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A bem da Nação

ANO NOVO, NOVOS TEMPOS

 

 

Foto: arquivo particular

 

Num mundo tão competitivo, na disputa pela vitória, seja no desporto ou na vida, o homem lança mão de tudo que tem, desde o seu conhecimento até as ultimas novidades tecnológicas e científicas. No fito do "ouro", faz buscas, exercícios à exaustão, consome drogas, permitidas ou não, que na maioria das vezes lhe corroem a saúde, lhe consomem o brio e até a vida. Será que vale a pena? Será que o lema do ressuscitador das Olimpíadas, o barão de Coubertin, de que o importante é competir, é válido para se ser feliz?

 

No vai e vem das civilizações o ponto comum são as constantes transformações. E a cada mudança o homem, seu provocador e utente, procura corresponder às exigências da sociedade a que pertence. Como ferramentas de inserção usa a tradição, a história, o conhecimento que a educação traz. Mas num mundo, como o actual, sem fronteiras culturais, com informação em tempo real, está cada vez mais difícil manter ou criar um modelo específico educacional capaz de, ao mesmo tempo, respeitar a individualidade cultural e capacitar o cidadão para um espaço globalizado. Cada vez está mais difícil manter regras morais que afinem com os conceitos pessoais, que não agridam os princípios históricos e culturais dos povos em geral.

Aqueles que nos sucederão estão praticamente dependentes das máquinas e da comunicação virtual. Vivem em constante stress para se manterem actualizados.

Estar "antenado", ciente do que acontece no mundo e na mídia, é a geral prioridade. Quem não está por dentro do que acontece nos quatro cantos da Terra é desprezado, ignorado, é um zero à esquerda no grupo de relacionamentos.

 

Desde que Guttemberg descobriu a imprensa no século XV, até os tempos actuais, com a Internet do séc. XX, o homem deu um passo gigantesco na comunicação e aproximação humanas.

São tantas as notícias e novidades que o cérebro não é capaz de processar tudo o que recebe e de reter tanto saber. Todos esses conhecimentos se reflectem no nosso quotidiano, interferem nos nossos relacionamentos, influenciam nossas avaliações e valores. Tudo isso nos deixa stressados, fadigados e se tentarmos absorvê-los caímos na estafa, na doença, ou então, periódica e preventivamente,
nos alienamos de tantas noticias, para proteger a saúde de nossas mentes.

 

Achar o meio-termo é um desafio. Só mudando a conduta, criando uma certa autonomia capaz de responder equilibradamente às solicitações da sociedade presente, alcançaremos qualidade de vida, objectivo daqueles que nos precederam e de nós mesmos. Talvez o
bem-estar da humanidade esteja, hoje, no evitar confrontos, comparações, cobranças desproporcionais e descabidas, no estimulo ao respeito cultural dos povos, à volta do ritmo educacional do contador de histórias, mesmo que seja virtual, quando a criança tinha tempo para brincar, assimilar e experimentar as suas descobertas, exercitar a sua criatividade, aprender e vivenciar as coisas verdadeiramente importantes. Utopia? Quem sabe? Se, como humanidade, já auferimos tantos conhecimentos científicos, quem sabe agora também cresçamos na espiritualidade, na capacidade de realmente sermos entes completos, mais felizes!

 

As perspectivas e objectivos desta nova geração para este incipiente milénio deveriam ser repensados. O éthos, o comportamento social mais saudável e harmónico, a postura equilibrada entre a tecnologia e os recursos da natureza, a busca de ideais e de ideias, deveriam ser prioridades voltadas para a sustentabilidade e sobrevivência da Terra. Quem sabe desta vez a sabedoria adquirida ao longo dos séculos supere a ganância, o egoísmo e a mediocridade humana neste novo ano que se inicia? Talvez assim tenhamos uma chance de
habitar este planeta, de termos um lar, de existir, por mais uns tempos!

 

 Maria Eduarda Fagundes

 

Uberaba, 31 de Dezembro de 2011

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