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A bem da Nação

FUNDAÇÃO DO HOSPITAL MILITAR DE S. JOÃO DE DEUS, EM MOÇAMBIQUE - 2

 

D. Francisco da Gama, 4º Conde da Vidigueira

Vice-rei da Índia de 1597 a 1600 e de 1622 a 1628

 

Em 1625 andava o Conde da Vidigueira, Vice-Rei da Índia, em negociações com o Provincial da Companhia de Jesus, a respeito de um novo Hospital que desejava abrir em Moçambique. D. Francisco da Gama propunha-se fornecer as roupas necessárias e «pagar pontualmente as ordinárias de mil cruzados da despesa do dito hospital». O Monarca aprovou sem restrições as diligências do Conde-Almirante, recomendando-lhe «particular cuidado de saber como nisso se procede».


Os Jesuítas, porém, segundo o Vice-Rei comunicava ao Soberano em 1627, não queriam aceitar o encargo, sem o hospital estar pronto a funcionar. E até essa data, o dinheiro não aparecia, apesar de todos os esforços envidados pelo Conde. Um dia destinou para esse fim determinada quantia de uma condenação feita em Moçambique. Mas a verba era insuficiente e ninguém sabia o modo de a granjear em outra parte. A 15 de Março de 1628 o Monarca informava o novo Vice-Rei D. Francisco de Mascarenhas, Duque de Vila Viçosa e Conde de Ficalho, acerca dos esforços levados a efeito pelo seu antecessor e recomendava-lhe «que de qualquer dinheiro que aja em Moçambique se faça a obra do hospital com todo o cuidado possivel». A administração seria entregue aos religiosos da Companhia de Jesus, como já antes ficara determinado.


Foi D. Miguel de Noronha, Conde de Linhares, «Conde sobrinho Viso Rey da Índia amigo», quem levou a efeito a tão almejada obra do hospital, passando provisão a favor dos Jesuítas, em fins de 1629. A 19 de Dezembro enviava ele ao Rei, cópia da provisão, que o Soberano aprovou por carta datada de Madrid, a 27 de Março de 1631.


Pelo menos em 1676 já lhes não competia a administração do hospital de Moçambique. O Vice-Rei opinava então que morriam muitos doentes e que andavam mal aplicados os mil cruzados despendidos pela Fazenda. Propunha a entrega do hospital aos Religiosos de São João de Deus, «porque só elles sabem ter cuidado dos enfermos e tratar da saúde delles». Em Lisboa, porém, mais de um ano depois, pensava-se que a administração do hospital se devia entregar «aos Padres da Companhia do Colégio de Mossambique», «como fazem no hospital de Goa, a que assistem com caridade e cuidado».


Os Jesuítas aceitaram de novo a incumbência, mas a breve trecho deram provas de a não terem tomado de boa vontade. Quando o Vedor-Geral, Manuel Ferreira, se apresentou como enviado da Corte para tomar contas das despesas e receitas, o Reitor do Colégio resolveu desistir da administração do hospital. Desde então, o Príncipe decidiu seguir o conselho de Luís de Mendonça Furtado de Albuquerque, e dirigiu-se aos Irmãos de São João de Deus.


A leva dos Hospitalários deve ter começado a preparar-se em 1680, visto que o decreto que manda fundar o hospital de Moçambique foi assinado por D. Pedro II, a 26 de Fevereiro de 1681. Realmente, de data anterior, existe um documento do Príncipe D. Pedro, dirigido ao Vice-Rei D. Pedro de Almeida, que se deve relacionar com a leva de 1681 que ficou em Moçambique.


Começa D. Pedro por acentuar a necessidade indicada pelo Vedor-Geral, de fundar um hospital «nessa Praça», «em que se curem não só os soldados da fortaleza e moradores, mas todos os soldados que ahy aportarem, assim das nãos de arribada como de viagem».


O Hospital que havia, destinava-se, portanto, somente aos soldados permanentes e aos moradores da terra. Com o incidente já apontado de os jesuítas terem desistido da sua administração quando o Vedor lhes transmitiu a ordem real da fiscalização das contas, mais se agravara a situação dos doentes.

 

(continua)

António Alberto de Andrade

Edição de 1958

A BIBLIOTECA DO MACUA

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