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A bem da Nação

MUSEU DE MARINHA

 Museu de Marinha CXXII

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Na época de contenção da Despesa Pública por que atravessa Portugal, terá o Governo decidido instituir o Museu da Viagem nele integrando o Museu de Marinha.

 

Não veio ainda a público se se trata de uma mera mudança de nome para justificar a mudança de tutela para o Ministério da Cultura ou se as alterações assumirão outras dimensões.

 

Se a questão é a de o Ministério da Cultura passar a usufruir das receitas de bilheteira do Museu de Marinha, então é conveniente lembrar que essa operação tem efeito nulo para o Erário Público pois que se trata de tirar a um Departamento do Estado para dar igual montante a outro Departamento do mesmo Estado; se as alterações têm a ver com a integração num só Museu de vários meios de transporte, então vamos por certo ter numa só instituição o espólio dos actuais Museus de Marinha, dos Coches e do Ar sendo que, bem vistas as coisas, pouco ou nada têm a ver uns com os outros, nomeadamente nos públicos que a cada um acorre. Fazendo blague, então junte-se-lhe o Museu da Carris.

 

O Museu de Marinha está muito bem localizado junto aos Jerónimos que simbolizam a nossa epopeia dos descobrimentos; o dos Coches tem a sua nova sede em construção junto ao antigo Picadeiro Real; o do Ar situa-se em Sintra nas instalações da Força Aérea. Não dá para acreditar que o Governo pense na construção de uma única sede para exposição conjunta destes três espólios. As contingências financeiras a que ele próprio, Governo, nos conduziu, exigem que não se façam despesas não reprodutivas num prazo razoavelmente curto. Esse tipo de «coisas» só se fazem quando não se pedem esforços suplementares ao Contribuinte, quando a Conta do Estado apresenta resultados positivos, quando os mercados internacionais de capitais não nos batem à porta a perguntar se estamos bons do juízo…

 

Portanto, sugerindo a sensatez que o Governo não vai fazer um único edifício para albergar estes espólios museológicos relacionados com a viagem, resta a hipótese de o objectivo consistir na consolidação dos três Quadros de Pessoal, ou seja, na anulação da multiplicidade funcional de 3 para 1 único Chefe da Contabilidade. Sim, porque os Guardas, os Cicerones, os Porteiros, esses continuarão todos a ser indispensáveis.

 

Senhora Ministra da Cultura: ou Vossa Excelência se explica ou teremos que admitir que «a montanha se prepara para parir um rato».

 

Entretanto, para que Vossa Excelência possa tomar conhecimento da panóplia de sentimentos que está a provocar, eis o comentário que o Professor Doutor Miguel Mota incluiu na Petição Pública que ontem assinámos:

 

Como filho do Almirante Alfredo Mota, que tanto se bateu pelo Museu, antes dele estar instalado nas actuais instalações; que fundou o Grupo de Amigos do Museu de Marinha, de que foi durante anos Presidente da Direcção (e de que sou um dos sócios mais antigos); e por saber a importância excepcional daquele museu, a notícia não podia deixar de me chocar profundamente. Vi posteriormente um desmentido e os meus votos são que o desmentido seja autêntico e não se cometa mais um atentado como aquele que recentemente destruiu o local da sede da antiga Aviação Naval, donde partiram, para o que eu considero o feito maior dos portugueses no século XX, a I Travessia Aérea do Atlântico Sul, esses dois grandes aviadores, Sacadura Cabral e Gago Coutinho. Esse local deveria ser algo como um centro de visitas elucidativo do que foi a Travessia, um feito heróico e científico, muito mais importante que o de Lindberg. Por incúria dos portugueses – que até o ignoraram totalmente na Expo e desperdiçaram a mais fantástica oportunidade de mostrar ao mundo esse feito, quando o tema até eram os oceanos! - todo o mundo conhece o nome de Lindberg e são raríssimos os que sabem quem foram e o que fizeram Sacadura Cabral e Gago Coutinho.

 

Resta a convicção de que há muitas outras rubricas da Despesa Pública onde Vossa Excelência pode cortar para grande gáudio do Contribuinte. Onde? Por exemplo, nos subsídios a essas troupes de cómicos que se auto-intitulam Grupos de Teatro de Vanguarda que esmolam ao Governo pois de antemão sabem que o público não os procura nem lhes paga as trampolinices.

 

O que está bem não carece de mexidas. O Museu de Marinha está bem!

 

Maio de 2010

 

Henrique Salles da Fonseca

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