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A bem da Nação

TERÃO OS FRANCESES SIDO EXPULSOS DE PORTUGAL, EM 1811? - 3

 

 

Com os militares ingleses a mandarem na Metrópole, o General Gomes freire de Andrade, afrancesado, segundo no comando da Legião Portuguesa que tinha combatido ao lado das águias de Napoleão e Grão-Mestre da Maçonaria, intentou um golpe de Estado, em 1817, a fim de depor Beresford e obrigar a Corte a regressar. Tal representa a 1ª intervenção dos militares na Política, em Portugal.

    

No mesmo ano houve uma revolta “republicana”em Pernambuco. Ambas as revoltas falharam e os seus principais responsáveis foram enforcados. Os de Lisboa foram-no num local que veio a tomar o nome de “Campo dos Mártires da Pátria”. Gomes Freire foi também enforcado (em S. Julião da Barra), como um simples ladrão, sem terem a decência de lhe darem o direito ao fuzilamento.

      

Infâmias estas, que se pagam caro pelos anos fora e que a inauguração do respectivo busto, em 18/10/2003, na rua com o seu nome, em Lisboa, provavelmente saldará. Cerimónia a que o Exército, distraidamente, emprestou um pelotão de cadetes.

   

A 30 de Março de 1818, D. João VI, publicou um Alvará em que proibia as sociedades secretas (visando a Maçonaria), a quem se atribuía a origem das duas revoltas referidas. O Monarca foi, ainda, surpreendido com a existência de uma loja maçónica na própria Corte, no Rio de Janeiro, que mandou extinguir de imediato, alegando “que conspiravam contra o seu governo”. O que não deixava de ser verdade…

    
Porém, a próxima conspiração teve êxito. Aproveitando a ausência de Beresford, que tinha ido visitar a Corte ao Rio de Janeiro, uma loja da mesma agremiação, de seu nome “O Sinédrio” – por sinal o nome do tribunal que tinha condenado Cristo à morte – revoltou tropas e civis no Porto, em 1820. O protagonista do grupo era o jurista Fernandes Tomás, que morreu pobre e goza, até hoje, fama de pessoa íntegra.

    
Foi a vitória do “Liberalismo”, que veio a ser consubstanciada na Constituição de 1822, documento que passou a ser visto como a “salvação da Pátria”!...

    
Desta vez o Rei foi mesmo obrigado a regressar, o que fez em 1821.

   

vimos que a Maçonaria também actuava no Brasil e com a saída de D. João VI, passou a influenciar o primogénito que lá tinha ficado como Regente, o Infante D. Pedro. Este Príncipe veio a revelar-se valente no campo de batalha; voluntarioso e impulsivo, mas pouco dado ao estudo e muito mais à estroinice e às mulheres (veio a ter 18 filhos de oito mulheres diferentes). Algo mais apreciado naqueles tempos no que nos de hoje….

   

O cérebro por detrás da Independência brasileira, José Bonifácio de Andrade e Sousa, atraiu-o para a organização dos “Pedreiros-Livres” e iniciou-o, em 2 de Agosto de 1822, na loja Comércio e Arte. O neófito adoptou o nome de “irmão Guatinozin – o último imperador dos Aztecas.

   

A inaptidão das Cortes e do Governo em Lisboa, fizeram o resto: o próximo e fugaz imperador do Brasil começou por dizer o célebre “Fico!” e, a seguir, deu o “Grito do Ipiranga”. O mundo português de então desmoronava-se.

    
Para além das razões ideológicas interessava à França e à Inglaterra a manutenção do regime liberal, por razões económicas. Assim o fizeram sentir e, por várias vezes, a “Santa Aliança” – uma espécie de “Troika” da altura – não se coibiu de tal nos recordar.

    

A Revolução Vintista é, sobretudo, uma revolução da burguesia. Ora os burgueses são bons a intrigar, mas maus a combater. Depois dividiram-se, originando um século de guerras civis constantes e cruentas, que só terminaram – e não completamente – em 1933.

   
Esta coisa de nos dividirmos em facções e não termos apenas a facção portuguesa, só tem dado maus resultados…

   
Muito resumidamente foi assim:

     A ala afrancesada veio a confluir em Manuel Inácio Martins Pamplona Corte Real, 1º Conde de Subserra (Angra, 1760 - Elvas, 16/10/1832), grande militar e político, também ele maçom ilustre e cuja vida dava um filme e, seguramente, várias “conferências”; e na ala inglesada veio a pontificar D. Pedro de Sousa Holstein (Turim, 8/5/1781 – Lisboa, 12/10/1850), 1º Duque do Faial e 1º Duque de Palmela, herói das guerras liberais e diplomata (igualmente digno de figurar na 7ª Arte e em múltiplas palestras). Este cidadão tendo-se distinguido em vida, quis também distinguir-se na morte, estando sepultado no cemitério dos Prazeres, num mausoléu particular (que é o maior da Europa!), e cujo espaço exterior recria a simbólica de um templo maçónico.

 

Parece que depois de mortos já não se importam que nós saibamos quem foram.

    
Do anterior já tinha havido António de Araújo e Azevedo, 1º Conde da Barca, pelos franceses e D. Rodrigo de Sousa Coutinho, 1º Conde de Linhares, pelos ingleses.

   
Estes homens deixaram, por assim dizer, dinastias de simpatizantes e descendentes, que se foram alternando no Poder até à Segunda República.

    
Compreenderão que em tão curta missiva, não possa dilucidar todo esse período.

 

18/11/2011

 

   João José Brandão Ferreira

                TCorPilAv. (Ref.)

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