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A bem da Nação

CRÓNICAS PORTUCALENSES - 3

 

 

(a correr !)

 

...

 

As primeiras semanas da estadia em Portugal ficamos hospedados em casa de uma irmã, no “mato” de Vila Franca de Xira, vinte e poucos quilómetros a Norte de Lisboa, ali, bem ao lado das lezírias dos campinos. A caminho de sua casa encontramos uma curiosa fonte, com duas lápides antigas. Uma, com letra mais bem traçada diz: “Feita à custa da Confraria por ordem de Iheronimo P Henriques, sendo juiz em 1658”, (seria um padre hieronimita chamado Henriques?) e a outra, mais modesta “Foi cosertada a custa da confraria... em 1638”! Ficamos sem saber quando foi feita, já que foi “cosertada” em 1638, o que pouco interessa, mas é uma pequena obra, modesta e de traça elegante, do século XVII ou anterior!

 

 

Fonte de Santa Sofia

 

De Vila Franca vai-se muito bem no trem – comboio – para Lisboa, saindo-se de uma estação bonita, bem cuidada, de construção típica dos anos 30 a 40 do século XX. Em vinte minutos desembarca na capital sem se preocupar com o infernal trânsito, ou pior ainda encontrar lugar para estacionar o carro. De modo que o sistema mais prático para se andar em Lisboa é nos transportes públicos. Melhor e mais económico, desde os clássicos carros eléctricos ao Metro e táxis, estes quase todos Mercedes, o que no Brasil é um luxo de ricos!

 

Estação de Vila Franca de Xira

 

 

Por fim um hotel, em Lisboa. Muito central, na Rua Castilho, com uma vista lindíssima para parte da cidade, bem em frente do Parque Eduardo VII.

 

Amplie para ver melhor: 1.- O Pavilhão dos Desportos; 2.-  A Penha de França; 3.-Castelo de São Jorge; 4.- Sé; 5.- Um pouco abaixo a Estpatua do Marquês de Pombal 

 

 

 

 

Foi só atravessar a rua e entrar na Estufa Fria, um dos ex-libris que vale a pena visitar em Lisboa. Aliás tentar entrar! Está em obras; toda a estrutura da cobertura ameaçava ruir e está a ser refeita. É obra grande, mas que vale muito a pena.

 

O interior da Estufa Fria


 

Depois de muita insistência junto ao guarda e a seguir ao encarregado da obra, este não podia autorizar a entrada. Tive que aguardar a chegada da engenheira responsável pela obra, que depois dum pequeno “chorinho” da minha parte lá permitiu uma visita rápida acompanhado do encarregado. Valeu a pena. É um lugar que os próprios lisboetas deviam procurar mais. E os turistas, sempre. Respira-se paz ali dentro.

 

No nosso rápido passeio fui dizendo ao encarregado que ele devia, para a história, deixar o seu nome gravado num dos novos pilares. Que assim se fazia antigamente, o que permite aos estudiosos melhor apreciarem a obra e definirem a sua época com mais exactidão. Ficou espantado com esta observação. E foi-me dizendo que já tinha feito obras mais importantes, como, a restauração da Igreja no Castelo da Alcácer do Sal e da sua Pousada Dom Afonso II. Linda.

 

O Castelo de Alcácer so Sal e a Pousada D. Afonso II

 

Como é evidente não deixou marca sua, mas foi contando que durante os trabalhos foram encontrados, sobretudo na cripta da Igreja, inúmeros objectos, desde ossadas a espadas, cerâmicas, pontas de flechas, etc., e – agora não vou acrescentar uma só vírgula – “uma placa de chumbo de uns 40 cm por 25cm com uma inscrição que os primeiros arqueólogos não conseguiram identificar. Enviada para a Universidade de Coimbra, terão identificado como sendo da época de Cleópatra!” E o que dizia a placa? “Fazia referência a uma mulher, que tinha morrido e possivelmente ali enterrada, e o marido como prova de amor cortara com a espada os seus genitais!”

 

Devia ser linda a tal mulher e tamanha prova de amor jamais ouvi que se tivesse passado! Mas que é bonito, é... para os outros!

 

Que tal umas férias, aqui, com a Cleopatra?

 

Se é verdade ou não, esta é a versão que o encarregado da obra me contou. Alguém, agora, aí em Portugal, que vá tentar descobrir a tal placa que estará na Cripta Arqueológica do Museu do Castelo. E depois me mande dizer o que efectivamente está escrito na placa e em que língua, que por ser da Cleópatra (?!) será em grego clássico!

 

Mesmo que não seja só para confirmar a veracidade desta história, qualquer visita ao Castelo de Alcácer do Sal e à sua Pousada, serão certamente educativas e gratificantes.

 

Aliás qualquer Museu sempre vale a pena ser visitado.

 

Foi o que aconteceu em Lisboa, à saída da Estação de Santa Apolónia, onde, mesmo em frente está o Museu do Exército. Interessante, merecia mais tempo do que dispúnhamos naquela ocasião, mas foi suficiente para ali descobrir, entre muita coisa interessante, o retrato dum grande general, antepassado do nosso amigo Alberto, não o do Algarve mas o do Rio de Janeiro, mais a súmula dos seus feitos!

 

Fotografados estes dois itens, após o nosso regresso entregues ao descendente, este considerou um dos melhores presentes que sempre recebeu!

 

Olha o General Silveira, meio de lado para evitar o reflexo do vidro!

 

 

 

Coisas simples são as que têm valor.

 

(na próxima continuação, uma apreciação sócio económica... que me perdoem os técnicos! E por fim... um abraço aos amigos.)

 

Rio de Janeiro, 3/11/10

 

Francisco Gomes de Amorim

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