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A bem da Nação

SÓ SE CHEGA MAIS DEPRESSA A MADRID

 

 

- Não vejo ninguém com esperança. Todos preocupadíssimos. O Sócrates está como quer, queria o Acordo assinado e lá o tem, para o T.G.V. arrancar. Tem um compromisso com os espanhóis, não é homem para faltar aos compromissos.

 

Admirei-me: -Hum!

 

Não me deixou ir além da interjeição, na fúria da sua alta velocidade: - Dá-se muito bem com o Primeiro Ministro espanhol, são muito amigos. Não desarma com o T.G.V. Ele já disse que ia adiar. Mas mantém. Não pode faltar a um compromisso com os espanhóis. O Sousa Tavares e variadíssimos economistas dizem que aquilo não vai dar lucro nenhum. Só se chega mais depressa a Madrid.

 

Consegui articular: - É útil! O Museu do Prado vale a despesa.

 

Não compreendeu o meu arroubo artístico: - Isso é que me espanta. Como é que o homem prefere não faltar a um compromisso com os espanhóis e vai sacrificar toda a gente! O povo devia ir p’rá rua.

 

Nisso discordo da minha amiga, velhas manias de obreira zelosa que fui, raramente faltando ao trabalho, julgando-me importante no funcionamento de algumas das rodas que ajudavam o país a mover-se… - Para quê? Já somos suficientemente calaceiros… O Sócrates e os demais pares, com o Cavaco à mistura, estão-se marimbando para as manifs. Essas passam, e nem importa se o país ficou mais pobre – na moral, na economia, nos costumes. Democráticos. É uma linda palavra.

 

Continuei: - O meu marido anda indignado, tal como os mais. Diz ele que está tudo à espera que as pessoas alterem a sua intenção de voto, mas quem tem o poder só apresenta o que convém. Ninguém consegue saber. As pessoas de carácter nunca são ouvidas. Há um Juiz que só agora que se reformou é que escreveu um livro sobre o que são esses acordos – tudo roubo – mas enquanto esteve no activo não podia fazê-lo, todos a ver se lixam o parceiro que se atreva a desmascarar. Tudo gatunagem. Sócrates quer ficar na história como o homem que fez o TGV. E também quer chegar aos dez anos de governação para a maquia da pensão – explicou o meu marido, circunspecto.

 

Nem vale a pena

Tanto penar.

Mas só mesmo Esopo

Para nos fazer gozar

Um pouco:

«Uma cotovia de poupa

Foi apanhada num laço

          - Confesso que um pouco baço –

E a sua sorte deplorava,

Que se desgarrava:

“Ai! Pobre de mim,

Pássaro mísero e mesquinho,

Embora sem ser tão tratante

Assim!

A ninguém roubei

Nem ouro, nem prata,

Nem diamante,

Nada de precioso

De valioso

Ou muito importante!

Apenas um grão

Minúsculo de trigo

P’r’à refeição

Foi causa injusta

De perdição”.

A fábula visa, com certo respeito,

Os que correm riscos sem jeito,

Com magro proveito».

 

Tudo bem ao contrário

Do nosso fadário,

Nesta fábula da “Cotovia de poupa

Com que Esopo nos apouca,

Referindo-se aos pobres mortais

Como os Joões Valjães

Que quando roubam pães

Vão p’rás galés, como grandes ladrões,

Ao passo

Que dos que aqui roubam que farte,

Que é mesmo um disparate,

Uns vão trabalhar p’rà Europa

- Embora não seja taxativo

Que seja trabalho activo,

Ou de sujeição

A favor da nação.

Parece mais

De autopromoção

E conta própria.

Outros… os doutores

Tenebrosos,

Deixemo-los com os seus pares

Na pátria de navegadores,

Que nunca mais se erguerá.

Tal como o caldo entornado,

Que não será engolido

Porque ficou bem sumido.

 

 Berta Brás

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