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A bem da Nação

ALENTEJANANDO - 1

 

 

Manuel Emílio Camarinhas, proprietário do restaurante «Os Conjurados», em Vila Viçosa, conhece 37 receitas de doces conventuais oriundas da meia dúzia de Conventos que in illo temporae existiram naquela Vila. Julgo que na lista se vão sucedendo uns aos outros de modo a que nenhum deles fique esquecido nem a cozinheira com o jeito encarquilhado.

 

E enquanto nos apresentava as fumegantes vitualhas, serviu-nos a agradável conversa que tivemos por companhia ao jantar. Eis como ficámos a saber coisas que não constam de todos os livros da nossa História.

 

A questão era a de saber quem ia para os Conventos inventar tais receitas. Não havendo resposta simples numa Igreja feita sobretudo por homens em que à mulher sempre esteve reservado um papel marginal – pese embora a grande veneração à Mãe de Deus – meditemos um pouco...

 

Para os conventos masculinos iam sobretudo os que se sentiam com vocação para o Serviço Divino mas aos femininos, para além de acolherem verdadeiras vocações, cabia também uma função de amparo a damas solteiras, a viúvas de militares (e, portanto, relativamente pobres) e a quem tivesse tido comportamento social menos canónico.

 

Não se estranhe, pois, a profusão de conventos, sobretudo femininos.

 

Foi nesse conceito genérico de grande vocação social que, por volta de 1514, o IV Duque de Bragança, D. Jaime, resolveu fundar nas vizinhanças do seu paço uma casa religiosa que servisse de Panteão às Senhoras da sua Casa e onde recolhessem as filhas do seu segundo casamento que não pudessem casar condignamente.

 

O Real Convento das Chagas de Cristo foi inaugurado em Vila Viçosa no dia 8 de Fevereiro de 1533 nele dando entrada nove religiosas tendo como Abadessa Madre Maria de S. Tomé, irmã da Duquesa (D. Joana de Mendonça) já então viúva de D. Jaime e mãe do novo Duque, D. Teodósio. O mosteiro possuía tenças próprias consignadas vitaliciamente pelas famílias e tutores das professas, tendo a maior parte delas pago a construção de aposentos privativos.

 

Permita-me o leitor que lhe chame a atenção para o nome religioso adoptado pela Madre Abadessa…

 

Mistério? Cai o mistério se lhe contar que houve um brioso militar então na casa dos 30 anos de idade que, sendo nomeado para as lutas que Portugal então travava no norte de África, prometeu que, se sobrevivesse à campanha de Azamor e regressasse são ao reino, faria rigorosa penitência de um mês no Real Convento das Chagas de Cristo, em Vila Viçosa.

 

Tomé de Sousa se chamava esse brioso militar e, sobrevivendo às lutas africanas, cumpriu a promessa de modo tão empenhado que até fez um filho à Madre Abadessa.

 (*)

Por aqui passearam Tomé e Tomé

 

E foi Gonçalo de Sousa – «o bitomé», por ser filho de dois Tomés – que arcou com a bastardia.

 

Mas o filho não era ilegítimo; os pais, sim.

 

Março de 2011

 

 HSF - retrato por FGAHenrique Salles da Fonseca

 

(*) http://www.google.pt/imgres?imgurl=http://imgs.netviagens.com/files/8e759235-7336-4f11-9d7f-de4c7c97cc69_Scr_D1216400-2CDD-4118-B883-0A5E3EE93231_1_pt.jpg&imgrefurl=http://netviagens.sapo.pt/Ferias/FeriasDetalhe.aspx%3FagreementId%3D24107%26channelId%3D3503504e-9853-a420-6865-7ce2570144a8%26contentId%3DD69A815B-4AFF-4202-9569-5299EF1598C6&usg=__oKaiIgMghGw6HPDco8L4-jbX6ic=&h=218&w=490&sz=47&hl=pt-pt&start=0&zoom=1&tbnid=2kDJX2wjtNnK5M:&tbnh=77&tbnw=173&ei=dcyBTd_FKsTYsgbtysmHAw&prev=/images%3Fq%3DPousada%252BD.%252BJo%25C3%25A3o%252BIV%26um%3D1%26hl%3Dpt-pt%26sa%3DN%26biw%3D1007%26bih%3D681%26tbs%3Disch:1&um=1&itbs=1&iact=rc&dur=671&oei=dcyBTd_FKsTYsgbtysmHAw&page=1&ndsp=19&ved=1t:429,r:16,s:0&tx=81&ty=49

 

BIBLIOGRAFIA:

Convento das Chagas – http://www.portugalvirtual.pt/pousadas/vila.vicosa/pt/index.html

Tomé de Sousa – http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A9_de_Sousa

 

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