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A bem da Nação

UMA HISTÓRIA DO COLÉGIO MILITAR

A entrada de Carlos Oliveira de Chaby, para o Colégio Militar, em 1940, representou para ele um enorme desafio colocado logo no início da sua adolescência. Seu pai, Carlos Cruz de Chaby, tinha sido Comandante do Batalhão em 1915-16 e obtivera todas as medalhas de aproveitamento nos estudos  e  uma de ouro, em educação física.

 

Foi assim o primeiro colegial a cumprir as exigências do Regulamento da Medalha de Ouro de Procedimento Exemplar, instituída em 1908, pelo Rei D. Manuel II, para galardoar os bons alunos, bem comportados e aplicados nas actividades gimnodesportivas.  

 

Mens sana in corpore sano.

 

Carlos filho propunha-se repetir a notável proeza de seu pai, embora partindo em desvantagem, por ter entrado para o terceiro ano. O 49 - número que lhe atribuíram,  - não se permitiu a si próprio um minuto de descanso. Aplicação total,  tanto nos estudos como nos desportos. Se, no campo dos estudos, a meta, em mérito absoluto, (média de 16) era para ele facilmente alcançável, já no desporto, o mérito era relativo. Teria que ser ou o melhor nos anos sem exame ou um dos dois melhores nos anos de exame. Por outras palavras, teria que superar a espantosa e nunca antes vista qualidade ginástica do 120,  Gabriel Dores e a aptidão atlética do 44, Pedro Vieira da Fonseca (campeão interescolar do salto à vara e futuro futebolista [e depois médico] do SL Benfica), do 17, Ricardo Ferreira Durão, (futuro recordista nacional de 110 metros barreiras), do seu rival 283, Carlos Santos André (futuro campeão nacional da mesma modalidade), do 339, António Jonet (que, juntamente com Ricardo, representaria Portugal nos Jogos Olímpicos de Helsínquia, 1952, modalidade do Pentatlo Moderno)  e do 106, José Ramires Ramos (veloz alentejano, campeão interescolar de 60 metros e do salto em comprimento), para não falar de outros de não menor valimento. No hipismo, teria que se bater com o 43, Fernando Cunha, um ribatejano que "tinha nascido em cima do cavalo" e, na esgrima, com o 325, Fadié Santos, filho e discípulo de um Mestre da modalidade.

 

Enfim, era um naipe de se lhe tirar o chapéu  e que valeu ao seu curso a fama do mais atlético de sempre  (ou seja, até aí).

 

Carlos  de Chaby conseguiu a medalha de prata no 6º ano (então, ano de exame). Fê-lo pela via do ecletismo. Mercê de muito trabalho  foi adquirindo qualidade em todos os campos. No hipismo, ganhou a Prova de Discípulos do Concurso Internacional de Lisboa, em 1944; no voleibol, era o melhor;  na ginástica, tornou-se membro da classe especial; no atletismo, participou nos Interescolares e, no futebol, fez parte da equipe da sua turma. Também se revelou bom esgrimista. Nas provas finais para a medalha marcou pontos em todas as especialidades e o apuramento deu-lhe o segundo lugar, atrás de Vieira da Fonseca.

Foi assim o terceiro colegial a receber o prémio instituído pela Casa Real, nos primeiros 37 anos da sua vigência. O segundo tinha sido Rui Molarinho Carmo, o 95 de1927, que terminara o curso em 1934, seguiu a Marinha e terminou a sua carreira no posto de   Contra-Almirante, Comandante Naval do Continente. Granjeou ali a reputação de "homem tranquilo que não se metia em política."

 

+++

 

Carlos de Chaby saiu fortalecido do exercício. Tornou-se auto confiante (aliás, virtude corrente entre ex-alunos), disciplinado e disciplinador, organizado e organizador e assim se comportaria na sua vida adulta. O estilo de executivo extremamente exigente daqui resultante não o tornou popular em Portugal, sobretudo depois do 25 de Abril, mas viria a merecer-lhe respeito e alto apreço nos meios financeiros belgas, condição que lhe permitiu desempenhar, no último quartel da sua vida, papel de relevo no estabelecimento de um elo europeu no sistema bancário português.

 

Luís Soares de Oliveira

 

 

Batalhão dos alunos  do Colégio Militar à saída da Igreja de

São Domingos, no 3 de Março (dia da Fundação) de 1945.

Estão visíveis, Chaby, Comandante do Batalhão, Gabriel Dores, Ajudante do Batalhão, e Vieira da Fonseca, Comandante da 3ª Companhia. 

 




 

 

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