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A bem da Nação

TERÃO OS FRANCESES SIDO EXPULSOS DE PORTUGAL, EM 1811? - 2

 (*)

Comecemos pelo princípio:

   

PORQUE NÃO FORAM EXPULSOS?

 

Todos os homens dos 15 aos 60 anos se armem; cidades, vilas e povoações. Que se fortifiquem; quem o não fizer Incorre em pena de morte e as vilas que franquearem as suas portas serão arrasadas

(Real Decreto de 11/12/1808, incitando os portugueses a resistiram aos franceses)

                                                                                  
                       

À memória de Jacinto Correia, fuzilado a 25/11/1808

Se todos os portugueses fossem como eu, não restaria um só invasor…”

(placa existente no jardim fronteiro à Porta d’Armas da
Escola Prática de Infantaria, em Mafra)

  

 

A historiografia oficial portuguesa ensina-nos que existem três invasões das tropas napoleónicas: a 1ª comandada por Junot, em 1807; a 2ª, em 1809 e que teve à cabeça Soult e a 3ª, em 1810 – a maior de todas – comandada por um marechal de França, que gozava da fama de nunca ter perdido uma batalha: Massena (é claro que mais uns anos na União Europeia e estas invasões serão promovidas a “encontros de culturas”, se é que me faço entender….).

   

Olvida-se, por norma, a 4ª invasão, em 3 de Abril de 1812, talvez por só ter durado 20 dias. E esquece-se uma outra, que deveria ser considerada como a primeira invasão, que foi a Guerra da Laranjas, em 1801. Isto porque os espanhóis invadiram-nos em concertação política com os franceses, o que se prolongou até o Junot ter ficado a “ver navios no alto de Santa Catarina”.

   

E esquece-se, outrossim, de relacionar tudo o que se passou com a participação da esquadra portuguesa, ao lado de Nelson, entre 1798 e 1800, o que enfureceu Napoleão ao ponto de ditar para a História que “lá virá o tempo em que a Nação Portuguesa chorará lágrimas de sangue pela ofensa que agora faz à República Francesa”. Disse e cumpriu.

   

Na infeliz e mal conduzida “Guerra das Laranjas” perdemos a muito portuguesa vila de Olivença, cujo capitão se rendeu, lamentavelmente, sem disparar um tiro. Digo lamentavelmente, pois nenhuma força militar, seja em que circunstância for, se deve render sem disparar um tiro sob pena de não servir para nada!

   

Até hoje ainda não recuperámos a nossa Olivença: está cativa de estranhos, onde os franceses, primeiro foram coniventes e, depois, lavaram daí as mãos. Como, aliás, têm feito a maioria dos governos portugueses desde então.

   

Esta é a primeira razão que nos leva a dizer que os franceses ainda não foram expulsos.

    

Porém, a razão principal porque assim o afirmamos tem a ver com o facto de os Gauleses terem saído fisicamente do nosso território – com muito do que pilharam – mas deixaram cá as suas ideias. As ideias de Revolução Francesa e a célebre trilogia da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” (que, na sua essência, é uma grande mentira).

    

Ora tudo isto representava uma ideologia, baseada em doutrinas veiculadas pelos “Iluministas” e “Racionalistas” do século XVIII. Numa palavra, eram-nos estranhas.

    

A principal organização que veio a defender e veicular este ideário foi a Maçonaria cujo ramo especulativo viu a luz do dia (pelo que é tido oficialmente), em 1717, em Inglaterra, com a formação da grande loja de Londres, após o célebre encontro na “Apple Tree Tavern”, em Covent Garden.

   

Por isso não é de estranhar que uma delegação da Maçonaria Portuguesa (que já existia desde 1734), fosse esperar Junot, a Sacavém, para o receber como…. “libertador”.

   

Com a saída do Exército francês, as lojas maçónicas multiplicaram-se e não só por via das ideias afrancesadas, mas também por via de inspiração inglesa. E se os militares franceses saíram, os militares ingleses ficaram e continuaram a mandar no Exército Português.

   

Com a Corte no Rio de Janeiro havia um vazio de poder em Lisboa. Esse vazio foi ocupado por Beresford.

   

A Corte tinha feito uma retirada estratégica para o Brasil, que só não foi brilhante pela precipitação final do embarque; a autorização para que todo o filho d’algo a acompanhasse; não se ter dado ordem ao Exército para oferecer resistência, nem que fosse simbólica, e por não se ter acautelado melhor a abertura dos portos brasileiros ao governo inglês. Esta retirada ainda hoje é tida por muitos historiadores e políticos encartados, como uma “fuga”, o que representa um erro de análise profundo.

    

Mas erro, também, foi o facto do Rei estando no “bom bom” brasileiro, nunca mais se dispor a regressar a Lisboa, mesmo depois do perigo napoleónico ter definitivamente desaparecido, após a batalha de Waterloo, em 1815.

   

Aqui começaram os problemas políticos e político-militares, que têm desgraçado a Nação dos portugueses, até hoje.

 

18/11/2011

  

         João José Brandão Ferreira           
                             TCorPilAv. (Ref.)

 

(*) http://www.google.pt/imgres?q=estandarte%2Bnapole%C3%B3nico&um=1&hl=pt-PT&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=ie-7dP9MwNUMAM:&imgrefurl=http://batalhasnapoleonicas.blogspot.com/2010_08_01_archive.html&docid=1BPu7R-AyAHsfM&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_MI6URygJ6fA/THOt-ZoYHaI/AAAAAAAAAtw/6T9nNV2zKOo/s1600/SDC10219.JPG&w=1600&h=1200&ei=D6PxTtCAN4ab8gOsu5G5AQ&zoom=1&iact=hc&vpx=725&vpy=308&dur=2430&hovh=194&hovw=259&tx=145&ty=110&sig=108364103958560163334&page=2&tbnh=166&tbnw=225&start=22&ndsp=12&ved=1t:429,r:3,s:22

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