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A bem da Nação

EXPORTAR OU NÃO IMPORTAR

 

 

Os economistas insistem na necessidade de Portugal exportar e o Prof. Daniel Bessa propõe redução de impostos para as empresas que exportam. Mas parece esquecerem que produzir para o mercado interno e não ter de importar é mais fácil, tem o mesmo efeito e só depende de nós. Para exportar dependemos do estrangeiro querer os nossos produtos.
 
Um dos sectores em que é mais fácil suprimir importações é a agricultura. Se temos de importar bananas e mangas, não se justifica ver os nossos supermercados (e não só...) a abarrotar de batatas, cebolas, cenouras, alhos, alfaces, tomates, pimentos, feijão verde, melões, melancias, laranjas, limões, ameixas, pêssegos, nêsperas, maçãs, peras, uvas, morangos, etc. etc. etc. vindos, às vezes, de bem distantes terras. Se o Ministério da Agricultura, em vez da destruição que vem fazendo há décadas e grandemente intensificada pelo actual governo, tivesse desenvolvido a agricultura (e muito tenho escrito sobre a forma de o fazer), a situação de Portugal seria bem outra, pelas melhorias causadas no PIB, no défice orçamental, na inflação, no desemprego e na balança comercial, além de benéficos reflexos na indústria e no comércio, a montante e a jusante. Aliás, uma agricultura portuguesa bem desenvolvida também exporta mais produtos agrícolas do que actualmente.
 
Também convém lembrar que um país que assenta a sua riqueza essencialmente na exportação está sempre em risco de que ela falte, como é o caso actual da Finlândia.
 
 
 Miguel Mota
 
Publicado no Público de 18-9-2009

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