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A bem da Nação

OS OBJECTIVOS DA COBIÇA ESTRANGEIRA

 

Afinal... O que pretendiam os holandeses?

 

Nas expressivas páginas do seu Maurício de Nassau, Américo Mendes de Oliveira Castro, cotado historiador brasileiro, explicando-nos o espírito neerlandês, diz-nos, seguindo os raciocínios de Barleu: Somos moderados onde o inimigo é rico; inofensivos onde é pobre; vitoriosos onde é belígero.

 

E esclarece, transcrevendo uma passagem da obra citada de Barleu, panegirista do príncipe João Maurício de Nassau: Portanto, não reputamos injusto obtermos o ouro mediante guerras legítimas, nem espantoso buscá-lo pelos mares em fora, nem vergonhoso ganhá-lo comerciando, nem desagradável tomá-lo ao inimigo.

 

 (*)

 João Maurício de Nassau-Siegen, em holandês Johan Maurits van Nassau-Siegen e em alemão Johann Moritz von Nassau-Siegen, (Dillenburg, 17 de Junho de 1604 — Cleves, 20 de Dezembro de 1679)

 

O holandês, saiba-se já, demandava apenas o açúcar! Transpunha os oceanos, aportando ao Brasil e a S. Tomé, em prol dum produto que a Europa avidamente reclamava! Almejava desalojar-nos, pois, dos núcleos de irradiação onde nos fixáramos. Surpreende o desiderato?

 

E adita Américo Mendes de Oliveira Castro no seu trabalho: Estas considerações evidenciam que o móbil dos holandeses ao lançarem os seus olhos vesgos de cobiça, não mais para o Oriente pagão, mas para as terras onde abundava o açúcar, era apenas, exclusiva e confessadamente, fazerem um bom negócio sob a forma ainda inédita entre povos cristãos... todos os que compunham o grupo de desabusados salteadores, reunidos sob o rótulo da Companhia das Índias Ocidentais, desde o mais opulento mercador de Amesterdão até o mais humilde dos empregados eram unicamente aguilhoados pela ideia de enriquecer rapidamente: saque e pilhagem, para os que arriscavam a vida nas lutas; o açúcar transformado em ouro sonante para os dirigentes de Amesterdão e para os accionistas.

 

Em 1706, voltaram os franceses. Norteava-os o apetite que instigava os súbditos batavos da Casa de Orange. Uma esquadra de muitos navios desembarcou gente de combate no Príncipe. Os incêndios lavraram em quase todos os edifícios. A fortaleza, de robusta construção, foi investida e rendeu-se. As naus e urcas surtas no porto experimentaram a crua sorte dum inesperado afundamento. Acossados os invasores, por desencadeada uma campanha de guerrilhas chefiada pelo heróico capitão-mor Manuel de Sousa Costa, o qual se ocultara nas florestas, breve os intrusos bateram em retirada. Mas retornaram em 1709, desembarcando em S. Tomé. Assolaram a cidade e partiram, porém, só depois de atulhados os cofres de bordo com 20 000 cruzados, alcançados por violentíssima extorsão.

 

Descortinamos facilmente, pelo quadro exposto, qual, e em que agruras se debateu, a movimentada vida e actividade de S. Tomé. Atenta a necessidade de ser utilizada a ilha como apoio aos descobrimentos a efectuar mais a sul, despontou o ensejo de rapidamente crescer em bens de raiz e multiplicar-se em serviços. Averiguadamente S. Tomé, pela sua importância e posição geográfica, dobrou o nível delineado de dinâmico gerador de iniciativas. Todas as feitorias disseminadas pelo Golfo da Guiné, nos territórios do Gabão, Costa do Ouro, Togo, Daomé, Nigéria e Camarão, se não abrolharam, na maioria mantiveram-se, sem uma excepção só, da sua operosidade infatigável. Reflectiu-se, de modo imperativo, a sua acção na penetração até do Continente. Fozes de estuários, parcelas longínquas no interior virgem, foram exploradas e tornaram-se conhecidas, assente uma obstinação inteligente e acrisolada. Distende-se o senhorio da ilha, expansão e monopólio comercial, da fortaleza de Axem, a oeste do Cabo das Três-Pombas, à embocadura do Zaire. O padre Fernão Guerreiro – como exemplo – testemunhando a efervescência dum burgo surgido bastante a sul do Cabo Verga, escreveu: Aí, um Bento Correia da Silva, natural da Ilha de S. Tomé, com um irmão seu e outros parentes e amigos, fez uma povoação, a qual foi crescendo de modo que haverá nela quinhentos portugueses, e entre brancos e pretos 3000 pessoas.

 

MODO DE SER DOS PORTUGUESES E O SEU SENSO SOCIAL E DE ACOLHIMENTO HUMANO

 

Não é lícito furtar-nos agora a destacar o meio social de S. Tomé. Entrevê-se, pela Carta Régia, de Janeiro de 1515, subscrita por D. Manuel I, qual fosse o objectivo dela e as formalidades futuras. O Venturoso ordenou, sem exclusões de nenhuma espécie, que todas as escravas unidas e vivendo com os primeiros brancos, ficassem desde aquela data livres. Considerava também livres os descendentes e precisou que nunca estes poderiam ser citados ou procurados como cativos do rei ou de qualquer. Tal mercê, por nova Carta Régia, de 1517, abrangia então todos os serviçais varões, aceites pelos primeiros moradores da ilha como seus escravos.

 

Não se pressuponha agora que S. Tomé constituísse, de qualquer maneira, para exclusivo uso dos metropolitanos, um feudo. A exemplo das ilhas, no Arquipélago de Cabo Verde, os estrangeiros exerciam o comércio e prosperavam no âmbito de múltiplas funções. Avultavam, sobretudo, os genoveses, castelhanos e franceses. No Loango consentíamos até uma feitoria neerlandesa, a par da nossa. Outras, mais tarde, por toda a parte, inglesas e holandesas se estabeleceram.

 

Ajuíze-se, pois, que ao propormos falar da Angola não podemos deixar, como se vê, de mencionar a pérola do Atlântico, que tão relevante papel desempenhou nos destinos desta província.

 

Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2011

 

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=Maur%C3%ADcio%2Bde%2BNassau&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=qwx2-mepSnLxLM:&imgrefurl=http://www.hirondino.com/historia-de-portugal/mauricio-de-nassau/&docid=XqtvaUUTzlC7gM&w=249&h=320&ei=9KeVTo-4EoOVswb-sZzBBQ&zoom=1&iact=hc&vpx=207&vpy=126&dur=2826&hovh=255&hovw=198&tx=108&ty=131&page=1&tbnh=152&tbnw=114&start=0&ndsp=24&ved=1t:429,r:1,s:0

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