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A bem da Nação

CRÓNICAS PORTUCALENSES – 4

 

(a chorar!)

 

...

 

Visitar Portugal e alhear-se dos problemas que o país está atravessando, parece-me cómodo e distante demais.

 

De economia, segundo já por diversas vezes afirmei, só sei que ou se gasta menos do que se ganha, ou... a vaca vai pró brejo!

 

Apesar de Portugal estar hoje metido no meio do “barulho” da EU, não é possível esquecer a situação em que se encontrava em 1926/1928, e como foi fácil reverter o problema. Pode-se não gostar do Salazar. Cada um come do que gosta, mas não lhe reconhecer o mérito de ter, em poucos meses, endireitado as finanças do país que fizeram do Escudo uma moeda forte durante quarenta anos, é ser-se cego, surdo ou estúpido.

 

Desde há mais de trinta anos que o país vem gastando o que tem e não tem, recorrendo para isso a créditos internacionais. E a conta chegou agora para ser paga!

 

O que parece infame no meio de tudo isto é ir-se ao bolso do aposentado, que se já vivia num aperto vai ficar num só desespero na sua velhice, mantendo aposentadorias e salários milionários para os camaradas do partido. Isso é mais do que infame.

 

Há dias mais um banco, o BPN entrou no buraco que ele próprio abriu. Parece que prenderam os administradores. E o Estado teve que entrar com uns muitos milhões para não prejudicar totalmente os pequenos clientes. Mas porque deixaram chegar a esse ponto? Compadrio! Para que serve o Banco de Portugal?

 

Não há muito tempo para um outro banco foi nomeado presidente um homem “da cor política”, reconhecidamente sem experiência bancária... nem outra! Algum tempo depois indagado por um colega dos tempos de estudante o que tinha ido fazer para o banco, respondeu, com todo o desplante, que a sua missão era basicamente “lixar” a vida do outro presidente que era da “cor” contrária!

 

Com este tipo de visão administrativa, e não só, o país tem que cair na bancarrota!

 

Em Inglaterra o governo vai dispensar meio milhão de funcionários. E em Portugal? E os salários escandalosos, mais as mordomias de carro, motorista, etc., etc., de tantos amigalhaços? E para quê 230 deputados? Não chegariam 100, ou menos?

 

Em 1943, África do Sul, fase aguda da II Guerra Mundial, apartheid “indiscutível” e pesado, o governo branco aumentou o preço do transporte de um dos bairros “só para africanos” para a cidade de Johannesburg, de quatro para cinco pence. O povo reagiu. Não andou mais de bus, durante nove dias, até que os preço regrediram para o valor anterior! Esmagados pelo apartheid, mas eram gente valente.

 

Uns vinte anos antes disto, um jovem, pertencente à família real do sudeste da África do Sul, assistia às assembleias convocadas pelo rei. Vinham os chefes e membros da família de todos os lados, e gente simples do povo. A todos era dada a palavra para exporem os seus problemas. E todos eram ouvidos com o mesmo respeito. Por fim ou se chegava a um consenso ou nova assembleia era convocada. Era a verdadeira democracia, onde ainda não tinha chegado a desgraça a que hoje se assiste com a “maioria” a esmagar a “minoria”, nem esta a torpedear as propostas daquela. E quererem continuar a chamar a isto democracia! Hoje não há consenso; há ganância desmedida, e se isso se verifica em Portugal, o exemplo maior parece vir dos Estados Unidos. Mexeu-se nos lucros dos grandões e estes querem acabar com o Presidente!

 

Aquele jovem africano, um pouco mais tarde, quando o quiseram envolver na política, viu claramente, com a experiencia já adquirida, que “os políticos nada mais eram do que uns vigaristas (racket) para roubar dinheiro do povo”!

 

Esse jovem foi depois uma das maiores figuras do século XX, Nelson Mandela.

 

Os tempos não mudam os homens. Parece que só pioram.

 

Vejam o que se passa no Brasil. As “pesquisas” de opinião davam ao lula 80% de aprovação, mas as urnas só lhe deram 56%! A máquina do PT foi eficiente. Mentiu, mentiu, mentiu, durante oito anos, até nas perspectivas de produção de petróleo chegando a inflacionar em mais de 300% os cálculos dos técnicos para dar melhor cara ao “cara” em vésperas de eleição. Com tudo isto conseguiu eleger alguém que lhe tome conta do lugar por quatro anos e ele voltar em “toda a sua glória e esplendor” em 2014.

 

Mas a “democracia” deste país é diferente: a oposição compra-se. Barato. Os maiores adversários de há dez ou vinte anos, hoje beijam-se (até na boca e chamam-se de Tarzans). O PT enquanto oposição conseguiu vetar uma série de leis, que depois aprovou com a sua “maioria” guardando-lhe os louros. Entretanto o povo... chamou-lhe de “pai”!

 

Tudo na política é um absurdo. Uma ladroagem. Aqui, em Portugal e em todo o lado. Mas... eu que, para não morrer tão cedo (?!) tomo 9 a 10 comprimidos por dia, comprei, aqui no Brasil, a necessária quantidade para 30 dias, que me custou cerca de R$ 270,00, o equivalente a € 112,50. Repeti essa compra em Portugal e paguei € 18!

 

Pode-se com um absurdo destes?

 

E mais: o Brasil está a produzir apreciável quantidade de vinho. Bem mais do que em Portugal. Enquanto aqui uma garrafa – de vinho de uva vinífera europeia – custa, barato, uns R$ 12 a 14 – igual a €5 ou 6 ! – em Portugal um BOM vinho corrente custa menos da metade disto!

 

E no fim o Brasil cresce, cresce e continuará a crescer, e Portugal a encolher.

 

Será porque “os pássaros dessa terra não gorjeiam com cá”, como em sentido inverso cantou o grande poeta brasileiro Gonçalves Dias enquanto estudante em Coimbra, saudoso do seu Brasil?

 

Rio de Janeiro, 4 de Novembro de 2010

 

  Francisco Gomes de Amorim

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