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A bem da Nação

POSTAIS ILUSTRADOS XLII

 

 

VERBA VOLANT SCRIPTA MANENT (1)

 

 

Recomendei, no Postais Ilustrados anterior, o XLI, sobre DIÁLOGOS DO ABSURDO, que lêssemos, Camus (1), Nagel e Heidegger.

 

Vale a pena citar Camus: Antes, a questão era descobrir se a vida precisa de ter algum significado para ser vivida, ficou evidente que ela será vivida melhor se não tiver significado.

 

Camus é Nobel da Literatura e influenciou, fortemente, o nosso Nobel da Literatura, basta ler-lhe a obra (2). O negativismo ao ser evidente para Camus que a Vida será melhor se não tiver significado, constitui a panóplia de decisões socialistas que nos levaram a este estado de coisas. A Vida não tem significado. Vivemos em negação e em absurdo.

 

Gostaria que alguém me dissesse o que é que, em Portugal, actualmente, tem significado. Eu digo-vos. A sacrossanta Constituição, que só pode ser revista em matérias que não colidam com os interesses dos partidos políticos, das ideologias instaladas e dos eleitos nas listas, que, obviamente, não são compagináveis com os interesses actuais do Povo. Como diria o Prof. Doutor Miguel Mota, isto não é Democracia. É evidente! para o Prof. e para mim, que a outra Democracia, a da verdadeira representatividade, consubstanciada em listas abertas e círculos eleitorais com listas uninominais, é um sistema mais claro e justo. E tem significado, pelo menos para nós.

 

A conclusão que se tira é que vivemos numa ditadura partidocrática, a que somos obrigados a sujeitar-nos, porque o sistema que foi instituído é este e não há volta a dar-lhe, democraticamente, por enquanto, o que não significa que as Leis eleitorais, com uma pressão aqui, outra ali, não sejam, aos poucos, alteradas para melhor.

 

Sistema político idêntico se vivia na Idade Média com os Suseranos, a Nobreza, os Vassalos, o Clero, os Servos da Gleba e os Escravos.

 

Procurem, no desenho, onde estão as diferenças e... as semelhanças.

 

Por outro lado, “No âmbito da disponibilidade, então, a produção do disponível, o uso do disponível, o abuso do disponível, o consumo do disponível, a usura do disponível e a nova volúpia da produção do sempre disponível perfazem o círculo organizado tecnicamente de um permanente e violento saque de um mundo que deixou de ser mundo humano”. (3) E transcrevo este texto para, com humor, salientar as categorias disponíveis (produção, uso, abuso, consumo, usura, volúpia) da disponibilidade daqueles que fizeram da sua vida profissional o exercício permanente da política; o mesmo é dizer que não sabem fazer outra coisa.

 

Muito embora tudo seja relativo e quanto ao relativismo: ...Nagel publicou em 1997, A Última Palavra, uma das mais sofisticadas defesas da objectividade, em quatro áreas centrais: linguagem, lógica, ciência e ética. Usando a sua distinção central entre as perspectivas da primeira e da terceira pessoa, Nagel argumenta que os filósofos pós-modernistas e outros que declaram todo o pensamento humano inevitavelmente subjectivo, estão, sem se aperceber, a tentar ter a última palavra sobre o nosso pensamento, última palavra essa que não se pode ter. A última palavra consistiria em ver todo o nosso pensamento a partir do exterior, a partir da terceira pessoa, para declarar dessa perspectiva que todo o nosso pensamento é inevitavelmente paroquial.

Mas não se pode realmente entender o pensamento humano a partir do exterior, tal como não podemos entender a ecolocação a partir do exterior, e só a partir dessa perspectiva exterior da terceira pessoa poderíamos alguma vez declarar que todo o nosso pensamento é paroquial. (4)

 

Certo é que, quanto à linguagem política, lógica política, ciência política e ética política, não sei se deva ou queira ter a última palavra. Iria, certamente, aborrecer e confundir o meu pároco...

 

 Luís Santiago

 

(1) “A palavra voa, a escrita permanece”. Caio Titus, Senador Romano; (2) A obra de Saramago é toda ela perspectivada na negação; (3) Essência e Verdade, Heidegger, comentado por Marcos Paulo Vieira, in www.consciencia.org/heidegger_essencia_verdade-marcos.shtmlr; (4) Desidério Murcho, Professor de Filosofia, Universidade Federal de Ouro Preto, dmurcho.com/docs/nagel.pdf http://blog.criticanarede.com

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