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A bem da Nação

FASTOS & NEFASTOS

 (*)

 

Ormuz, séc. XVI  *  Portugal séc. XXI

 

Tempo houve em que os portugueses se batiam por ideais, com uma valentia e determinação, quando “tão poucos valiam muitos”, e mudavam os caminhos da história e do mundo.

Seria veleidade estar a referir os nomes mais conhecidos da história. Muitos há, muitos, felizmente, que deveriam servir de exemplo, melhor, estarem ainda hoje vivos.

 

Fastos

Irritados os Persas da severidade com que escreveo huma carta o Capitão de Ormuz D. Luiz da Gama a hum General, se resolverão a vingar com as armas a injuria que supunhão lhe resultava, e como a Cidade de Ormuz se abastecia de agua, que lhe vinha do Comorão, tratarão os Persas (já nossos inimigos) de nos impedir o conduzi-la para aquella Cidade. Executarão o seu intento, e em breves dias gemerão os nossos moradores sem o preciso alimento, molestia que offendia o brio Lusitano, pois contra a reverencia da nossa Fortaleza, e de todo o Estado, se atreverão huns barbaros a impedir-lhe a agua e a trazer a guerra aos Portuguezes, de quem recebião Leys. Tratarão pois os nossos de castigar o seu orgulho e vaidade. Foy o primeiro que os buscou o Capitão Fernão da Silva, mas não respondeu a fortuna ao seu valor, porque ao tempo em que se começou a batalha, ou por desgraça ou por descuido, prendeo o fogo no payol da polvora, e voarão navio, e Capitão salvando-se unicamente a gloria do seu nome e da valentia com que se houverão em todos os conflictos da Asia. Sentirão os nossos a perda não só pela falta de tão esforçado Capitão, mas tambem os Persas com este acaso se fizerão mais ousados, cobrindo os mares de Ormuz com 300 barcas que infestavão aos amigos do Estado. Chegou n'aquella occasião Nuno Alvares Pereira, e não querendo perder a gloria de ven­cer aos inimigos, não foy tardo em logo os cometter, e pelejar de modo que depois de algum tempo forão rotos e desbaratados, não escapando das 300 barcas mais do que humas poucas, que servirão para contar o lastimoso estrago que padecerão. Soubemos a grandeza da victoria não só dos inimigos, a quem destroçamos, pelejando mar, mas ainda do grande terror que mostrarão os seus Generaes e o seu Principe, o Sophi, que temendo a geral ruina das suas Costas e Cidades maritimas, escreveo huma Carta ao Visorey, em que se desculpava da guerra de que dava por Author ao Cam de Xiras. O Visorey D. Jeronymo de Azevedo recebeo a satisfacão do Persa, como que estimava não ter guerra com aquelle Monarcha, e se contentava com a gloria de o ver temeroso das armas do Estado, em tempo em que erão combatidas por tantos e tão poderosos inimigos, e devemos ao respeito de tão sinalada Victoria as atenções do mais poderoso Principe, e o commercio das mayores utilidades».

 

Nefastos

Com que tristeza se assiste hoje à passividade do povo português, prestes a naufragar, desconsiderado mundo fora, sentado no conforto d’alguma cadeira assistindo à Tv, vendo o ex-primeiro ministro, demissionário (!!!???) nomear para postos altos da governança a uma imensidão de comparsas do PS, e não se vê uma única pessoa sair à rua a reclamar contra tamanho descaramento!

Todos os dias aparecem pela Internet piadas do tal sócrates: que é ladrão, que não é engenheiro, que... isto, que... aquilo..., mas ninguém, NINGUÉM, levanta o traseiro da poltrona e vai para as ruas exigir a moralização e o restauro da dignidade dum país que já foi mundialmente respeitado.

É sabido que acabaram impérios antigos e modernos, civilizações que se perderam no tempo e são hoje só curiosidade de arqueólogos, mas permitir, no conforto/desconforto de cada um e de todos, que o governo, aliás des-governo, arraste o país para a bancarrota, para a miséria, é uma demonstração de covardia que não se coaduna com a nossa história, com a dos nossos antepassados.

Milhares, ou milhões, não perdem um capítulo das novelas brasileiras, mas clamam contra o acordo ortográfico, como se isso denegrisse o país.

Milhares ou milhões não aceitam trabalho porque a Segurança Social lhes garante, sem incômodos, o mínimo de sobrevivência.

Milhares ou milhões que fazem falta para o desenvolvimento da agricultura, não querem mais trabalhar no campo. Entretanto há montanhas de imigrantes que se podiam aproveitar para esse fim. Mas quem toma decisões? Ninguém.

E onde está a juventude que sempre foi destemida, descomprometida e valente?

Será que ainda há jovens em Portugal ou está tudo velho, acomodado, vendo o barco afundar sem se incomodar a vestir o colete de salvação?

Sou português de nascença, africano de coração e brasileiro de adoção.

Mas ver tanto relaxamento, passividade e covardia num povo que foi destemido, dói.

Muito.

 

Rio de Janeiro, 05/04/2011

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.causamerita.com/legado.htm

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