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A bem da Nação

«A ALEMANHA NA E COM A EUROPA» – 8

 

Discurso de Helmut Schmidt,
ex-chanceler, no Congresso ordinário do SPD

Berlim, 4 de Dezembro de 2011

 

Meus amigos

 

Terminemos, queridos amigos! No fundo, não é preciso pregar solidariedade internacional aos sociais-democratas. A social-democracia é desde há século e meio internacionalista – em muito maior medida do que gerações de liberais, de conservadores ou de nacionalistas alemães. Nós, sociais-democratas, não abdicámos da liberdade e da dignidade de cada ser humano. Simultaneamente não abdicámos da democracia representativa, da democracia parlamentar. Estes princípios obrigam-nos hoje à solidariedade europeia.

 

Decerto que a Europa, também no século XXI, será constituída por Estados nacionais, cada um com a sua língua e a sua própria história. Por isso a Europa não se tornará de certeza num Estado Federal. Mas a UE também não pode degenerar numa mera aliança de Estados. A UE tem de se manter uma aliança dinâmica, em evolução. Não há em toda a história da humanidade nenhum exemplo. Nós, social-democratas, temos de contribuir para a evolução passo a passo desta aliança.

 

Quanto mais envelhecemos, mais pensamos em períodos longos. Também enquanto homem velho me mantenho fiel aos três princípios do Programa de Godesberg: liberdade, justiça, solidariedade. Penso, a propósito, que hoje a justiça exige antes de mais igualdade de oportunidades para as crianças, para estudantes e jovens.

 

Quando olho para trás, para 1945, ou para 1933 – tinha acabado de fazer 14 anos – o progresso que fizemos até hoje parece-me quase inacreditável. O progresso que os europeus alcançaram desde o Plano Marshall, 1948, desde o Plano Schuman, 1950, graças a Lech Walesa e ao Solidarnosz, graças a Vaclav Havel e à Charta 77, que agradecemos àqueles alemães em Leipzig e Berlim Oriental desde a grande mudança em 1989/91.

 

Não podíamos imaginar nem em 1918, nem em 1933, nem em 1945 que hoje uma grande parte da Europa se regozijaria pelos Direitos Humanos e pela paz. Por isso mesmo trabalhemos e lutemos para que a UE, historicamente única, saia firme e auto-confiante da sua presente fraqueza.

FIM

© SPD 2011

 

Caro Henrique

Segue um comentário meu ao texto de H.Schmidt:

 

Helmut Schmitd é notável personagem alemã que muito enriqueceu a segunda metade do século XX europeu. Excelente a sua doutrina sobre o Euro que aqui expõe mas infelizmente a actual Chanceler, Angela Merkel, lê por outra cartilha e deixa-se levar pelo imediatismo que se apossou dos espíritos contemporâneos. Os alemães nascidos no pós-guerra só sabem que, com o Euro, a vida ficou sensivelmente mais cara. A única coisa que os mantém agarrados ao Euro é o medo do desconhecido. Ninguém sabe o que poderia acontecer caso acabasse o Euro. Não tem a coragem e a capacidade de comando de Vasco da Gama que levou os seus homens a ultrapassar o medo do desconhecido, o mais inibidor dos medos humanos.
Aliás, o Português de hoje ainda tem algo desse génio. Quando há crise, emigra. Parte alegremente para o desconhecido.

A culpa desta não-identificação da presente geração europeia com o Euro será em grande parte dos que desenharam as notas e as moedas. Deram-nos a coisa mais inócua e insípida de que há memória. Se tivessem feito alegorias às virtudes que Schmitd menciona: - a perpetuação da paz na Europa, a promoção universal dos valores humanos etc. – talvez os jovens de hoje tivessem respeito pelo projecto da moeda comum. Assim, como está, só nos lembra o seu custo. Nada mais

 

Luís Soares de Oliveira

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