O FUTURO, O QUE SERÁ?
Foto: Arquivo particular de Maria Eduarda Fagundes
"Le monde bouge, ma très chère amie," dizia minha saudosa amiga e professora Soeur Marie Rose, ao ver os abusos que o homem faz com a sua terrena morada. Além dos incontroláveis desastres que assolam periodicamente a Terra, como o terramoto e o devastador tsunami que atingiram nesta sexta-feira ultima (11/03/2011) os japoneses, o homem na sua infindável e desproporcional ambição de domínio, destrói sem dó e escrutínio, o que de maior riqueza o planeta lhe dá: a maravilhosa e inigualável natureza, lar de todos nós.
Na busca pelo poder e grandeza, constrói-se armas e usinas nucleares, represas gigantescas, maravilhas arquitectónicas pelos antigos inimagináveis. Na desculpa esfarrapada dos políticos que dizem que é preciso combater a pobreza, florestas são devastadas, rios são desviados, cidades inteiras de repente são levantadas sem respeito ao meio ambiente. No consumismo desenfreado que o ilusório progresso traz, espalham lixo por todos os lados, na atmosfera, no solo, nos rios e mares. É o omnipresente plástico, as matérias e materiais radioactivos, os venenos químicos, os resíduos, uma infindável lista de substancias e gases que poluem e sujam o mundo em que vivemos.
Caso ainda estivesse viva, a freirinha de Albi veria com tristeza o vaticínio das suas eloquentes palavras se confirmar a todo o momento. Estamos morrendo aos poucos, num processo de auto-suicídio colectivo e insidioso que provocamos e, violentamente, quando a natureza cobra o seu soldo. Talvez, quem sabe, se não mudarmos a tempo de caminho, se não ensinarmos as crianças a amarem as plantas, os animais, a valorizar o que é verdadeiramente importante, o homem e a sua milenar herança, a terra, felizes sejam os que já se foram, porque não precisam mais temer o que trará o futuro.
Maria Eduarda Fagundes
Uberaba, 13 de Março de 2011

