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A bem da Nação

O TURISMO NO DESENVOLVIMENTO DO SOTAVENTO ALGARVIO –VI

 

 

E agora, de que estamos à espera?

 

 Entretanto escreveu-me um leitor, interessado em saber por que razão, parecendo serem os vários investimentos aqui sugeridos muito interessantes, particularmente na presente conjuntura de tanta carência de postos de trabalho, eles não se concretizam.

 

Esta dúvida é muito pertinente e duplamente oportuna.

 

Primeiro porque por um lado existe a necessidade absoluta da criação de postos de trabalho, única forma prática de diminuir a tremenda taxa de desemprego, e por outro a igualmente importante tarefa de melhorar o nível do nosso produto turístico de forma a aumentar as receitas desta actividade altamente exportadora e diminuir a taxa de sazonalidade, quando eficazmente praticada.

 

Depois porque está em curso uma acção concreta de grande profundidade e ambição que poderá permitir a expansão da nossa ZEE que é agora 1 683 000km2 para mais 2 150 000 km2 o que nos dará enormes potenciais em riquezas naturais mas também enormes responsabilidades de as conseguirmos explorar, para que se não repitam os erros cometidos nos finais do século XIX no tristemente célebre caso do mapa cor de rosa.

 

Ora para que tudo isto seja realizável o Governo actual tem desenvolvido várias acções internas e externas de forma a concretizar este programa de desenvolvimento essencial para o futuro do País.

 

Como é sabido nas últimas três décadas a componente civil da nossa Marinha tem vindo a apresentar sintomas de grande decadência em virtude do desinteresse por estas actividades por parte dos poderes político e empresarial, particularmente no período 85-95 em que tanto a Marinha Mercante como as Pescas foram altamente prejudicadas e a de recreio esquecida.

 

Actualmente há determinações ao mais alto nível para se inverter esta situação pois parece haver a consciência de que se assim não for feito os resultados serão uma vez mais um novo desastre cor de rosa.

 

Acontece porém que a nossa estrutura governativa é algo complexa pois de assuntos relativos ao Mar há 14 tutelas e embora haja uma Secretaria de Estado cujo título indica Assuntos do Mar ela não tem poderes efectivos que lhe permitam resolver todas as dificuldades que atrasam as decisões que são precisas para se progredir em tempo útil, isto é, agora!

 

Uma vez mais o exemplo do nosso passado marítimo vem ao de cima: no século XV em que os portugueses ligaram todo o mundo com os seus navios pouco ou nada se escrevia, mas muito se fazia.

 

Agora muito se escreve, mas muito pouco se faz.

 

Existe é certo um organismo criado para dinamizar estes projectos mas estes têm que ser iniciados localmente e simultaneamente existem trabalhos em curso, aliás centralizados talvez demais se tivermos em conta a realidade e os esforços frequentemente explicitados pelo poder político no sentido de aumentar a descentralização.

 

No entanto uma coisa parece ser certa: os poderes locais, isto é, as Autarquias interessadas em projectos náuticos importantes, como são os casos de Tavira, Castro Marim e Vila Real de Santo António, como exemplos paradigmáticos desta actualidade em conjunto com os responsáveis locais principalmente do IPTM, da Ria Formosa e da Direcção de Ordenamento deveriam iniciar as acções tendentes a cumprir as determinações do Governo e os interesses da região.

 

Não inclui Olhão por que este município já iniciou este desenvolvimento, embora ainda tenha também muito para fazer.

 

Parece haver investidores privados interessados mas nenhum poderá concretizar este interesse se tiver como perspectiva esperar dez ou mais anos por uma decisão.

 

Portanto a questão põe-se assim: existem sugestões concretas para vários projectos que modificariam, para melhor, a vida destes municípios e dos seus habitantes mas é forçoso que as forças vivas civis e os responsáveis da Administração Pública atrás indicados se sintonizem e cumpram o seu dever de promover o progresso desta região.

 

Só depois se poderá responsabilizar o Governo Central pelos atrasos em curso.

 

  José Carlos Gonçalves Viana

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