CHORA COMO MULHER…
…o que não soubeste defender como homem – assim falou Aixa, mãe de Boabdil, o último Sultão de Granada. Fez hoje 519 anos que isso aconteceu: 3 de Janeiro de 1492. Na véspera, os Reis Católicos tinham tomado posse do Alhambra e das chaves da cidade.
Guerra de Granada, eis como ficou conhecido o conjunto de lutas militares entre cristãos e muçulmanos que ocorreram entre 1482 e 1492 no interior do reino de Granada.
Culminando com a rendição negociada mediante a capitulação de Boabdil – que ao longo da guerra tinha oscilado entre a aliança e o confronto aberto – os dez anos de guerra não foram um esforço contínuo pois esteve sujeito a numerosas vicissitudes: foram muitos os confrontos internos dentro da parte muçulmana e do lado cristão foi decisiva a capacidade de integração numa missão conjunta das cidades, da nobreza castelhana e do baixo clero em suporte da emergente Monarquia Católica. A participação da Coroa de Aragão foi de importância relativamente fraca pois que se limitou à presença do próprio rei Fernando, a alguma colaboração naval, ao apoio de artilheiros e a algum financiamento. Ou seja, era evidente a natureza da iniciativa castelhana pelo que decorreu com naturalidade a integração de Granada na Coroa de Castela.

Os diplomatas entregaram as chaves da cidade e o Alhambra no dia 2 de Janeiro de 1492, data comemorada anualmente com a merecida pompa. (*)
Se Aixa ficou na História como a grande personalidade muçulmana que fortemente criticou o fraco filho, também agora passava a ser Isabel a tomar as grandes decisões.
Foi a Isabel que Cristóvão Cólon apresentou o seu plano de descoberta do caminho para Índia navegando para ocidente; foi a Isabel que Dom Frei Tomás de Torquemada «fez a cabeça» para a instituição da Inquisição; foi Isabel que decidiu expulsar os judeus; foi a Isabel que deram a notícia da morte do nosso rei D. João II e foi ela que transmitiu a Fernando a notícia dizendo apenas «Se murió el Hombre».
Tanto trabalho teve que nunca arranjou tempo para se lavar e ficou com a fama da rainha mais mal cheirosa de toda a História espanhola.
Mas, passados 519 anos, a Espanha que hoje conhecemos foi a que ela imaginou, conquistou e cuja construção começou. Convenhamos que nem sempre tem sido fácil para os vizinhos mas temos que saudar a hispanidad com uma chapelada.

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A ver se eles fazem o mesmo com a portugalidade…
Lisboa, 3 de Janeiro de 2011
Henrique Salles da Fonseca
BIBLIOGRAFIA:
Wikipédia
