O marketing brasileiro e a política populista de antigamente

Jan van Kessel 1626-1679
(Tropical birds in a landscape)
Palavra inglesa, especialidade americana, o marketing é termo moderno para identificar estratégia antiga. Manobra de que se utilizaram os nossos antepassados sempre que quiseram impingir alguma ideia, produto ou serviço, em resumo, quando quiseram “fazer a cabeça” de algum incauto, “cego” ou vaidoso.
Quando o homem precisou explicar para ele mesmo os fenómenos que caíam sobre a Terra e que o atingiam, inventou as lendas, idealizou os mitos, para responder à instintiva curiosidade e acalmar o espírito das dúvidas e incertezas. Com a evolução dos tempos e a sofisticação dos mitos e lendas, forjou lideres que mobilizaram e manipularam os povos, nasceu a política. Marketing e política se completaram, interagiram, para atender um objectivo, fosse ele particular ou colectivo.
No Brasil, o emprego de atractivas palavras explicitando meias-verdades, para “se vender o peixe,” começou com a famosa carta de Pêro Vaz de Caminha quando, entusiasmado, escrevia a D. Manuel, o Venturoso:
(...) esta terra tem tantas e tão boas águas que em se plantando tudo dá..., . ignorando os outros aspectos, climáticos, geológicos, antropológicos, geográficos, por ele ainda não suficientemente conhecidos. Daí em diante todo o Português e seus descendentes acreditaram que esta é a terra do futuro, a terra da vez.... E quando ele deixou escapar, subtilmente, que as beldades indígenas tinham “as vergonhas saradinhas...”, excitando o imaginário masculino, criou a ideia do paraíso terrestre, do embrionário sex-appeal das brasileirinhas.
Até mesmo o padre jesuíta, José de Anchieta, protector e redutor de índios, fazia propaganda duvidosa das “novas e maravilhosas terras”, dizendo que o homem no Brasil, chegando, nem precisava trabalhar porque “aqui os frutos estão prontos para a colheita”, os nativos, é claro. Os outros, os importados, precisaram ser adaptados ao solo e cultivados muitos anos depois, após estudos e emprego de tecnologia.
Mas foram os aventureiros desbravadores e bandeirantes que deram o golpe marqueteiro final quando, astutamente, faziam chamariz dizendo que no Brasil “O ouro, a prata e os diamantes estão ali, ao alcance das mãos”! Mas não mencionavam onde estavam e a que preço iriam consegui-los...
Assim o país da riqueza, do Tosão de Ouro, foi ocupado, colonizado e construído, apesar da distancia da metrópole portuguesa, do mar-oceano, das montanhas e rios caudalosos, dos animais ferozes e peçonhentos dos capões e florestas, dos ameríndios selvagens, do calor infernal, dos mosquitos, das doenças palustres tropicais, da falta de gente para qualquer obra e frente. Só não faltou o marketing e a propaganda politiqueira que subsistem até hoje para promover, agora, o governo brasileiro.
Uberaba, 26 de Dezembro de 2009
