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A bem da Nação

A CRISE PORTUGUESA ACTUAL

 

 

Esta crise não é mais de que a continuação da perpétua crise em que Portugal sempre viveu, agravada, nos tempos actuais em que vivemos,  por ideias erradas e negativas, baseadas em destrutivos slogans de conveniência política e que não passam de falsas verdades. Falsas verdades em que o nosso Povo, principalmente o pouco culto, sempre acreditou.

 

O mais falso de todos estes slogans é o que está sendo permanentemente apregoado aos quatro ventos, intoxicando o raciocínio das grandes massas e está sendo aproveitado pelos políticos para grande obtenção de votos e não só! 

 

O slogan diz: - Todos nascem com direitos!

 

Porém, a verdade é outra! Todos nascem com deveres; os direitos conquistam-se!

 

Quando se enraíza a ideia de que todos nascem com direitos, imediatamente se pensa, na sua lógica mais simplista, que tudo tem que lhe ser dado. Aí, estamos a falsear todas as regras em que na realidade se baseia qualquer sociedade, tanto humana como em
qualquer sociedade animal da natureza.

 

Sim, porque nós, como animais que somos,  acrescento racionais para não melindrar muita gente, obedecemos às leis da nossa própria natureza e uma delas, a que mais prevalece, é o sentido de posse. E nós temos que saber fazer uso dela como qualquer animal faz quando marcou o seu território e a seguir o defende  E defende-o somente porque conquistou o direito de o ocupar.

 

Mas a ambição também não tem limites, principalmente quando as pessoas que ocupam o Poder não têm capacidade nem inteligência para o exercer ou não são sérias. Tudo isto é mais complicado e insolúvel, quando se é confrontado com situações de verdades virtuais cronicamente herdadas de passados longínquos, mesmo para pessoas dotadas de capacidade e inteligência invulgares. Perante esta situação,  é vulgar viver-se de expedientes de momento,  perante a inexistência da verdade pura e absoluta.

 

E a solução mais fácil e rápida é fazer BLUFF.  Começa-se por mentir, a dizer meias verdades cheias de sofisma, para mais tarde se justificar e vive-se então durante algum tempo na ilusão de tempos melhores.

 

Mas, com estes métodos, esses tempos nunca poderão chegar!

  

Este é um dos problemas que arrasta uma continuidade de outros.  

 

Na minha óptica o problema  da crise já existia muito antes de  Eça de Queiroz o ter escalpelizado.

 

Portugal, por ser pequeno e sermos poucos, quase sempre viveu assim para poder sobreviver. Mas sempre com uma grande ambição de todo o seu povo sonhando com grandes projectos. Isto é, olhando para coisas longínquas e descuidando o essencial que está ao pé da porta.

 

Essa sua característica foi, ao longo dos séculos,  bem aproveitada por outros povos que tinham os meios e espaço necessários para a realização dos seus projectos e que os enriqueceram, servindo-se da nossa indispensável colaboração e iniciativa.

 

Concretizando, para não me alongar mais nesta divagação,  escolho um exemplo bastante evidente e que constituiu o maior feito da nossa história!

 

Porque razões fomos escolhidos, entre tantos outros, para realizar um projecto cujo êxito nos trouxe o indiscutível período áureo das 
navegações?

 

Começo por esclarecer que o projecto das nossas navegações não foi financiado pelos Reis de Portugal.

 

Portugal não tinha dinheiro para tamanho projecto!

 

Um conjunto de circunstâncias, às quais os Papas, movidos por interesses da Igreja, não foram alheios como mediadores, ditaram a razão por que entrámos, antes de Espanha, na corrida das descobertas dos caminhos marítimos,  com o fim de tornar mais fácil e seguro o transporte para a Europa dos produtos orientais, substituindo a velha rota da seda, as rotas do deserto e outras, onde se perdiam cerca de 90% desses produtos.

 

O transporte destas mercadorias até Veneza, principal porto de entrada na Europa,  era muito difícil devido à pirataria que enxameava a navegação mediterrânica e a solução era encontrar a forma de contornar Africa para um transporte seguro e directo do Oriente para a
Europa.

 

Como a Espanha só em 1492, após a conquista do Reino de Granada, ficou em condições de entrar na corrida das navegações, a solução éramos nós, depois de falhadas tentativas de armadas mediterrânicas enfrentarem o Atlântico.

 

Foi assim que entramos neste grande projecto, que se iniciou com as Cruzadas.

 

Este projecto era no seu princípio financiado por banqueiros das cidades do norte da Alemanha e por outros sedeados em Veneza e mais tarde na Flandres, com cujo dinheiro o Infante D. Henrique, baseado em Lagos, soube gerir com muita eficiência a Escola de Sagres.

 

 

(*)

Para ser mais preciso, devo ainda informar quem não sabe, que a segunda viagem de Vasco da Gama à Índia, via Cabo da Boa Esperança em 1502 e a de Fernão de Magalhães à volta do mundo ao serviço de Espanha, foram financiadas inteiramente pela família Afaitatis, uma das mais ricas da Europa e principais credores de Carlos V de Espanha, de Eduardo VI de Inglaterra e até mesmo do próprio rei de França.

 

Esta família de banqueiros, oriundos de Cremona, veio viver para Portugal para a que é hoje a Quinta dos Loridos (actual propriedade do Sr. Joe Berardo) para acompanhar de perto todo o projecto das nossas descobertas e gerir os seus negócios.

 

Mas como é que tudo evoluiu?

 

Com a descoberta do caminho marítimo para  a Índia por Vasco da Gama em 1492, as actividades comerciais de Veneza, (que esta detinha há mais de 200 anos), transferiram-se para Lisboa, transformando o seu porto no maior entreposto comercial europeu por ser a plataforma ideal para a distribuição das mercadorias orientais para toda a Europa.

 

Portugal, aberto ao livre comércio, foi então durante cerca de 10 anos o País mais rico da Europa.

 

Mas, perante tanta riqueza, o Rei D. Manuel, pensando ser o dono de tanta riqueza, mandou cobrar impostos  (a dízima) sobre essas mercadorias e, como consequência, as armadas começaram a ir directamente para a Flandres, primeiro para Bruges e depois para os restantes portos dessa região, principalmente para os que são hoje os portos de Antuérpia, Roterdão e Amesterdão.

 

Entretanto o banqueiro Afaitatis morreu, não se soube mais da viúva e seu filho o cabeça de Família, Juan Carlos,  foi viver para o
Castelo de Selsaeten,  nos arredores de Antuérpia.

 

Com esta alteração e a expulsão dos judeus de Portugal, (condição expressa pelos reis católicos Fernando e Isabel para que D. Manuel pudesse casar - pela terceira vez - com a Infanta D. Isabel),  os banqueiros, quase todos judeus, deixaram também  Portugal, tal como já tinham deixado Espanha.

 

Com eles foi também para a Flandres um grupo de famílias de banqueiros portugueses que foi considerado o grupo mais poderoso de todos, entre os quais se destacavam os Ximenes, os Teixeira de Sampaio e os Duarte, mas o mais importante de todos foi o Barão Rodrigues Ximenes, de Évora, conhecido como The Little King. (Ainda hoje existe uma placa comemorativa na Rua Meir em Antuérpia no local onde existiu o seu estabelecimento.)

 

Por esta razão Portugal passou de rico a pobre e ficou na miséria.

 

15 de Setembro de 2009

 

João Augusto Graça

Comandante Sénior de Linha Aérea (B 747)

Reformado TAP

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/2/21/Caminho_maritimo_para_a_India.png/300px-Caminho_maritimo_para_a_India.png&imgrefurl=http://pt.wikipedia.org/wiki/Rota_do_Cabo&h=214&w=300&sz=45&tbnid=87Sv1-fATi30jM:&tbnh=87&tbnw=122&prev=/search%3Fq%3Drota%2Bdo%2Bcabo%26tbm%3Disch%26tbo%3Du&zoom=1&q=rota+do+cabo&docid=Xeo1KkTQbcZA1M&hl=pt-PT&sa=X&ei=KlcbT_LrDInE8gPVl6HPCw&sqi=2&ved=0CCwQ9QEwAQ&dur=6546

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