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A bem da Nação

ENERGIAS RENOVÁVEIS NEGLIGENCIADAS

 

 

Portugal está hoje melhor do que há quase trinta anos, quando publiquei um artigo a chamar a atenção para o que o país devia fazer no sentido de reduzir os elevadíssimos custos da importação de combustíveis (1). Além da energia hídrica, que já nessa altura era algo utilizada, o que se incrementou em tempos recentes foram principalmente a energia eólica e as células fotovoltaicas. (Há suspeitas de os consumidores estarem a pagar electricidade cara para que alguns tenham lucros chorudos e até tentarem travar outros aproveitamentos, mas isso é outro problema). No entanto, continuam a ser negligenciados ou muito pouco desenvolvidos alguns aproveitamentos que podem fazer diferença significativa. Para além dum melhor aproveitamento dos óleos de fritar, que julgo ser ainda uma pequena fracção do total, gostaria de chamar a atenção para dois casos em que poderemos fazer muito melhor do que actualmente.

 

Tem havido referências a fornos solares muito simples, até de construção caseira, destinados a cozinhar alimentos usando simplesmente o calor do sol. Apesar disso, não há uso generalizado nem são evidentes esforços da parte dos governantes ou das indústrias privadas para a sua divulgação. É um caso que bem pode ser tratado nas escolas, fazendo parte dos trabalhos manuais, como já vi notícia até na televisão, mas que não creio estar generalizado. De construção caseira ou por produção industrial, simples e barata, poderiam aproveitar o sol em quintais e varandas, poupando gás ou electricidade. Talvez os vendedores de combustíveis não gostem mas a economia nacional e a de muitas famílias agradecem.

 

Um outro aproveitamento é o do biogás, também chamado gás dos pântanos ou gás do estrume. É principalmente constituído por metano, um gás de fórmula simples, CH4 (cada molécula composta por um átomo de carbono e quatro átomos de hidrogénio), obtido a partir da fermentação de resíduos orgânicos, incluindo esgotos. Pode ser produzido em pequenas unidades, particularmente nas zonas rurais, ou em grandes instalações e é usado directamente, por queima, para aquecimento, ou em motores de explosão, incluindo geradores de electricidade. Comprimido, em garrafas com as usadas para o gás butano, pode ser usado em veículos automóveis. Os autocarros do transporte público na cidade de Helsingborg, na Suécia, utilizam o biogás produzido numa grande unidade. O líquido sobrante é levado para os campos por pipeline e utilizado pela agricultura, como um óptimo fertilizante.

 

A produção do biogás tem ainda o bom resultado de combate à poluição, algo particularmente importante em zonas como aquelas em que há grande concentração de explorações de suínos. Incrementando a utilização destes casos simples, Portugal pode dispensar uma grande parte da actual importação de combustíveis fósseis.

 

 Miguel Mota

 

(1) Mota, M. A agricultura é que há-de substituir o petróleo. Vida Rural Nº 128, Fevereiro de 1982

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