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A bem da Nação

TURISMO QUE O ALGARVE TEM E O QUE DEVIA TER

 (*)

Aparecem com frequência artigos e documentos promocionais focando o turismo no Algarve mas todos eles continuando a enaltecer o título “Sol e Praia” e a falar em estudos para aumentar e eficiência que se sabe está longe do ideal.

 

Com efeito as maiores deficiências do turismo algarvio são: a elevada taxa de sazonalidade, o baixo coeficiente de efeito exportador, a necessidade de promover o produto actual dando-lhe características mais apelativas para o tipo de turista desejável, i.e., o de 4 ou 5 estrelas, e não gastar verbas avultadas em eventos que pouco ou nada influem a afluência do cliente do sol e praia.

 

Na verdade o turismo algarvio nasceu nos finais do século XIX quando os ingleses ricos vinham de navio para Lagos passar os meses frios em Inglaterra e que no Algarve gozavam o prazer das condições magníficas desta terra.

 

Depois, durante muitos anos o Algarve ficou esquecido até porque os transportes entre ele e o Centro e o Norte do país eram péssimos: as estradas e os caminhos de ferro consumiam horas sem fim para se chegar a qualquer lado. Ainda há poucos anos a CP inaugurou uma linha renovada entre Lisboa e Faro com uma velocidade próxima dos comboios ingleses no século XIX.

 

Quando as estradas melhoraram nasceu o sol e praia: um mês e meio por ano e mais uns dias na Páscoa o Algarve encheu-se de visitantes muitos deles gastando muito pouco e provocando o crescimento desordenado de imobiliário de baixa qualidade urbanística e originando enorme taxa de sazonalidade.

 

Entretanto foram surgindo campos de golfe e instalações hoteleiras e habitacionais de elevada qualidade que têm contribuído positivamente para subir o nível de receitas turísticas e descer a taxa de sazonalidade mas ainda de forma insuficiente, mas como o número de campos de golfe é limitado pela necessidade de se utilizarem a cem por cento todos os terrenos agrícolas com maior
capacidade produtiva, deverão desenvolver-se outras atividades capazes de atrair os clientes alvo já atrás apontados.

 

O efeito exportador obtêm-se incorporando o máximo de contribuição nacional, com ênfase especial para os produtos alimentares e com a propriedade dos equipamentos que só se justifica ser estrangeira quando isto implica a sua influência na angariação de clientes.

 

Além de várias actividades já iniciadas como o turismo rural, o artesanato, a arte local, etc que são fundamentais mas não suficientes, há uma que já deveria ter sido desenvolvida em todo o Algarve mas que ainda não passou do Barlavento e mesmo assim sem estar aí completa: trata-se da náutica de recreio cujo desenvolvimento trará a solução para a taxa de sazonalidade e da maior parte dos desempregados aqui existentes.

 

Aliás há projetos previstos para o Sotavento Algarvio que só não se realizam porque tanto as Autarquias locais como os serviços do Estado envolvidos ( Turismo, Ambiente, Portos, etc) e as entidades regionais como a RTA entretêm-se a encomendar estudos (o ano passado conheci um, agora parece haver outro) enquanto alguns milhares de desempregados já poderiam ter deixado de o ser se fossem
tomadas as decisões necessárias.

 

Já mudámos de Governo mas se não mudarmos de Cultura, nada feito.

 

Lisboa, 17 de Agosto de 2011

 

 José Carlos Gonçalves Viana

 

Publicado no DN em 22 de Agosto de 2011

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=n%C3%A1utica%2Bde%2Brecreio&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1093&bih=538&tbm=isch&tbnid=-1624IEBNJL5LM:&imgrefurl=http://www.nea2.eu/pt/130/26/&docid=vfjkQoRe84ovbM&w=525&h=350&ei=CxxWTv3rLYGa8QP1tpW3DA&zoom=1&iact=hc&vpx=501&vpy=224&dur=2634&hovh=183&hovw=275&tx=145&ty=99&page=1&tbnh=123&tbnw=173&start=0&ndsp=15&ved=1t:429,r:7,s:0

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