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A bem da Nação

JUDEUS NA ÍNDIA

 

 

Existem histórias de que mercadores judeus na época medieval atravessaram a Índia, mas não existem histórias dos mesmos fincando raízes no local. As evidências mais concretas do começo da vida judaica na Índia são do século XI, quando os primeiros residentes se instalaram na costa ocidental.

A Índia tem a história de três grandes grupos de judeus dentro do seu país: os Bene Israel, os Cochim e os Judeus Brancos da Europa. Cada grupo praticava importantes elementos do judaísmo e tinha activas sinagogas. Os sefarditas predominavam entre os Judeus indianos.

Os Bene Israel viviam principalmente em Bombaim, Calcutá, Delhi e Ahmedabad e a sua língua nativa era o Marathi. Eles alegavam ser descendentes dos judeus que escaparam da perseguição na Galileia. Eles assemelham-se ao povo não-judeu Maratha em aparência e costumes, o que indica casamentos mistos. Estes também mantinham costumes básicos do Judaísmo como circuncisão, a kashrut e respeitavam o Shabat. Os Bene Israel alegam ser descendentes dos Cohanim, o que foi corroborado por um teste genético de 2002 que indicou que eles tinham a mesma hereditariedade que os cohanim. Desde 1964, essa comunidade é plenamente reconhecida como judia e pode fazer aliá.

Os judeus Cochim (tem esse nome por se instalarem na região de Cochim, sul da Índia) foram, no começo, chamados de “Judeus Pretos” e falavam uma língua chamada Malayalam.

 

Os Judeus Brancos vieram depois dos Cochim e eram originários do ocidente europeu como Holanda e Espanha. No século XVII e XVIII a região de Cochim teve um grande afluxo de judeus vindos do norte da África, Médio Oriente e Espanha. Podemos também citar uma notável comunidade que se formou de judeus portugueses e espanhóis, que foi a de Goa (Estado da Índia Portuguesa), mas esta comunidade acabou por desaparecer com o passar do tempo.

Os judeus de Cochim dizem que eles vieram para Cranganore (costa sudeste da Índia) após a destruição do Segundo Templo, em 70 d.C. Eles tiveram, de facto, o seu próprio principado por muitos séculos, até que uma disputa pela chefia eclodiu entre dois irmãos, no século XV. A disputa fez com que príncipes vizinhos destituíssem o principado judaico. Em 1524, os mouros, apoiados pelo governante de Calicute (atual Kozhikode), atacaram os judeus de Cranganore sob o pretexto de que eles estavam a interferir no comércio de pimenta. A maioria dos judeus fugiu para Cochim e ficou sob a protecção do Rajá hindu do local. Ele concedeu-lhes um local próprio que acabou por adquirir o nome de “Cidade Judia”, pelo qual ainda é hoje conhecido.

Infelizmente para os judeus de Cochim, os Portugueses ocuparam a região neste mesmo período e favoreceram as perseguições até os holandeses mudarem essa ordem, em 1660. Os holandeses eram protestantes e tolerantes com os judeus, que prosperaram. Em 1795, Cochim passou para a influência Britânica. No século XIX, os judeus de Cochim viviam nas cidades de Cochim, Ernakulam e Parur. Ao longo do tempo, muitos judeus acabaram por migrar (principalmente para Israel) e poucos restaram.

As migrações do século XVII e XVIII acabaram por criar grandes e importantes comunidades na Pérsia, Afeganistão, Characim (Índia Central), no norte da Índia e na Caxemira. No final do século XVIII, Bombaim tornou-se na maior comunidade judaica da Índia, sendo a maioria formada por Bene Israel e judeus do Médio Oriente.

Perto do fim do século XVIII, mais um grupo de judeus aparece na Índia. São os judeus do Médio Oriente que chegaram à Índia através do comércio. Criaram uma forte e grande rede comercial que chegava até Hong Kong, Singapura e Kobe (no Japão). Ficaram conhecidos como Judeus de Bagdad, mas vinham da Síria, do Iémen, Irão, Iraque e Afeganistão e estabeleceram-se em Bombaim. Inicialmente, falavam judeo-arábico em casa, mas à medida que o domínio britânico se estabelecia, adoptaram a língua inglesa.

Sob a legislação britânica os judeus atingiram o seu máximo de população na Índia e seu máximo de riqueza. Chegaram a ser cerca de 5 mil na comunidade de Calcutá durante a II Guerra Mundial, quando alguns refugiados chegaram.

Após a II Guerra Mundial, o forte nacionalismo indiano fez os judeus de Calcutá sentirem-se desconfortáveis, devido ao facto de os nacionalistas indianos os identificarem com os ingleses. A partir de 1940 a comunidade judaica na Índia diminuiu drasticamente devido a imigrações para Israel, Inglaterra e Estados Unidos.

Em Março de 2005 o Rabino-Chefe Sefaradi de Israel Shlomo Amar decidiu reconhecer os membros da comunidade indiana dos Bnei Menashe como descendentes dos antigos israelitas. Esta comunidade consiste em perto de 7 mil membros da tribo Kuki-Chin-Mizo que vive no nordeste da Índia junto da fronteira de Myanmar. Durante várias gerações mantiveram as tradições judaicas, clamando ser descendentes da tribo de Menashe, uma das 10 tribos israelitas perdidas que foram exiladas pelos assírios no século VIII a. C. e desde então desaparecidas. No começo do século XX os membros da comunidade converteram-se ao Cristianismo, mas há cerca de 30 anos começaram a voltar ao judaísmo e separaram-se do restante da comunidade. Posteriormente, o Governo da Índia, pressionado pelos cristãos evangélicos das tribos Kuki e Mizo, expressou a preocupação com o plano de converter os Bnei Menashe e levá-los para Israel. Então o esforço foi suspenso em Novembro de 2005. Mesmo assim, ainda há aliót destes judeus. Os hindus criticaram a decisão do Governo, acusando-o de nada fazer contra o proselitismo cristão e de não ouvir as suas reclamações. Desde os anos 80, cerca de 1700 judeus Bnei Menashe já fizeram aliá.

Além disso, ainda há as tribos dos Bene Ephraim e dos Bene Israel. Os Bene Ephraim têm uma história similar aos Bnei Menashe: foram convertidos a cristãos baptistas e a partir de 1981 algumas famílias voltaram a praticar o judaísmo, tendo reaprendido as tradições com material trazido de Israel. Não têm muita ligação com o Talmud, nem com as influências rabínicas, focando-se mais na Torá e nos imperativos éticos dos Profetas. A comunidade identifica-se com o episódio do Êxodo e com a promessa de liberdade, pois são muito pobres, vivendo em cabanas de barro e trabalhando como agricultores. São “intocáveis” da sociedade, uma espécie de párias e são ameaçados pelos donos das terras que cultivam por não trabalharem ao Sábado. Não são reconhecidos completamente como judeus por Israel, apesar de alguns rabinos terem visitado a comunidade na tentativa de a ajudar.

Actualmente resta um número desconhecido de judeus na Índia.

 

Porto Alegre, Brasil

 

Chazit Hanoar

 

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