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A bem da Nação

LE MONDE BOUGE

                                                                              

         São Luiz de Paraitinga, S. Paulo

         Fonte:: Revista Veja, 13 de Janeiro de 2010 (pg58)
 
                                         
                                          
 
Le monde bouge, dizia a velha senhora dominicana e amiga, Soeur Marie Rose, quando se inteirava dos factos que abalavam a tranquilidade da Terra.   
 
Talvez porque as noticias cheguem com velocidade recorde, atravessando o globo, via satélite; talvez porque o Homem esteja colhendo o que plantou através de séculos de agressão ao meio ambiente, agravando e acelerando as naturais mudanças terrestres, o facto é que o mundo está em convulsões mais evidentes.  
 
Os noticiários anunciam catástrofes todos os dias, em todos os continentes. Terramotos, alterando o eixo da terra, tsunamis, enchentes, dilúvios urbanos, gases tóxicos saindo do fundo do oceano em quantidade preocupante, massas geladas gigantescas se desprendendo da calote polar, calor e frio excessivos matando animais e gente.
 
Aqui, na nossa região tropical, no Brasil Central, onde a placa tectónica terrestre Sul Americana nos dá uma relativa tranquilidade quanto aos grandes abalos sísmicos (não sentidos), sofremos com a Dengue e a Febre Amarela, endemias que nos chegam periodicamente com as chuvas e o calor do Verão, cada vez mais agressivas. No Inverno são as gripes (a Suína principalmente), que assombram a população.  Quando chove por mais de duas horas, a cidade inunda. O lixo da falta de visão do cidadão e de uma governança inoperante ou displicente entope os bueiros, as ruas viram rios, acontecem as enchentes.  Nos dias seguintes a preocupação é com a leptospirose, quando se vê ratos mortos em algum logradouro público ou habitação.   E o homem continua adentrando a mata, valorizando a extensão do espaço, menosprezando a qualidade do manejo, desequilibrando o ecossistema, trazendo vírus e vectores silvestres para a cidade, tudo em nome da economia e da produção de alimentos. Doenças conhecidas de longa data, largamente difundidas nos países de clima tropical, apesar da tecnologia e do combate ao mosquito, continuam se alastrando pelo território brasileiro matando gente.  
 
O homem evoluiu, fez escolhas, de nómada tomou hábitos sedentários, plantou, domesticou e criou animais para seu sustento. Mas tudo isso teve um preço, modificou o meio ambiente, se ganhou mais alimentos também adquiriu mais doenças.
 
A evolução trouxe mais necessidades, mais desafios, maiores conquistas. A população humana vingou, cresceu.  
 
Mas a vida para existir precisa de equilíbrio. Se o aumento da população garantiu a presença do homem no planeta, também trouxe mais proximidade, mais contágio, mais poluição, mais disseminação de doenças.
 
              
10- Rainha D. Filipa.jpg
 Filipa de Lencastre
Fonte: Wikipédia, Internet
 
Vieram as grandes pestes que se propagaram com a inquietação, com a migração humana. Assim é que na Europa dos descobrimentos (séculos XV e XVI), enquanto os portugueses se aventuravam no mar e tomavam Ceuta, a rainha de Portugal, D. Filipa, morria em Lisboa de peste negra (bubónica). Um terço da população do mundo civilizado sucumbiu, os sobreviventes criaram imunologicamente resistência, passaram-na para os seus descendentes.
 
Os migrantes e conquistadores tomaram contacto com outros povos e ambientes. Novas trocas de doenças, novas vitimas, novas resistências.   É a natureza procurando o equilíbrio para garantir o ciclo da  vida no planeta. E os humanos com toda a  inteligência, que ambiciona ser maior que a do seu Criador, impotentes perante a sua força, dependem dela para sobreviver.
 
 Uberaba, 8 de Março de 2010  
 
 Maria Eduarda Fagundes

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