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A bem da Nação

OS MÓRMONS

 (*)

 

Ontem fui eu que larguei a notícia do Otelo, embora a minha amiga também a tivesse escutado, que ela não deixa os seus créditos pelos ouvidos alheios. Mas hoje eu, esgotada que estava por tanta informação televisiva sensaborona, a maior parte escutada distraidamente, nas andanças da domesticidade, dei-lhe a oportunidade de ser ela a largá-las e perguntei-lhe o que achava dos acontecimentos nacionais.

- Não digo nada que é para o Nosso Senhor não me chatear. Eu tinha que estar caladinha e portar-me como as meninas que eu conheço: "Esta é a minha carteira nova, e os meus sapatos e o meu cinto"...

 

            Como lhe censurei os humores, decidiu alinhar e estendeu-se nos dados de estarrecer: Começou por falar no pai que baleou a filha médica de vinte e poucos anos, por motivo de um namorado não seu desejado, tornando-a inválida para sempre. Outros crimes nossos nomeou, considerando como temos evoluído nesse ponto e passou ao tema da violência que tem por base, segundo ela, entre outros, os jogos oferecidos na infância às crianças. Lembrei a propósito quanto o meu pai condenava a oferta de pistolas de brinquedo aos meninos, como tais preconceitos estavam arredados destes tempos que ainda são nossos, e logo a minha amiga disparou, na tristeza de uma revolta sem solução:

 

- Assim que eles crescem, normalmente começam a beber mais cedo. Têm que ter dinheiro. Os pais têm que dar. Droga é aos montes. Não é a tradicional. Há muitas que já não dão nas vistas. As notícias que estão a dar são de estarrecer, para quem se rala: bebem e drogam-se e gastam à grande. Se no nosso tempo posterior ao 25 de Abril já era grande problema, agora nem se fala. E as drogas são completamente disfarçadas. Podem-se meter na bebida, na boca, como se fossem aperitivos. Eu digo: Só quem não tem filhos é que pode dormir descansado. Os pais não se atrevam a proibir. Há direito que as discotecas comecem à meia-noite e acabem de manhã? E entretanto, fortunas engrossam, dos fabricantes de droga e dos fabricantes da destruição humana...

 

Comentei sobre uma juventude que assim se preparava para um dia tomar as rédeas da Nação, mas a minha amiga achou que os que governam agora já são fruto do mal-estar em que temos vivido afundados. Ressalvei:

 

- No mundo inteiro, aparentemente. Mas há quem se equilibre, quem mantenha ainda a consciência humana, quer aqui, quer, sobretudo, entre os povos mais superiormente educados.

 

Mas cheguei a casa deprimida.

 

A minha irmã mostrou-me no Diário de Notícias as figuras escorreitas de dois altos dignitários do FMI atravessando o piso da Praça do Comércio, que, por falta de motivação, com o findar do comércio, talvez volte a adquirir o nobre designativo de Terreiro do Paço, lembrando faustos e fastos perdidos no tempo, embora sem importância, de irrecuperáveis que são.

 

- Olha, parecem os Mórmons. Aos pares e de mala, figuras imponentes.

 

Concordei:

 

- Recolhidas, indiferentes. Sinistras, a difundir - ou a esconder - o seu credo. Ao menos as testemunhas de Jeová são prestáveis, dão panfletos e esperança no Reino de Deus.

 

Mas acrescentei, com unção, porque precisamos de todos:

 

- Mas temos que acreditar neles. Somos safados, mas safamo-nos melhor com ajuda. Precisamos das companhias competentes. Para podermos continuar na safadeza.

 

 Berta Brás

 

(*)http://www.igrejadejesuscristo.org/missionarios_mormons

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