmente, para compreender como num país de sonho nasceu uma canção de desespero: é que foram esses, os desamparados, que
começaram a dedilhar e hoje cantam flamenco, fado e tango.
(continua)
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