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A bem da Nação

ÉTICA LUSÓFONA E SENTIDO DE ESTADO – 6

 

 
 
Dentre todos os meios de comunicação hoje ao dispor – e são muitos – a televisão é seguramente o que maior influência exerce nas populações, em especial nas mais frágeis. E quando digo as mais frágeis refiro-me às que não dispõem de capacidade de defesa contra as influências perversas que lhes possam chegar mais ou menos sub-repticiamente: incitação à violência pela apologia da competição como conceito global, exploração mediática do desespero do derrotado, incitação da revolta contra o dominador, esse que até ao passo anterior era o deus da glória e assim sucessivamente num círculo contínuo de altos e baixos de euforia e desespero. Ciclos tão úteis para a instalação de ambientes propícios às subidas e quedas das Bolsas internacionais, à manipulação de preços, à gestão dos interesses especulativos de quem quer comprar na baixa para logo de seguida vender na alta. E se os célebres ciclos de Kondratiev[1] não funcionam com o ritmo desejado, há que provocá-los pois não se pode perder tempo “à espera de Godot” ou, mais prosaicamente, “à espera da mulher da fava-rica”.
 
E porquê?
 
Porque os Fundos de Investimento têm que ser remunerados por taxas arrasadoras da concorrência que lhes é feita pelos outros Fundos de Investimento de que igualmente dependem as pensões de velhice de um número crescente de reformados, os tais que foram postos fora do mercado laboral por empresas que tinham que manter níveis de competitividade incompatíveis com ordenados elevados como os que têm os Quadros experientes e sabedores. E assim passaram à reforma compulsiva todos aqueles que já tinham regalias a mais. Deram lugar aos novos que se lançam na vida activa sem vínculo laboral, com a espada de Damocles do desemprego sempre suspensa sobre a 2ª feira seguinte com o posto de trabalho eventualmente ocupado por alguém que veio lá de longe. Vindo lá de paragens de desespero, sem reivindicações maiores do que o ordenado mínimo nacional ou... ainda menos. Assim se vêem os jovens num «salve-se quem puder», num mundo em que tudo vale para manter a cabeça à tona e não ser cilindrado pela torrente do desespero. Num mundo amoral em que a Ética foi conduzida ao anonimato, quase mesmo à clandestinidade.
 
E os mais velhos, votados ao ostracismo e sem mais saberem fazer do que o trabalho que tiveram toda a vida, entregam-se ao vazio desespero de matar as horas jogando às cartas na tasca lá do bairro até que as horas vazias os matem a eles.
 
(continua)
 
Bragança, 2 de Outubro de 2008 – VII Encontro da Lusofonia
 
 Henrique Salles da Fonseca


[1] - Nikolai Kondratiev (1892-1938) economista russo que teorizou sobre os ciclos económicos

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