Quem manda aqui? Para onde vamos?
Frau NEIN! weil schlimmer ist besser
(A Senhora NÃO! porque quanto pior, melhor)
Em 10 do corrente, a Chanceler Ângela Merkel respondia à proposta do Presidente do Eurogrupo para a criação dos Eurobonds com um Nein! Terminante. Este Nein teve efeitos imediatos a seguir documentados
Resposta dos potenciais compradores de dívida soberana espanhola : NEIN

Resposta dos potenciais compradores de dívida soberana italiana: NEIN.

Resposta dos potenciais compradores de dívida soberana belga: NEIN.

Fonte: Financial Times
O advogado Rumpole, genial criação de John Mortimer, ao referir-se à sua mulher reservava-lhe o tratamento de "Aquela que deve ser obedecida" (She who must be obeyed). Obviamente, há diferenças entre a Mrs Rampole e a Frau Merkel, diferenças que vêm de muito de trás com largos séculos de história. Mrs Rampole merecia o tratamento que lhe davam; será esse o caso da Frau Merkel?
De imediato, precisávamos saber o que pretende a Chanceler alemã. À luz das atitudes que tem adoptado em relação à crise do Euro, podermos ser levados a recear que a Senhora tenha em mente converter a crise em apocalipse. Porém, nem toda a gente pensa assim. Dizia-me há dias um banqueiro com larga experiência internacional que o propósito de Frau Merkel não é exactamente desfazer o Euro e reduzir a cacos o sistema europeu, mas tão somente impor ao Estados integrados uma determinada disciplina fiscal e orçamental, a sua.
Se é assim, porque espalha então ventos arriscando-se a colher tempestades? Para já conseguiu dividir os PIGS. Isto é contrário à estabilidade futura da ordem se bem que lhe possa facilitar o mando imediato. A função construtiva do líder consiste em unir mediante equilíbrios e sínteses e nunca multiplicar e agravar divisões.
O meu interlocutor tinha explicação: -" Sendo alemã - e do Norte - e destituída de génio, não pode agir de outro modo. Ela não terá qualquer projecto para o futuro. O problema dela é exactamente esse: - procura identificar-se com a cultura e sentimento popular locais porque não tem estofo para conceber e introduzir inovações. Não sendo capaz de construir o futuro - a Europa - vira-se para o passado e abraça firmemente o prosaico prussianismo civil. Ela pensa que assim retém a confiança da sua gente. E porque não consegue ver mais nada, não duvida uma só vez de que o que é bom para Berlim o será também para a Europa e para o mundo.
Com tal, a Europa que se cuide; que se lembre da profecia do Presidente John Kennedy : "Ich bin ein Berliner!"
(Voltaremos ao assunto)
Estoril, 19 de Dezembro de 2010
Luís Soares de Oliveira
