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A bem da Nação

HISTÓRIA DE PORTUGAL MUITO RESUMIDA

 

D. Teresa, primeira rainha «de facto» de Portugal

 

Portugal começou com um Conde vindo do norte da Europa para ajudar a realizar a reconquista da península, que casou com uma filha do rei de Leão e tomou conta do Condado Portucalense tendo nascido deste casamento D. Afonso Henriques, que mais tarde decidiu desenvolver o Condado para ser país independente, pelo que teve que se revoltar contra os partidários da dependência, naturalmente ligados a sua Mãe.

D. Afonso Henriques, primeiro rei «de jure» de Portugal

 

Conseguiu a independência em 1140 e rapidamente expandiu a fronteira numa linha de perto de Barca de Alva até Lisboa criando assim Portugal e depois alargando o território até abaixo do Tejo.


Quase um século depois o rei D. Afonso III, que antes vivia em Boulogne, e por isso foi cognominado “O Bolonhês”, veio ocupar o trono tendo reorganizado o estado e iniciado a intensificação das ligações com o norte da Europa o que permitiu seu filho D. Dinis, que entretanto tinha recebido de seu avô D. Afonso X, rei de Leão e Castela, como presente o Algarve, continuar a organizar o país e iniciar o desenvolvimento da nossa marinha.


Cerca de 1380 a situação política complicou-se, pois o rei D. Fernando morreu, deixando uma filha casada com o rei de Castela, e o país dividido entre os partidários deste, que era a maior parte da nobreza, e os partidários de D. João, Mestre de Avis e irmão bastardo do rei, que era apoiado principalmente pela burguesia de Lisboa e Porto, onde havia elevada percentagem de judeus sefarditas, e tinha excelentes relações com a Inglaterra.


D. João I, o salvador duma desgraça nacional

 

Assim foi o Mestre de Aviz o rei D. João I, que com estes apoios e a escolha de Nuno Álvares Pereira para chefiar o Exército Português conseguiu derrotar o rei castelhano, garantir a independência do país e dar origem à dinastia de Avis, e como o desenvolvimento só se podia realizar para sul e poente, isto é, pelo mar, a estratégia então decidida foi a expansão marítima.

 

D. João II, «el hombre» como lhe chamava Isabel, a católica

 

Não com reuniões e congressos, mas com navios e portanto com marinheiros e demais profissionais náuticos começando com Ceuta, depois ao longo da costa de África e pelo meio do Oceano Atlântico, Portugal foi alargando o seu território e o conhecimento das correntes e dos ventos que lhe permitiu nos finais do século XV, sob o comando de D. João II conhecer todo o oceano do norte e do sul e a passagem para o Oceano Indico pelo Cabo da Boa esperança.

Depois, empurrou os castelhanos para a América central (com Colombo e o Tratado de Tordesilhas) deixando o caminho aberto para Vasco da Gama chegar à Índia em 1498, com naus e não só com caravelas, e em 1500 Álvares Cabral tomar posse do Brasil.

Portugueses no Japão (biombo namban)

 

Nas décadas seguintes foi estabelecido o Império do Oriente ligando Portugal até ao Japão, tendo inclusive chegado à Austrália, e tendo a Marinha mais poderosa dessa época.

Fomos na verdade então um país central, portanto não periférico como agora, a ponta de lança da expansão europeia e um dos factores essenciais do renascimento europeu.

Mas entretanto, após a morte de D. João II, a parte da nobreza que havia sido enfraquecida durante a guerra com Castela em 1386, aumentou o seu poder e conseguiu destruir a influência da burguesia, através da perseguição e da expulsão dos judeus, e assim instaurar uma cultura de desprezo ao mérito em favor do compadrio e do negócio imediato, que havia de perdurar e influenciar toda a vida nacional até aos tempos presentes.

Como consequência disto a gestão do reino foi-se deteriorando e o rei D. Sebastião fechou este ciclo com o desastre de Alcácer Quibir a que se seguiu um período de 60 anos com reis espanhóis.

D. João IV, o restaurador da soberania portuguesa

 

Recuperada a independência com a ajuda da Inglaterra e da França retomámos a exploração do Império mas cometendo erros de gestão que não nos permitiram participar no desenvolvimento europeu, gastando mais em consumo que em investimentos produtivos e desprezando a educação da população, inclusive da própria elite dominante altamente ignorante.

Tudo isto agravado pelo terramoto de 1755 e pelas invasões francesas no início do século XIX que devastaram o país, ao que somou a perda do Brasil que se tornou independente já que a alternativa seria a capital do império passar para o Rio de Janeiro.

 

O século XIX acabou mal com os erros na gestão colonial que culminaram com o episódio do ultimatum da Inglaterra, seguiu-se o assassinato do rei D. Carlos e pouco depois a queda da monarquia em 1910.

D. Manuel II, último rei de Portugal

 

A República mudou a forma de acesso ao poder mas não a cultura, mantendo-se assim todos os esquemas de má gestão iniciados no século XVI, o que explica as ocorrências revolucionárias, as dificuldades económicas e sociais que devastaram o país e originaram o baixíssimo grau de instrução da maior parte da população.

Manuel de Arriaga, primeiro Presidente da República

 

Desta situação resultou o estabelecimento duma ditadura que durou quase 50 anos mas, embora não corrigindo todos os erros de gestão anteriores, os compensou com disciplina forçada e que permitiu evitar os desastres ocorridos na I guerra mundial e a participação na II, chegando nos anos 60 a atingir uma situação económica razoável.

 

 

Mas principalmente os erros cometidos na gestão das colónias, somados à inadaptação às mudanças provocadas pela evolução mundial conduziram primeiro às guerras coloniais e depois à revolução de Abril de 1974.

 

Golpe de Estado comunista disfarçado de cravos

 

Aliás também depois desta revolução, mais perdida pelo poder vigente que ganha pelos revolucionários (como tinha acontecido em 1910), Portugal continuou a manter a tal cultura pouco eficiente que nos atormentava desde há muito tempo, agravada pela convicção de muitos portugueses de que viver gastando mais do que o que produz é um direito adquirido nada devendo ser feito para corrigir esta loucura, e atingiu os resultados que estão bem à vista na necessidade de termos uma “troika” estrangeira para nos emprestar dinheiro, pois não temos meios sequer para pagar o que comemos, tudo isto com muitos protestos mas sem propostas alternativas.

Troika tutelar de Portugal em defesa contra a desgovernança

 

Moral da história: não é a primeira vez que passamos por dificuldades deste tipo e a forma mais eficaz de corrigir este rumo à bancarrota e à fatal miséria daí resultante é alterarmos a cultura vigente, usando os meios que hoje existem e antes não existiam, sem incluir greves de carácter partidário, para pressionar os poderes instalados a adoptarem os procedimentos e as atitudes da cultura do valor do mérito, do investimento correcto, da predominância do essencial sobre o acessório, da Justiça e da Democracia, da responsabilização sistemática de tudo e de todos, enfim de tudo o que permitirá uma gestão eficiente e assim, todos, e não apenas alguns, viverem bem e de forma sustentada.

Lisboa, 24 de Outubro de 2011

 

 José Carlos Gonçalves Viana

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