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A bem da Nação

Crónicas Portucalenses - 2 - (ao correr da pena)

 

Se Portugal vale a pena, um passeio pelo Alentejo é sempre algo maior! Aquelas planuras imensas com uma luz andaluza, os sobreiros com as suas copas abertas lembrando as acácias das savanas de África e, como símbolo da vitalidade de um país antigo (aliás o mais antigo do mundo com suas fronteiras definidas!), os milhares de hectares com novas plantações de oliveiras e até, para meu grande espanto, plantações de sobreiros que os proprietários sabem, primeiro da sua dificuldade em “pegar” e depois que só vão tirar rendimento destas maravilhosas árvores ao fim de 30 anos!

 

 

E como se come bem no Alentejo!... Beber, tem muita escolha dos vinhos regionais alentejanos, de que é difícil eleger o melhor. Podem bebê-los todos que são sempre bons.

 

E também se roda bem nas ótimas estradas que o retalham de vila em vila!

 

A brancura das suas casas, a lhaneza das gentes, uma anedota dos próprios sobre si mesmos, um castelo aqui e uma fortaleza do tempo dos árabes, além.

 

Além da sua beleza, o Alentejo é uma terapia para a alma! A quietude, ou espaço que chama à elevação, à meditação, ao sossego.

 

E o Algarve? O Al Garb, o velho Ocidente de toda a Península Ibérica, assim chamado pelos árabes.

 

Não há que o comparar ao Alentejo. Cada região sua beleza. O Algarve, atração turística por excelência em toda a Europa, com as suas praias lindas, um clima ameno praticamente todo o ano, mais de uma dezena de campos de golfe, montes de hotéis, cassino, prédios, sobretudo de veranistas, que saem do chão a toda a hora, o que mais falta para ser um lugar de eleição?

 

Voltemos à gastronomia, e aqui é o mar que impera.

 

No entanto não foram todas estas maravilhas que me levaram ao Algarve, mas sim encontrar e abraçar o meu amigo Alberto Gomes, “O Alberto” de quem já falei neste blog, e não via há mais de 47 anos! Recebeu-nos principescamente com uma caldeirada à moda da Baía das Pipas, uma verdadeira obra de arte culinária, mas sobretudo com seu enorme coração, sempre forte e rijo, com imenso calor humano e uma simplicidade que continua a captar a admiração e a amizade de quem o conhece.

 

O peixe para a caldeirada teve que o ir buscar a Olhão porque na Quateira o peixe parece ser pequenino e inapropriado!

 

E o vinho, além e de umas garrafinhas da vizinha Adega Cooperativa de Lagoa mais duas dum novo Alvarinho “Reguengo de Melgaço”, todas para serem bebidas de pé... mas apesar destas excelências, a caldeirada sobrepujou os vinicultores!

 

Alberto ainda é um homem rijo e forte, em vésperas de completar 91 anos! Uma memória que envergonha qualquer elefante, e sempre uma história divertida para contar.

 

Descendente de pescadores algarvios pelo pai e neto dum chefe Mucubal pela mãe, foi um dia assistir a um casamento desta sua gente. Boi não se mata habitualmente; só em cerimônias especiais, como funeral ou casamento, e nesse dia o melhor boi, gordo e grande, foi o escolhido para abate. Vários homens correram, mas o bicho era forte e correndo, a todos ia sacudindo, não se deixando apanhar. Devia calcular a sorte que o esperava! No meio da confusão o nosso amigo Alberto esperava impassível o desenrolar do acontecimento, quando o boi corre em direção a ele. Alberto só tem tempo de o agarrar pelos chifres e, com toda a sua força, não largava o bicho! Este, deseperado sacode-se violentamente e consegue fugir. Mas os dois chifres ficaram na mão do Alberto!

 

O grande Alberto Gomes e toda a sua juventude de 90 anos Podem achar que é balela dele.

 

É preciso conhecê-lo, além da fama de no seu tempo ser talvez o homem mais forte da região de Moçamedes, hoje Namibe, para se ter a certeza de que isto foi verdade!

 

Foi uma grande jornada de muita amizade e recordações de um bonito passado que só volta nestes encontros.

 

(continua)

 

Rio de Janeiro, 31-Out-10

 

Francisco Gomes de Amorim

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