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A bem da Nação

MAÇONARIA DE TRAZER POR CASA

 (*)
 

- Eu não me interessa que usem avental

- Isso é lá com eles! Que sejam ridículos à vontade deles. Isto não sou eu que digo, tenho lido.

- E ouvido! - Acudi eu muito depressa, a mostrar que também estou a par do assunto, actualmente na berra. Mas a minha amiga não me deu ouvidos, fez questão de continuar a ser ela a contar:

- Isso do avental não faz diferença a ninguém. O pior é o resto. Está-se a descobrir que o resto é escandaloso. Ou os metem na política ou os levam para os mações. É tudo secreto, com o avental imprescindível. Afinal, fazem parte da família, gente muito rica que manda nos outros. Os ricos querem assim, faz-se assim.

 

Achei o monólogo da minha amiga também algo eivado de secretismo, não sei se por simpatia com o que sempre acompanhou os mistérios ligados à maçonaria, mas fui respondendo que antigamente a maçonaria tinha a ver com os bons sentimentos, com o respeito
pelas virtudes e pela igualdade e fraternidade entre os homens, como o rei Artur, aliás, também já tinha tentado estabelecer, embora só entre os seus pares da mesa redonda, por não haver mações na altura, que têm a ver com os construtores das catedrais medievais, segundo leio na Internet, embora os secretismos sibilinos, ligados às práticas místicas do ocultismo sejam velhos como o mundo.

 

Parece que a maçonaria actual está mais ligada ao capital, ao contrário da maçonaria anterior, mais ligada ao espiritual, ao intelectual, e a prova é que Garrett também lhe pertenceu com todo o seu coração de liberal progressista, no final da vida não resistindo, contudo, a fazer-se intitular visconde, o que sempre consistiu, para mim, uma mancha à sua aura de escritor modernista que sempre admirei.

 

O poder do ouro ou das honras exerce indiscutivelmente uma atracção fabulosa sobre os homens, os mais imunes, e é por isso que acontecem essas coisas obscuras, feitas pela calada, nessas sociedades do avental, mas também de colar e luvas, que até têm Lojas, o que as torna sensíveis ao comércio e aos lucros.

 

A sociedade cruel quer que os mações declarem as suas ligações secretas por conta da transparência, mas tudo isso não passa de faits divers sem consequência.

 

Lembro o “Clube dos Poetas Mortos”, em que os alunos do professor amigo da liberdade humana mandava destruir os livros de aprendizagem seguidos pelo sistema educativo do colégio - (o que sempre achei uma acção pedante e idiota, por muita aura que desse ao professor destruidor, junto dos alunos naturalmente receptivos à rebeldia “genial”) - para que os alunos adquirissem a sua autonomia de pensamento, e os alunos até formaram o seu grupo secreto, com rituais e leituras secretas. A sociedade repressora do colégio e não só, sacrificou o professor liberal e um dos alunos, que se suicidou, devido à incompreensão familiar.

 

Não vamos nós agora condenar os nossos mações, só porque têm rituais de que não dão conta a ninguém. A verdade é que se sabe que eles trepam na vida por conta desses jeitos piedosos dos seus rituais secretos e isso é importante. A vida está complicada na questão do
emprego, e pelo menos esses podem safar-se. Que os aventais deles até são bonitinhos.

 

 Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=clube+dos+poetas+mortos&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=vKoP4ZhzjfynxM:&imgrefurl=http://estudantepagameia.wordpress.com/2011/02/17/sociedade-dos-poetas-mortos/&docid=M70Wfalzzc9AfM&imgurl=http://estudantepagameia.files.wordpress.com/2011/02/sociedade-dos-poetas-mortos.jpg&w=720&h=384&ei=kvANT6zHEcbsOZCZ4NoO&zoom=1&iact=hc&vpx=676&vpy=213&dur=108&hovh=164&hovw=308&tx=181&ty=95&sig=108364103958560163334&page=1&tbnh=117&tbnw=219&start=0&ndsp=15&ved=1t:429,r:4,s:0

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