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A bem da Nação

O MUNDO LUSÍADA

 

 

Reverendos Padres (1)

Prezados Companheiros;

Minhas Senhoras e meus Senhores:

 

É com o maior gosto que a todos saúdo nesta quadra natalícia que agora comemoramos.

 

O final do ano é também propício a que façamos um balanço entre o que fizemos e o que ficou por fazer daqui nascendo naturalmente uma perspectiva do que gostaríamos de realizar no ano seguinte. Assim vamos todos cumprindo um rumo, assim vai a sociedade vivendo e a nossa Civilização encontrando motivos para se confirmar e rejuvenescer através da afirmação dos seus fundamentos e da obra nova que vamos produzindo.

 

E se essa obra nova se pode medir pelo número de pontes e calçadas em cada ano edificadas, outra obra nova há que se pode medir de modos mais subtis. Refiro-me à obra cultural, aquela a que nós, Elistas, nos dedicamos pois aqui não somos nem ponteiros nem calceteiros.

 

E é precisamente essa obra cultural que nos pode actualmente abrir caminhos tão largos e longos quantos a largura e o comprimento do mundo. Do mundo lusíada, digo eu.

 

E o que é o mundo lusíada? Ah! Meus Companheiros e Amigos, é o mundo do tamanho do Mundo!!!

 

Já está formalizada a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) com 8 países e com Macau na qualidade de observador pois é uma Região Administrativa da China mas o mundo lusíada não se esgota neste formalismo. Temos que considerar todas as comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo e todas elas, sem excepção, fazem parte do mundo que consideramos nosso, o lusíada. Mas a esse mundo também têm que pertencer por direito próprio todos os que a ele queiram aderir por se reverem nos Valores do humanismo que ao longo da História Portugal lhes legou. Podem já não saber falar português mas dizem-se luso-descendentes e assumem uma atitude de defesa dos nossos Valores que os distingue das comunidades que os rodeiam e em que habitualmente se integram de modo plenamente pacífico.

 

Estou neste instante a recordar-me do Senhor D. Óscar Pareira, descendente do Rajá de Larantuka, capital da Ilha das Flores, arquipélago das Celebes, hoje território indonésio; cito o General Fonseka que há pouco ganhou a guerra civil que grassava no Sri Lanka; refiro os jovens luso-descendentes da região de Paris que constituíram a Associação Cabo Magalhães com o objectivo de fomentarem a ligação dos jovens licenciados franceses ao país de origem dos seus antepassados, Portugal; lembro-me das rádios e televisões em língua portuguesa sedeadas nos EUA e no Canadá; refiro-me à comunidade cabo-verdiana no Havai; não posso nem quero esquecer-me dos descendentes de Pêro da Covilhã e dos outros 400 portugueses que tanto ajudaram a Etiópia a ganhar fronteiras internacionalmente reconhecidas no âmbito dum processo histórico nascido no mítico reino do leite e do mel do Preste João.

 

Eis o mundo lusíada a que o Elismo tem que chegar; eis que cada dia que passa em que não o procurarmos será um dia perdido no resgate desses tantos que se orgulham dum País que mal conhecem (mas em cujos telejornais é diariamente vilipendiado).

 

Sim, Prezados Companheiros, temos uma obra grandiosa pela nossa frente. Cumpre-nos mostrar de que dela somos capazes, por a queremos, dela sendo dignos.

 

E o que foi esta ano conseguido? Várias «coisas» importantes mas uma eu quero realçar muito em especial: recomeçou há poucas semanas o ensino da língua portuguesa às crianças de Damão depois de um interregno de várias décadas. E como também é de realçar, sem o recurso a dinheiros do Estado Português.

 

É pouco? Claro que é pouco! Mas já não será assim tão pouco se nos lembrarmos de que o fundamental é arrancar com a obra para que de seguida ela se consolide e dê os frutos que dela esperamos.

 

E aqui está a questão: que frutos dela esperamos? Desde já avanço com uma proposta de resposta: a reaproximação dessas comunidades connosco, o País que lhes levou os Valores por que eles próprios se batem; e dessa reaproximação que brotem cooperações culturais e económicas; enfim, que nasça a amizade e o desenvolvimento.

 

Prezados Companheiros e Amigos:

 

Não me vou alongar. Espero que em 2011 o nosso Clube ajude Tavira a celebrar o passado com o descerramento da lápide na Porta do Postigo por onde em 11 de Junho de 1239 entrou D. Paio Peres Correia trazendo a cidade definitivamente para o regaço cristão; espero que em 2011 o nosso Clube lidere o processo de dar uma bandeira à Campanha do Analfabetismo Zero; espero que em 2011 todos e cada um de Vós realize os sonhos pessoais no seio do bem-comum e formulando os meus sinceros votos de um feliz Natal para todos, agradeço a atenção que me dispensaram.

 

Muito obrigado!

 

Tavira, 12 de Dezembro de 2010

 

 Bragança_2007-1.jpg Henrique Salles da Fonseca

(palavras proferidas no jantar de Natal do Elos Clube de Tavira)

 

(1) Padre Dinis Faísca e Padre Flávio Martins, respectivamente Párocos de Santa Maria e de Santiago, Tavira

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