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A bem da Nação

A ESPANHA E O BRASIL


Há alguns meses o Prof. Cavaco Silva apontou a Espanha como devendo ser o principal mercado de exportação das empresas portuguesas. O crescimento económico sólido da economia espanhola, a proximidade geográfica e até a semelhança linguística são condições favoráveis para a penetração dos produtos portugueses nos mercados espanhóis.
Mais recentemente o Governo tem tido um discurso semelhante e apronta-se para abrir delegações do IAPMEI em diversas cidades espanholas. Embora não seja claro a inter-relação com o ICEP, a ideia em geral parece muito interessante.
Quanto ao potencial que o mercado espanhol representa para Portugal existe portanto um consenso na sociedade portuguesa. O crescimento das exportações portuguesas vai depender consideravelmente das estratégias delineadas pelo Governo para os mercados espanhóis e da resposta das empresas portuguesas exportadoras.
No entanto, um outro mercado parece não merecer tantas atenções. Refiro-me ao Brasil.
O Brasil pode representar para Portugal aquilo que os Estados Unidos representam para a Irlanda: a plataforma dos investimentos norte-americanos na Europa.
Mas os irlandeses não tiveram que desenhar nenhuma estratégia de atracção do investimento americano. Tudo aconteceu graças sobretudo ao uso de uma língua comum e da existência de uma diáspora irlandesa importante nos Estados Unidos.
Não podemos esperar o mesmo do Brasil. Se é certo que as empresas brasileiras que investem em Portugal têm em mira os mercados europeus, o volume e as perspectivas de investimento são muito baixas e insignificantes perante o potencial existente. Além disso, sendo a economia brasileira o que é, pode efectivamente acontecer que o investimento brasileiro seja modernizador da economia portuguesa e inovador quanto a métodos de gestão, de processos de fabrico e de lançamento de novos produtos.
É pois urgente atrair o investimento brasileiro para Portugal. As notícias recentes quanto à implantação de uma plataforma brasileira em Espanha confirmam a necessidade de Portugal desenvolver uma estratégia coerente e persistente de atracção do investimento brasileiro em Portugal.
E neste sentido, cremos existirem três meios a utilizar.
Em primeiro lugar as missões empresariais, que poderiam ser mais frequentes e orientadas quer para determinados sectores económicos, quer para certas regiões do Brasil.
Em segundo lugar, a Agência Portuguesa para o Investimento poderia abrir uma ou várias delegações permanentes no Brasil, iniciando aí uma continuada acção de promoção e até de preparação de dossiers. Isto parece-me essencial e urgente.
Em terceiro lugar e para aproveitar todas as oportunidades abertas com o acordo recentemente firmado entre a União Europeia e o Brasil permitindo a participação de empresas e centros de investigação brasileiras nos Programas-Quadro de Investigação e Desenvolvimento da União, as Universidades e Centros de Investigação portugueses deveriam entrar em parcerias com instituições similares brasileiras. Também por aqui se poderia efectivar o desejado choque tecnológico.
Assim poderia Portugal desempenhar uma função de plataforma das empresas brasileiras que contribuiria para a modernização da economia portuguesa e permitiria aumentar as exportações para a Europa. Exactamente aquilo que necessitamos urgentemente.
Mas para isso o Governo deveria ter uma estratégia de atracção do investimento brasileiro, empenhada e consistente. Que não existe. Mas que será urgente aplicar antes que os espanhóis nos tenham mais uma vez ultrapassado.

António Calado Lopes

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