ISTAMBUL – 1

A partir da parte «italiana«, vista da parte velha; o Mar de Mármara em último plano
Calcula-se que Istambul tenha actualmente cerca de 15 milhões de residentes. Correspondendo a um conjunto de vários municípios, estende-se por uma área que demora cerca de 3 horas a atravessar se não se for apanhado por algum engarrafamento.
Tudo isto são banalidades para qualquer grande urbe mas no que Istambul se distingue das demais é no facto de se dividir entre dois continentes. Sim, Istambul tem um pé na Europa e outro na Ásia pelo que não prescinde de exibir um certo exotismo que fascina qualquer forasteiro: todo o visitante europeu quer dar um salto ao “lado de lá”; todo o asiático que a visita não sossega enquanto não vem ao lado europeu da cidade.

O Mar de Mármara liga-se a sudoeste ao Mar Egeu pelo Estreito de Dardanelos e a norte ao Mar Negro pelo Bósforo
Assente na margem norte do Mar de Mármara, estende-se ao longo das duas margens do Bósforo e não falta muito para que do seu extremo norte europeu se alcance o Mar Negro; a parte asiática estende-se sobretudo para leste e tem a sua origem em Calcedónia, colónia grega.
De um modo geral, a cidade actual divide-se em três partes sendo duas europeias e uma asiática. As duas partes do lado poente são separadas por um braço (beco sem saída) do Bósforo chamado Corno de Oiro sendo a do sul a parte imperial (a antiga) e a outra a «italiana» (a nova). O lado asiático é fundamentalmente residencial e todos os dias há cerca de 2 milhões de pessoas que atravessam o Bósforo para virem trabalhar ao lado europeu. Dá para imaginar o volume de tráfego nas três pontes que seriam completamente insuficientes se não houvesse muitos ferries entre as duas margens.
Tudo começou na parte antiga, a imperial, quando em 667 a.C. um grupo de gregos de Megara, chefiado por Bizas, ali se instalou.É do nome deste chefe que deriva o nome Bizâncio.
Em 196 d.C. a cidade foi sitiada pelos romanos e em 330, sob a liderança de Constantino I, transformou-se no centro do Império Bizantino, ou seja, a metade oriental do Império Romano que falava grego. Foi depois da morte deste Imperador que a cidade se passou a chamar Constantinopla, a cidade de Constantino.
Assim se chamou até 1453 quando os otomanos a conquistaram e lhe passaram a chamar Istambul, nome turco de origem grega que simplesmente significa "na cidade", "à cidade" ou "centro da cidade". Até hoje…
(continua)
Lisboa, Janeiro de 2010
Henrique Salles da Fonseca
