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A bem da Nação

OS PRINCÍPIOS DA ECOLOGIA NA FÁBULA

 

 

Se La Fontaine estivesse

Nos dias de hoje, veria

Que o que já se fazia

Antigamente,

- Desrespeitar a natureza

Com ingratidão e fereza

- Se acentuou

Extraordinariamente

No tempo presente.

 

Felizmente agora

Há a ecologia

A advertir,

Conquanto inutilmente,

Que é preciso ser grato à Terra

E não lhe fazer guerra;

Ter-lhe respeito

Com jeito;

Porque senão

A Terra vinga-se e é o que se vê,

Nos sismos a eito,

Nos vendavais e tornados,

Nas tempestades e enxurradas,

No aquecimento global, nas inundações,

Nos vulcões em explosões,

No pânico geral e na dor inenarrável

De se destruírem os lares

Os amigos e os familiares

 

Só porque a natureza se vingou

De maneira insuportável

Sobre o Homem que a envileceu

Sujando, ferindo, agredindo,

Emporcalhando,

Destruindo.

 

Gratidão e respeito pela mãe-natura

São os princípios de envergadura

Que La Fontaine apontou

Na fábula do Lenhador devastador

Da sua Floresta.

 

Sentimentos verdadeiros hoje ainda,

Mas cada vez mais calcados

Espezinhados,

Pelo Homem irresponsável,

Num abuso irracional,

Sobre a Floresta Universal.

 

De um perigo

A merecer o castigo,

Apesar dos avisos já antigos

Duma Ecologia ainda em formação

Segundo um fabulista admirável

De percepção.

 

A Floresta e o Lenhador

 

Um Lenhador acabava de partir o cabo

Com que tinha encabado o seu machado.

O estrago não pôde ser tão cedo reparado

E o Bosque por um tempo foi poupado.

Enfim o Homem rogou-lhe humildemente

Que o deixasse suavemente

Levar um simples ramo

A fim de polir um novo cabo:

“Ele o seu ganha-pão empregaria noutro lado:

Muito carvalho e muito pinheiro deixaria intacto

Cuja velhice e encanto toda a gente respeitava.

”Mas outras armas a inocente Floresta lhe forneceu.

Bem se arrependeu.

Ele encabou o seu machado:

O miserável disso se foi servir

Para a sua benfeitora despojar

Do seu principal ornamento,

Os ramos do seu tormento.

Ela gemeu a cada momento:

A sua dádiva causou a sua dor.

Eis o trem do mundo e dos seus sectários.

Servem-se do benefício contra o benfeitor,

Estou cansado de assim o expor.

Mas que doces sombras a tais ultrajes

Estejam expostas,

Quem não se lamentaria!

Ai de mim!

Por muito que me esforce a gritar,

Para avisar,

A ingratidão e os abusos

Em moda não deixarão de estar

Dia após dia.

 

Quem diria

Que La Fontaine previa

O que hoje nos está a acontecer

Em escala ainda maior

Do que a que ele apontou

Quando nos avisou,

Autêntico professor?

Quanto à questão

Do oportunismo na utilização

Do benefício

E na ingratidão

Contra o benfeitor

É coisa sabida,

Nem vou contestar

Nem sequer lamentar

Que é coisa perdida.

 

Berta Brás

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