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A bem da Nação

Só FMI!

 

O último Conselho de Estado, noticia o Expresso, terá discutido a possibilidade de recorrer a um empréstimo de urgência do Fundo Monetário Internacional, antes de o próximo Governo eleito pedir ajuda definitiva ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira.

A razão disto é técnica: o FMI é mais célere e eficaz. Há uma outra razão técnica para fazer isso: o FEEF não funciona. Grécia e Irlanda, únicos Estados a recorrer a esse mecanismo recente, estão pior, não melhor. A razão é simples: o Fundo Europeu é governado por políticos, que têm de pensar no que os seus eleitores permitem gastar com a ajuda aos parceiros endividados. Daí as cautelas e exigências que enterram os devedores.

 

O FMI tem apenas a função técnica de recuperar a credibilidade e a solidez financeira do país. Como sabemos dos acordos de 1978 e 1983, dói mas funciona. O que Portugal devia fazer era esquecer a União Europeia e, como os países pobres, recorrer só ao FMI. Teria terapêutica dura, mas depressa ganharia equilíbrio e reputação, como a América Latina na última década.

 

A razão para não fazer isso é política: ia parecer mal aos nossos parceiros, que se esforçaram tanto a criar um mecanismo de protecção, que não funciona por razões políticas. Por acaso são os mesmos que vigiam as nossas contas públicas há décadas, sem evitarem, por razões políticas, que nós caíssemos no descalabro.

 

Política é também a nossa doença: os nossos governos gastaram durante décadas, com excelentes razões políticas, sem atenderem à razão técnica: não havia dinheiro.

 

  João César das Neves

 

in DESTAK | 06 | 04 | 2011  

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