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A bem da Nação

UM EXEMPLO TURCO

 (*)

         

Creio que a primeira vez que ouvi falar dos Turcos, foi por alturas do estudo da Idade Média na História Universal, lá pelo meu 4º ano do Liceu, já que no 3º nos debruçáramos sobre as Antiguidades Oriental e Clássica, antecedidas da Pré-História, que nos punha a decorar antas, cacos, machados de pedra e outros artefactos museológicos para reverenciarmos.

 

Foi a respeito das cruzadas que, suponho, se falou em turcos seljúcidas, nome arrevesado que guardei na memória religiosamente. Parece que os turcos eram façanhudos e um dia mesmo, tomaram Constantinopla, cidade fundada por Constantino, o liberalizador do cristianismo no Império Romano, transformando-a em Istambul, ela que já fora também Bizâncio, à mercê dos conquistadores, muitos séculos antes de Cristo. Aprendi que, com a tomada de Constantinopla, em 1453, se punha fim, não só à Média Idade, iniciando-se a Idade Moderna, como também ao Império Romano do Oriente, o que aceitei desportivamente, como dado adquirido, conquanto vexatório para a nobre casta romana, na altura já muito baralhada por conta das hordas invasoras miscigenatórias, marco diferenciador todavia, mais tarde contestado com o feito de Colombo a marcar o começo da nova Idade, por alturas de 1492, feito mais considerável do que o dos turcos, tanto mais que viria a render bons lucros ao nosso ficcionista do suspense, José Rodrigues dos Santos com o seu ”Codex 632”. Pelo menos a piscadela de olho com que termina o relato televisivo das notícias diárias prova que é um homem das Américas e do suspense.

 

Mas a força turca só em Eça a topei verdadeiramente, na discussão no jantar no Hotel Central (Cap. VI d’Os Maias”), a propósito duma tirada de Ega sobre a cobardia portuguesa, que Dâmaso acabara de demonstrar ao afirmar que, se as coisas se pusessem feias em Portugal, em caso de invasão espanhola, ele pirava-se para Paris criteriosamente:

Ega triunfou, pulou de gosto na cadeira. Eis ali, no lábio sintético de Dâmaso, o grito espontâneo e genuíno do brio português! Raspar-se, pirar-se!...(…)

“- Meninos, ao primeiro soldado espanhol que apareça à fronteira, o país em massa foge como uma lebre! Vai ser uma debandada única na história!

Houve uma indignação, Alencar gritou:

- Abaixo o traidor!

Cohen interveio, declarou que o soldado português era valente, à maneira dos Turcos – sem disciplina mas teso. O próprio Carlos disse, muito sério:

- Não senhor… Ninguém há-de fugir, e há-de se morrer bem.”

 

Eça, como fora à inauguração do canal do Suez, provavelmente passeara-se por locais da Turquia e passara mesmo pela Anatólia donde terá descido ao Egipto, daí a referência do Cohen provinda da experiência queirosiana a respeito da valentia turca, para paralelo nacionalista desvanecedor, mau grado a carismática falta de disciplina, que mantemos briosamente.

 

Os meus conhecimentos mais recentes reportam-se a uma empregada que tive, Valentina de registo, moldava de nacionalidade, que muito sofreu porque uma das filhas se enamorou de um turco por cá, o que veio enriquecer a minha cultura sobre a idiossincrasia dos Otomanos, que a Valentina muito detestava, talvez por diferença de religião ou de estruturação económica inferiorizante do seu próprio país, que a levou a procurar o nosso, na altura ainda com posses para o domínio das generosidades e o preenchimento das vagas do nosso desleixo nacional.

 

Mas uma colega, viajante anual do mundo civilizado, trouxe-me em tempos um livro de história e arte – “Turquie - berceau de la civilisation” – que, com as belas imagens e os textos, deu para acompanhar melhor os passeios do Dr. Salles da Fonseca, que nos vai enriquecendo com os descritivos das suas viagens pela Anatólia, com as observações de confronto nacional.

 

 Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?imgurl=https://1.bp.blogspot.com/_xR79vMpCSfM/RjS4snFCuaI/AAAAAAAAAHY/yWcu8AUxQoA/s400/Turcos.jpg&imgrefurl=http://marthell.blogspot.com/&usg=__BrElT59FXr7mWesWMCgr5HPUQfk=&h=390&w=300&sz=35&hl=pt-PT&start=0&zoom=1&tbnid=w00ScSsOe7iAiM:&tbnh=136&tbnw=104&ei=xiLkTbHVFI6ChQesqu3qBw&prev=/search%3Fq%3Dturcos%26um%3D1%26hl%3Dpt-PT%26sa%3DG%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbm%3Disch&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=93&page=1&ndsp=21&ved=1t:429,r:5,s:0&tx=49&ty=64

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